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Documentário sobre o rio Meia Ponte

O documentário já tem um tempo, mas vale a pena assisti-lo.  Infelizmente nada melhorou em relação ao rio, pelo contrário, parece ter piorado.

 

Série Mundo Paralelo – As gangues do rio

Rio Meia Ponte

Carol é uma menina muito curiosa que adora observar o rio que passa próximo da chácara onde vive com sua família. Ela sabe que não pode banhar naquelas águas pois elas infelizmente estão contaminadas e isso a entristece.

– Nossa, bem que nesse calor aquelas águas seriam perfeitas para um mergulho! Mas não posso, as águas estão poluídas e cheias de sujeira, vou apenas caminhar por essas margens e observar o rio como sempre faço.

O que Carol não imaginava é que ela ficaria frente a frente com uma guerra. Calma, não uma guerra de soldados, tiros, tanques e aviões, mas uma guerra de gangues, feitas de lixo!
– Que susto! O que são aquelas coisas ali na água? Deixa eu chegar mais perto.

Calmamente Carol se aproximou de um barulho que veio de um lado da margem onde se amontoa bastante lixo. É um local que, devido a correnteza, forma um redemoinho que cria uma espécie de prisão que tudo segura. Ela viu uma grande quantidade de garrafas PET e de isopores girando e batendo nas galhas.

– Caramba, parece que as garrafas estão disputando território com os isopores. Aquele lugar está tão cheio de lixo que não há mais espaço para um ou outro.
– Nunca pensei que esse rio fosse ficar tão cheio de sujeira quanto está agora. Meu avô conta que aqui era tão limpo, que ele pescava e se banhava nessas águas. Agora só fedor e essa visão horrorosa.
– Parece que quanto mais os políticos dizem que as coisas vão melhorar para nosso rio, pior ele fica.

De repente Carol escuta uma voz que parecia ser do líder das garrafas PET:

– Isopor, saia já daqui com sua turma que essa área pertence a mim, tenho muito mais companheiros ao meu lado. O que costumo carregar no meu interior é doce e chama a atenção, participamos de festas e outras comemorações, somos muito queridos. Todos os dias centenas, e até milhares dos meus semelhantes ganham a liberdade e vem parar em locais como esse onde estamos. Você não tem chance alguma.

– Quanta pretensão a sua, garrafa PET. Nós isopores somos muito mais queridos. Após as comemorações que vocês tanto se gabam nós saímos de dentro de caixas que contém o sonho de consumo da maior parte das pessoas, cheias de desejo pelo seus bens materiais, como TVs, Eletrônicos, brinquedos. Protegemos aquela mercadoria e depois, cumprido nosso papel, somos liberados para voar até com o vento, pois somos leves. Vocês são desajeitados.

– Eu só tenho muito a rir de você, Isopor. Vocês são leves mas frágeis, rapidamente vocês viram pó e são engolidos por peixes.
– E vocês PETs que não podem entrar água que logo afundam, ou se prendem muito mais facilmente nos galhos e raízes.

Carol ao perceber que a discussão estava se tornando cada vez mais acalorada e os ânimos estavam a flor da pele resolve dar uma basta naquele papo.

– Isopores e garrafas PETs, eu tenho algo a dizer a vocês: vocês são muito novos nesse mundo, até mais do que eu. Vocês deveriam entender que o lugar onde estão não lhes pertence. Além de terem ido parar ai por pura falta de consciência de alguns, vocês ainda estão presos. Ficam ai guerreando apenas para inflar o ego. Vocês nem espaço para se movimentar possuem, não tem autonomia e seguem o fluxo conforme o humor do rio, se cheio após uma grande chuva ou vazio após uma grande estiagem. Muito dos seus companheiros se perderam ao longo do caminho, seja através de uma margem que os tragou para dentro da mata, ou simplesmente por terem sido levado correnteza abaixo. Saibam que provavelmente vocês não foram os primeiros e nem serão os últimos a brigarem por seu espaço nesse amontoado de sujeira. Mas essa farra um dia irá acabar e não haverão mais motivos para existir essa briga ridícula e sem sentido.

Isopores e garrafas PETs apenas riem de Carol.

– Menina, você é muito ingênua, como acha que perdermos nossa força? Temos ajuda por todos os lados por parte de outros humanos que são generosos conosco. Aqui é nosso lugar e pretendemos ficar para sempre.

Carol se entristeceu, pois de certa forma eles tinham razão, mas ela não se resignou. Estufou o peito e disse em alto e bom som:
– Enquanto eu tiver voz, eu levarei consciência para as pessoas, para que elas nunca mais joguem sua sujeira indiscriminadamente no meio da rua, e que lutem por um rio limpo, onde seja possível contemplar sua beleza, praticar esportes e se banhar em suas águas. Vocês representam a morte, quero trazer a vida de volta a esse rio.

Garrafas PET e isopores riram novamente, mas no fundo eles se recolheram a sua insignificância. Ficaram amedrontados pois sentiram verdade naquilo que Carol lhes dissera.

Quantas Carolinas o mundo precisa para que se acabe com um problema tão grave que afeta a todos nós?

 

Abaixo uma coletânea de estórias de um mundo paralelo e a natureza.

O Supermercado nas águas
– Um dia de fúria
– O médico e o rio
– O parque e o rio
– Diálogo entre humano e peixe I
A saga de uma garrafa pet
A criança e a Serra
O Pequizeiro
– O lago

Rio ou Esgoto?

Condição da água do rio logo após passar pela barragem da usina. Muita espuma, águas fétidas. Esgoto puro!

Condição da água do rio logo após passar pela barragem da usina. Muita espuma, águas fétidas. Esgoto puro!

Recentemente estive as margens do rio Meia Ponte, na região onde fica a antiga Usina Jaó, próximo ao clube que hoje em dia leva seu nome. A usina Jaó foi de extrema importância par ao batismo cultural da capital. Levou energia para milhares de lares de Goiânia. Com o crescimento da cidade, já em meados da década de 60 o rio Meia Ponte começou a apresentar um descréscimo na qualidade de suas águas. No início dos anos 70, já com suas águas bastante comprometidas, optou-se por destruir a barragem que permitia a formação de um grande lago que alimentava as turbinas da usina. A partir daquele momento a usina foi abandonada e passou a ser apenas um local que atualmente não tem nenhuma função a não ser servir de esconderijo para morcegos e de certa forma, um museu vivo da história do rio, ao menos externamente.

O problema é que o abandono se reflete não apenas na usina, mas também no rio. A ETE que prometia reduzir significativamente a poluição faz apenas o tratamento primário do esgoto, com eficiência de cerca de 58%, ou seja, cerca de 42 % de esgoto retorna ao rio. Os esgotos clandestinos continuam a todo vapor poluindo os córregos da cidade pois a fiscalização é quase inexistente. Existem cerca de 25 pontos de esgoto que são “oficializados” e contribuem enormemente para agravar a situação delicada que vive o manancial.

O Meia Ponte infelizmente só vira notícia quando algo ruim acontece, seja um corpo encontrado em seu leito, uma derramamento de óleo ou um forte odor que costuma se espalhar pelo ar principalmente nos bairros próximos a ele. De resto, só o descaso.

Estamos na época de estiagem, o rio está com a vazão bem reduzida e o que se vê correndo em seu leito não é água, é esgoto puro. É triste constatar que 11 anos depois que foi prometida a tão sonhada ETE, com a consequente melhora nas qualidades da água do Meia Ponte, o que se vê é um imenso esgoto correndo a céu aberto.

Mais do que nunca é necessário retirar a capa de invisibilidade que foi jogada sobre o rio e mostrar para a sociedade que lutar pela sua limpeza é lutar pelo bem estar do próprio povo que depende de suas águas. O rio deve voltar a ser motivo de orgulho, como nas histórias que os antigos nos contam, de um rio belo, de águas límpidas e cheio de peixes.

Sopa de lixo no rio Tietê

O ecoesportista Dan Robson mostra um “sopão” de lixo boiando nas águas do rio Tietê a cerca de 120 Km da cidade de São Paulo.

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Ecoesportista Dan Robson mostra em vídeo a quantidade de lixo no rio Pinheiros

“No futuro teremos água potável ou apenas água bebível?” Frase retirada da revista Manuelzão.

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https://www.facebook.com/ecodanrobson

 

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Série Mundo Paralelo – O Supermercado nas águas

Reportagem do jornal O Popular com o título: Mais mananciais, mais poluição

Córrego Vaca Brava

Reportagem do Jornal O Popular, na edição de hoje, 23/03/15 mostra um retrato da realidade dos mananciais de Goiânia. Realidade pouco animadora, na verdade, desesperadora. Achei a reportagem um pouco superficial, mas ainda assim interessante. Trata-se um alerta. Segue o link abaixo:

http://www.opopular.com.br/editorias/cidades/mais-mananciais-mais-polui%C3%A7%C3%A3o-1.809955

Abaixo uma postagem que fiz aqui no próprio blog com vários links de outras postagens que ilustram mais problemas com as águas em nossa cidade.

https://guiaecologico.wordpress.com/2012/05/28/corregos-e-rios-de-goiania-e-regiao-metropolitana/

Cidades desperdiçam sua água ao contaminá-las com esgoto

Córrego Palmito

Abaixo posto o link de uma reportagem do UOL que mostra essa degradante forma de se desperdiçar água, a contaminação das águas por esgoto. É o que eu sempre digo nas minhas palestras sobre o que acontece aqui na minha cidade, Goiânia. Um dos seus ribeirões, o Anicuns, recebe contribuições de diversos córregos, e por isso, possui uma boa quantidade de água apesar de sua curta extensão. Porém, suas águas estão bastante comprometidas por conta do lançamento de esgoto, e por isso, não podem ser aproveitadas para abastecimento humano. Tenho certeza que suas águas poderiam ser utilizadas para abastecer diversos bairros em Goiânia, claro que em quantidade menor do que os dois outros sistemas, o Meia Ponte e o João Leite. Goiânia ainda está bem perante ao quadro atual de outras cidades, que muitas vezes dependem de um único manancial que já se encontra com suas águas bem comprometidas, colocando em sério risco o abastecimento de água da cidade.

“Precisamos reconhecer que usar rios para diluir esgotos é a forma mais perversa e absurda de desperdício de água e que combater as fontes de poluição, na origem, a exemplo de países que recuperaram seus grandes rios, pode ser mais rápido e eficiente.”

Segue o link:

http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/03/22/diluir-esgotos-em-rios-e-a-forma-mais-perversa-de-desperdicar-agua.htm

Para entender sobre a classificação das águas antes de ler a reportagem:

https://guiaecologico.wordpress.com/2012/03/28/voce-sabe-como-as-aguas-sao-classificadas/

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