Dê valor na água!

Foto: Bruno C.

Dê valor não somente a água que chega na sua torneira, valorize os córregos e rios de sua região. Se eles estiverem poluídos lute pela sua despoluição. Se sua cidade é agraciada com uma vasta quantidade de água, dê valor, cuide, pois se faltar, você vai se lembrar de  situações como as da notícia abaixo, e se arrependerá amargamente por ter ficado de braços cruzados quando poderia ter agido.

Moradores de favela em SP fazem fila para pegar água em mina

Habitantes de Paraisópolis carregaram os baldes até na cabeça. Adutora rompeu no domingo e não havia previsão de fim do conserto.

Do G1, com informações do SPTV – 08/02/10

Em qualquer fio de água caindo na rua, junta gente em volta. A dona de casa Zilma de Jesus Oliveira usaria a água para dar banho nas crianças. A pequena fonte fica em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Ali existem outros pontos onde a água brota e é disputada pelos moradores. Cerca de 800 mil pessoas da capital e região metropolitana tiveram o abastecimento interrompido após o rompimento de uma adutora da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no domingo (7).

Em Paraisópolis, os moradores fazem fila. Debaixo de um calor de mais de 30ºC, não dá nem para matar a sede antes de chegar ao começo da fila. E quem chega não aguenta mais esperar. Um homem grita para tentar organizar a confusão.

Com uma bomba emprestada, os moradores retiram a água de um poço. Mesmo sem a certeza de que ela é potável. Eles vão e voltam várias vezes e a água não dá. A tubulação da sabesp se rompeu de madrugada entre as avenidas Roque Petroni Júnior e Chucri Zaidan, no Brooklin, Zona Sul, e formou um chafariz.

A previsão inicial era que o reparo terminasse nesta segunda, mas apareceu um imprevisto: “aqui ao lado da escavação que a gente fez, passa um córrego. O Córrego do Cordeiro e ele está infiltrando na vala; então, a gente está com bombas retirando água e tentando vedar essa passagem para a vala aberta”, contou Alexandre Tassoni, gerente da Sabesp.

Para soldar a tubulação – que fica a quase 8 metros de profundidade – toda a água tem que secar. O problema atinge bairros como Morumbi, Butantã, Vila Sônia, Campo Belo, Americanópolis e Interlagos. Também falta água nas cidades de Taboão da Serra, Embu e Cotia.

No fim da tarde, a Sabesp informou que vai realizar manobras no sistema para que todas as regiões da Grande São Paulo tenham, pelo menos, o abastecimento parcial. E pediu que os moradores economizem água até que a situação seja normalizada.

Um caso de sucesso! A Dengue. Graças a muitos de nós…

No estado de Goiás e em outros estados, se transformou numa epidemia, hospitais lotados, centenas de novos doentes a cada dia. Humor, só se for em charges. A dengue não tem nada de engraçado. Faça sua parte, não deixe lixo espalhado, nem água parada, tenha higiene, aconselhe seus vizinhos, todos devem lutar para diminuir os focos dessa terrível doença.


Créditos ao site do Prof. Jarmuth – Blog SOS Rios do Brasil

E o ciclo se repete, até quando? Ou é para sempre?

Foto: Marian Primi Haas

A INVASÃO DAS VÁRZEAS DOS RIOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

A várzea pertence ao rio

Publicado por http://www.aguaonline.com.br/

Poucas vezes tem-se visto na grande imprensa uma matéria tão oportuna e analítica como a publicada no jornal o Estado de São Paulo e elaborada pelo jornalista Ivan Marsiglia.

Bem a propósito da comemoração, em 02 de fevereiro, do Dia Mundial das Áreas Úmidas. Fugindo da clássica abordagem da culpa da chuva e do rio que invade casas a matéria mergulha nos meandros do processo de urbanização da cidade de São Paulo e que se reproduziu às centenas pelo Brasil afora. E que continua a servir de espelho (errado) a outras centenas de municípios pequenos que um dia sonham em se tornar grandes.

Ela vai aqui reproduzida como uma homenagem à lucidez e clareza da entrevistada e argúcia do repórter que soube trazer à tona as causas subjacentes para o caos urbano que vem se instalando nas cidades brasileiras nestes tempos de mudançcas climáticas.

“Pé d’água, mesmo, não foi. Mas uma chuva compacta e homogênea, a mais volumosa em dois anos, caindo sobre quase toda a cidade de São Paulo durante 24 horas. E a maior metrópole brasileira amanheceu parada e submersa. Foram registrados 105 pontos de alagamento, entre eles as marginais dos Rios Pinheiros e Tietê. E seis pessoas morreram em deslizamentos de terra – no caso mais grave, em Santana de Parnaíba, quatro irmãos de uma mesma família, três deles, crianças.

A tragédia deixou “constrangida e indignada, mas não surpresa” a geógrafa paulistana Odette Carvalho de Lima Seabra. Autora de Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder: O Processo de Valorização dos Rios e das Várzeas do Tietê e do Pinheiros, apresentado como tese de doutorado na USP em 1987, a professora considera corretas as medidas tomadas nos últimos anos para mitigar as enchentes. Mas o sistema já está próximo de seu limite. Odette diz que as políticas públicas destinadas às várzeas dos Rios Pinheiros e Tietê tiveram um protagonista privado: a São Paulo Tramway, Light and Power Company – empresa de capital canadense que energizou o processo de urbanização brasileiro nas décadas de 30, 40 e 50. Afirma que as várzeas onde o governo do Estado assenta obras de ampliação das marginais são parte integrante dos rios – que as requisitam de volta, nas enchentes. E aponta que a solução definitiva passa por mudanças profundas no modo de vida na cidade.

As cenas de inundação na terça-feira surpreenderam a senhora?

Fiquei, como todo o mundo, constrangida e indignada. É insuportável saber que somos obrigados a viver essas tragédias ano após ano. Mas não posso dizer que as imagens me surpreenderam. As medidas que vêm sendo tomadas desde 1999 são corretas. Mas ocorre que a capacidade do Tietê está no limite. A interligação de bacias necessária ao abastecimento de São Paulo faz com que, por exemplo, 33 metros cúbicos por segundo da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba caiam aqui.

O solo impermeável da cidade é uma das causas das enchentes?

Também. As chuvas, a cada ano, são mais torrenciais. Há dados mostrando isso. Temos um volume aumentado de água na rede, impermeabilização crescente do solo e ocupação desordenada do rebordo externo da bacia. Eu me refiro à zona leste de São Paulo, à vertente sul da Cantareira, essa porção de colinas, onde têm ocorrido desastres. O solo, lá, é de rigolito, fixo apenas pela vegetação. Com o desmatamento, ainda que seja uma simples abertura entre as casas, tudo fica sujeito a deslizamentos. Além disso, por gravidade, os detritos chegam à calha do rio. Por isso o Tietê tem um trabalho de desassoreamento que não pode parar.

É difícil imaginar Paris sem o Sena, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio. Que falta faz um rio a uma grande cidade?

O rio é uma referência de lugar e de espaço, integra a identidade de um povo. Quando ele está perdido, como no nosso caso, é uma ausência importante. Vi um documentário que mostrava como os brasileiros voltaram as costas para os rios. Há quem cruze o Tietê quatro vezes ao dia sem se dar conta.

Seu doutorado mostra como as estratégias de ocupação das margens do Tietê e do Pinheiros foram definidas a partir dos interesses da Light. Como isso se deu?

Esse é o rescaldo negativo do imperialismo das grandes empresas nos países subdesenvolvidos. A Light, da qual hoje pouco se fala, provocou uma grande mobilização no Brasil das décadas de 30, 40 e 50. A companhia era uma espécie de polvo, atuando em diferentes esferas. Foi tão importante na história de São Paulo que passou a integrar o imaginário. Aparecia na música, na poesia, na retórica popular. Havia até uma expressão: “E eu com a Light?”

A proximidade das pistas do leito dos rios nas marginais é muito criticada por urbanistas. Por que elas foram parar lá?

Nos anos 60, com o Plano de Metas, foi preciso abrir espaço para circularem os automóveis. Tem início outro padrão e modo de vida. O Estado planejou as marginais e pressionou a Light: “Agora, vamos intervir, porque é preciso modernizar a estrutura de transporte do País”. Veja que, até então, em São Paulo andava-se de carroça, bonde ou barco – cerca de 500 deles transitavam no Tietê. Com a entrada da indústria automobilística, o transporte por rio desaparece e o ferroviário entra em declínio. Os bondes saíram de circulação não porque as pessoas não mais os quisessem, mas porque outra opção de transporte foi imposta goela abaixo.

É por isso que senhora diz que “os enigmas do funcionamento da Bacia do Alto Tietê traduzem o modus operandi da modernização geral da sociedade”?

Se a gente tem noção da história, fica ingênuo discutir quem fez as marginais e foi responsável por esses equívocos. Mas, com o partido rodoviário sendo adotado como modalidade de transporte nacional, a sequência só poderia ter sido essa. No caso da Light, é preciso levar em conta também que éramos uma República nova, sem conhecimento de estruturas jurídicas, com uma sociedade pouco aparelhada para negociar com o trust. Não que, por princípio, as pessoas fossem boas ou más. É um processo.

Os moradores mais antigos da cidade têm a memória de um Tietê onde se nadava, praticava remo. Como se transformou em uma “cloaca a céu aberto”, como a senhora diz?

Em minha tese, entrevistei um ex-barqueiro, de 96 anos, que passou a vida recolhendo areia do fundo do Tietê para vender. Ele me contou que, em 1935, já não podia mais beber a água do rio, e a levava de casa. Perguntei por quê. “Desde que a Nitroquímica se estabeleceu em São Miguel os peixes começaram a morrer e a gente não podia mais beber a água.” Ainda na década de 20, quando a Light obteve o monopólio do Rio Pinheiros, as autoridades decidiram deslocar os barqueiros para o Tietê. Houve processos na Justiça e, num deles, um barqueiro questiona: “Já não dá para tirar areia entre a Ponte Pequena e a foz do Rio Pinheiros, porque o fundo do rio é lodo e esgoto”. A contaminação é um processo que vem com a urbanização. Seus efeitos deveriam ter sido domesticados ao longo do tempo, mas ela foi avassaladora e não pudemos raciocinar sobre os problemas que a industrialização trazia.

Dezenas de projetos de ampliação do leito e embelezamento das margens foram realizados em São Paulo, sem que os rios fossem de fato recuperados – como ocorreu com o Tâmisa, em Londres. Por quê?

Primeiro, a gente continua poluindo o Tietê. A poluição industrial foi controlada, mas a doméstica, não. Há um problema de infraestrutura difícil de enfrentar. É muito caro fazer interligação de esgotos. Às vezes, os espíritos românticos maquiam as margens, produzem discursos… Mas a solução ainda está distante.

Ambientalistas dizem que “o carro é o novo cigarro”, um símbolo anacrônico de status, a ser banido.

Seria bom mesmo. Mas como agir numa sociedade desse tamanho, com milhões de pessoas circulando para cima e para baixo? Uma pesquisa que fizemos em Parelheiros, no extremo sul da cidade, mostrou que existe gente nascida lá, que já é adulta e nunca saiu da região. Não conhece nem o centro. Chamo isso de confinamento dos pobres. Com tantas carências, como arcar com o custo social de liberar as várzeas?

Fonte: Aguonline – jornalista Cecy Oliveira/Site Tratamento de Água

Publicado também no Blog do SOS Rios do Brasil

Já não basta f* o país deles, tem que f* aqui também.

Foto: Calil Souza

Chineses vão financiar expansão da soja em Goiás

A empresa estatal chinesa China National Agricultural Corporation, com suporte financeiro do Banco do Desenvolvimento da China, poderá financiar o Programa de Expansão da Cultura da Soja em Goiás, iniciativa que o Governo estadual prepara para apresentar ao Governo chinês durante a viagem em abril àquele País. A afirmação foi feita pelo presidente da companhia, Liu Shenli, durante visita à Fazenda Figueiredo Capão Grande, em Cristalina, no último dia 29.

Conforme Shenli, deve ser criado um grupo de trabalho formado por especialistas da China e de Goiás, visando estabelecer uma parceria técnica para os financiamentos agrícolas. A comitiva de chineses foi acompanhada por representantes da Secretaria Internacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura, e recebida pelo prefeito de Cristalina, Luiz Attié, além de outros diretores e produtores rurais do município.

Liu Shenli ficou impressionado com os plantios de soja, milho e café e as potencialidades agrícolas de Cristalina. Ele afirmou que o Brasil alcançou grande desenvolvimento nos últimos anos na produção agrícola, com uso de tecnologia de ponta. “Tenho certeza que Goiás e a China serão grandes parceiros no segmento do agronegócio”, afirmou.

Interesse
Ministro-conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Wang Qingyuan colabora na preparação da viagem que uma comitiva de Goiás vai fazer à China em abril. Ele disse que há grande interesse do Governo chinês em comprar produtos de Goiás, além da vontade de se fazer parcerias para investimentos chineses na produção agrícola e na infra-estrutura goianas.

Assessor do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo lembra que os chineses vão visitar outras regiões produtivas de Goiás. “Vamos mostrar que o Norte de Goiás pode se tornar grande produtor de soja como o Sudoeste e o Sul do Estado. Goiás só precisa de investimentos para a infra-estrutura da região e custear a produção”, afirmou.

Acompanhados pelo embaixador da China no Brasil, Qin Xiaoqi, a comitiva foi recebida no Palácio das Esmeraldas pelo governador Alcides Rodrigues, quando anunciaram a disposição em comprar carne bovina do Brasil. Os chineses foram à Rio Verde conhecer os complexos industriais da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano – Comigo e da Perdigão.

O grupo sobrevoou os municípios de Anápolis, Jaraguá, Goianésia e Uruaçu, para conheceram o traçado da Ferrovia Norte-Sul. No fim, conheceram o Projeto de Irrigação Luís Alves do Araguaia, em São Miguel do Araguaia. O embaixador disse que as importações de carne do Brasil e de Goiás são uma questão técnica que deve ser resolvida rapidamente. Alcides Rodrigues observou que as exportações de carne bovina para a China abrem uma grande oportunidade para o setor pecuário de Goiás.
Mais informações: (62) 3201-7810.

Fonte:Agecom

Toma o troco – Em São Paulo…

Tirinha do Dr. Pepper e sua turma

E tem gente que ainda não aprende…

Errar é humano, permanecer no erro é burrice…

Rotina desastrosa

“Se houvesse prevenção, a espacialização da população não geraria desastres. Se há fatores que caracterizam ameaça, é preciso preparar a população. E, após o resgate, é preciso buscar maneiras de reabilitar a população imediatamente e fazer uma reconstrução resiliente”, disse.



Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A cada ano, em períodos de chuvas mais intensas, repetem-se pelo Brasil as cenas de tragédias provocadas por enchentes e deslizamentos de terra. Esses desastres periódicos são, muitas vezes, indevidamente atribuídos apenas à intensidade dos fenômenos naturais. No entanto, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um grupo de especialistas no tema adota uma perspectiva mais crítica: os desastres são recorrentes no país por falta de uma cultura de prevenção e proteção civil.

Essa é uma das principais conclusões do livro Sociologia dos Desastres: construção, interfaces e perspectivas no Brasil, lançado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (Neped), do Departamento de Sociologia da UFSCar. A obra é fruto dos estudos realizados no núcleo desde 2003 e reúne artigos de 12 especialistas diferentes.

Organizado pela coordenadora do Neped, Norma Valêncio, e pelos pesquisadores Mariana Siena, Victor Marchezini e Juliano Costa Gonçalves, o livro tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Defesa Civil.

De acordo com Mariana, o foco do grupo é a relação entre desastres, direitos humanos, defesa civil e dimensões políticas e institucionais. “Estudamos também as dimensões psicossociais dessa associação. Para isso, trabalhamos com entrevistas in loco, por exemplo, com moradores que perdem suas casas em desastres”, disse Mariana à Agência FAPESP.

Sob a orientação de Norma, a pesquisadora desenvolve atualmente, com auxílio da FAPESP, um estudo de doutorado com o tema “Vulnerabilidade diante dos eventos extremos relacionados às mudanças climáticas: uma análise sociológica do discurso e prática da assistência social em cenário de desastre associado às chuvas”.

Segundo Mariana, praticamente todos os estudos realizados pelo Neped convergem para a constatação de que não há, no Brasil, uma cultura relacionada à prevenção e à proteção civil em relação a desastres. De acordo com a pesquisadora, o caso dos desastres ocorridos recentemente em Angra dos Reis (RJ) é um exemplo atual de uma constatação feita pelos especialistas no livro: os órgãos públicos têm dificuldades para reagir aos desastres.

“Se houvesse prevenção, a espacialização da população não geraria desastres. Se há fatores que caracterizam ameaça, é preciso preparar a população. E, após o resgate, é preciso buscar maneiras de reabilitar a população imediatamente e fazer uma reconstrução resiliente”, disse.

A ineficiência do sistema de defesa civil, segundo Mariana, não se resume à incapacidade de resposta imediata. Ela é percebida especialmente no trabalho de prevenção quase inexistente. “A falta de prevenção é generalizada e o ente público está sistematicamente ausente. As lições aprendidas com as falhas na prevenção quase nunca são incorporadas”, afirmou Mariana.

Sempre os mesmos

Cerca de 25% dos municípios brasileiros são afetados por desastres relacionados a chuvas e seca a cada ano, de acordo com dados levantados pela equipe do Neped. Segundo Mariana, os estudos feitos pelo grupo mostram que, nos últimos sete anos, a existência de desastres é verificada nos mesmos estados e municípios.

“Entre 2003 e 2007, observamos em estudos de caso que os mesmos locais e as mesmas famílias haviam sido atingidas diversas vezes. Tudo se repete periodicamente, com as mesmas características e os mesmos prejuízos. E eventualmente em situação pior, já que pessoas que mal tiveram tempo para se recuperar são atingidas novamente”, afirmou.

De acordo com Mariana, há uma estreita relação entre desigualdade social e exposição ao risco. “Os fenômenos naturais, ainda que extremos, não são desastres. Entendemos por desastre uma combinação da ameaça natural com a alta vulnerabilidade. É o que temos visto no caso dos terremotos no Haiti. O país tem grande vulnerabilidade econômica, social e institucional dos mais diversos matizes. Quando ocorre um terremoto, nesse caso temos de fato um desastre”, explicou.

Os estudos constataram, segundo Mariana, que o processo de vulnerabilidade está relacionado à indiferença social em relação ao direito de territorialização das populações empobrecidas. “É essa indiferença e o descomprometimento dos órgãos de defesa civil que tornam essas pessoas vítimas fáceis dos impactos dos desastres naturais”, disse.

Embora a vulnerabilidade tenha um componente inequívoco ligado à pobreza, a parte mais rica da população também é afetada por desastres, de acordo com Mariana. “Todos são atingidos. Mas quem tem mais poder aquisitivo dispõe também de mais facilidade para suplantar essas adversidades, reconstruir o que foi destruído e garantir a prevenção para que o desastre não se repita”, afirmou.

Os pesquisadores do Neped, segundo Mariana, realizaram nos últimos anos estudos dedicados aos diferentes grupos sociais que apresentam vulnerabilidade aos desastres. “Esses grupos são submetidos a um expressivo sofrimento social em situações de desastre. Na maioria dos casos, essas vulnerabilidades se combinam com políticas sociais precárias. Estudamos como os desastres afetam as populações de baixa renda, mulheres, idosos e crianças, por exemplo”, declarou.

Atualmente, o grupo se dedica a estudar também a vulnerabilidade a eventos extremos associados às mudanças climáticas globais. “O nosso núcleo tem hoje 18 profissionais de diversas áreas, sendo que a maior parte vem da sociologia”, disse a pesquisadora.

O livro, segundo a pesquisadora, está dividido em quatro seções. A primeira trata de políticas institucionais da defesa civil, a segunda aborda as dimensões sociais da vulnerabilidade e a terceira discute o tema “Educação para redução de desastres”.

A última seção é a única que trata de estudos feitos fora do Brasil, abordando as pesquisas feitas por Norma Valêncio na África, nas quais avaliou os impactos das mudanças climáticas sobre países do continente. “Essa seção faz uma reflexão sobre a contribuição das ciências humanas para pensar o sofrimento social no continente africano”, disse Mariana.

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Sociologia dos Desastres: construção, interfaces e perspectivas no Brasil
Autor: Norma Valêncio e outros
Lançamento: 2010
Preço: Distribuição gratuita
Páginas: 268
Mais informações:

Mais informações: desastres@terra.com.br

Do blog do Instituto SOS Rios do Brasil

A vida é um milagre, não a desperdice.

Esse é um recado que vai para aqueles que sempre acham que dinheiro está acima de tudo e de todos. A mãe natureza nos proporciona o milagre da vida, ela é curta e deve ser vivida, fazendo bem ao próximo a ao nosso meio, o meio ambiente. Abaixo um vídeo da música “It’s a Miracle” do Queen que acho legal e gostaria de compartilhar com vocês leitores. Aproveitem.

Portal da bacia do rio Meia Ponte – MeiaPonte.Org

Está no ar há cerca de 2 meses o portal da Bacia do Rio Meia Ponte, o MeiaPonte.Org.  Nele você encontrará fotos, reportagens, videos, diário de bordo, e tudo o que se refere a bacia de um dos rios mais importantes, porém, mais maltratado do estado de Goiás.

http://www.meiaponte.org

Pode até ser bom, mas isso está nos matando…

Consumismo, essa é a palavra. Estamos acabando com os recursos do planeta, além de entupi-lo de lixo.

Uma sátira bem humorada a respeito do consumismo

Charge de Um Sábado Qualquer

O progresso não respeita nem mesmo aqueles que deveríamos admirar

Hidrelétrica de Tucurui ainda causa impactos negativos aos indígenas

Novos empreendimentos na Amazônia ameaçam sobrevivência dos índios

O documento ataca o avanço desordenado de “infraestruturas da globalização” e lembra que a instalação de grandes usinas, como a Hidrelétrica de Tucuruí, na década de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos de malária.

A instalação de novos empreendimento na Amazônia gerou consequências trágicas e irreversíveis para os povos indígenas da região. É o que revela publicação inédita da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação dos mais de 370 milhões de índios no mundo, divulgada no Rio de Janeiro e em várias capitais.

Embora o relatório não cite a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, em Porto Velho, alerta que há relatos de índios isolados vivendo na região, que estão sendo dizimados por doenças tratáveis como malária, pneumonia e varíola.

O documento ataca o avanço desordenado de “infraestruturas da globalização” e lembra que a instalação de grandes usinas, como a Hidrelétrica de Tucuruí, na década de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos de malária. No período, também foi registrado crescimento da incidência de doenças como oncocercose (cegueira dos rios) e esquistossomose.

Na Amazônia peruana, o relatório cita os impactos com a exploração de petróleo e gás (Projeto Camisea) desenvolvido pela Shell Oil, também na década de 1980. O contato de trabalhadores da empresa com a população local trouxe tosse, varíola e gripe, matando 50% da comunidade tradicional.

Além das enfermidades trazidas com as alterações no meio ambiente, como os grandes alagamentos para a instalação da usinas, novos empreendimentos na Amazônia também obrigam o reassentamento de famílias, que deixam para trás, além do território, tradições e relações seculares com o lugar e formas de subsistência.

“Grupos indígenas dispersados anteriormente foram forçados a viver em assentamentos, onde eram expostos a novas doenças, como infecções intestinais e gripes”, afirma o relatório, que aponta também a carência de assistência médica adequada e a falta de vacinação regular.

Durante a divulgação do relatório, o líder Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), disse que, para minimizar os problemas provocados por esses empreendimentos, os índios querem ser consultados sobre os impactos das instalações em suas terras, como determina a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

“A ONU trabalha para que os bancos de financiamento e organismos multilaterais como o Banco Mundial [Bird] e o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID] sejam obrigados a estabelecer mecanismos de consulta e diálogo com os povos indígenas para levar em conta a opinião deles. Isso vai ajudar na garantia dos direitos humanos”, concluiu Terena.

CIMI/EcoAgência