III Feira do Cerrado do Colégio Estadual Dom Bosco – Um exemplo a seguir!

São sementes que estão se tornando árvores…

E árvores geram frutos que produzem sementes e que se espalham por toda parte!

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Numa localização privilegiada, próximo à Serra das Areias, na periferia do município de Aparecida de Goiânia, encontra-se o colégio Estadual Dom Bosco. Para quem não sabe, no catolicismo Dom Bosco é o santo padroeiro da juventude! E nada melhor do que nossas crianças e jovens para contagiar as outras pessoas com seus aprendizados e consciência ecológica adquirida!

O colégio fica nas proximidades do córrego Saco Feio, afluente do rio Dourados, que por sua vez faz parte da bacia do Rio Meia Ponte. A menção das águas não foi por acaso, afinal de contas o Cerrado é conhecido como o berço das águas, em virtude da quantidade de bacias hidrográficas que nele se iniciam. Outra curiosidade, para quem não sabe, é que o Cerrado é um bioma com mais de 60 milhões de ano e possui uma das maiores biodiversidades do mundo.

Cartaz III feira do Cerrado do colégio Estadual Dom Bosco
Cartaz de divulgação da III Feira do Cerrado do colégio Estadual Dom Bosco

Pelo terceiro ano seguido, sempre no mês de Novembro, acontece a feira do Cerrado do colégio, esse ano com o tema: “O que você fará quando a água do Cerrado acabar?”. Uma feira repleta de atrações como apresentações musicais, danças, exposições, degustação de comidas típicas, oficinas e distribuição de mudas nativas do cerrado. A feira é um sucesso e está se tornando uma tradição.

diretora e eliamara
A diretora da escola, Valdirene Maia à esquerda e a professora Eliamara Rodrigues à direita!

Eu estive lá e pude conferir de pertinho esse trabalho maravilhoso idealizado pela professora Eliamara Rodrigues dos Santos Dias. Uma pessoa extremamente competente, cordial e carismática! Não deixo de mencionar também o importante papel da diretora da escola, Valdirene Maia. Sem sua anuência e apoio, dificilmente um evento assim sairia do papel.

Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas presentes no evento, e da organização como um todo. Uma feira realizada com um investimento bem pequeno mas com um retorno incalculável para a sociedade. Pessoas como a professora Eliamara são agentes fundamentais dessa transformação!

Para quem não conhece o projeto, a feira nada mais é que o auge dos trabalhos construídos com os alunos ao longo do ano. São alunos do ensino médio, a partir do segundo ano, que tem a disciplina na grade curricular. Porém, toda a escola, inclusive alunos do ensino fundamental são estimulados a darem sua contribuição. São poemas, pinturas, trabalhos escritos, fotografias, coleta de sementes, conservação e plantio de mudas numa área bem pertinho da escola.

 

Alunos na etapa de germinação das mudas

Também ocorrem palestras e a desse ano foi conduzida pelo historiador e professor Raniere André Fernandes e pelo ambientalista e paisagista Luiz Botesso que fizeram o mapeamento dos rios da bacia do Rio Araguaia e foram contar suas impressões para os alunos da escola. No dia da feira, no período vespertino, aconteceram oficinas com vagas limitadas mas abertas a toda a comunidade.

 

Luiz Botesso e Raniere André na apresentação da palestra sobre o rio Araguaia

As oficinas oferecidas foram de panificação com os sabores do Cerrado, confecção de bonecas de retalhos, defumados, compostagem e horta hidropônica. A feira é também um presente que recebem com orgulho aqueles que se dedicaram durante todo o período. Orgulho também para toda a comunidade.

Imagens das oficinas

A feira aconteceu no período noturno e no dia do evento, ao chegar na escola, havia uma portaria que controlava a entrada e saída de pessoas. Já dentro do local, bem no início, havia uma exposição do Batalhão Ambiental de Goiás com animais empalhados como jacaré, jaguatirica, cobras, gambá, furão, além de vidros com fetos de animais selvagens, aranhas, cobras e outros. Uma excelente oportunidade para que todos conheçam bem de perto esses animais, sem riscos. Ao lado dos animais estavam expostas também as pinturas produzidas pelos alunos durante o ano e que retratavam o Cerrado como um todo.

 

Exposição de pinturas e stand do Batalhão Ambiental de Goiás

A agitação rolava na quadra de esportes da escola, além da grande quantidade de pessoas, deparei-me com o local cercado por mesas repletas de comidas típicas e no centro, cadeiras para receber confortavelmente o público.  Acontecia naquele momento uma apresentação de um show musical com uma banda formada por professores do colégio, que eram bem afinados por sinal! Aconteceram também apresentações de dança e outras apresentações culturais.

 

Quadra de esportes com estrutura montada para as apresentações culturais e degustação de comidas típicas.

Posteriormente, a parte da degustação foi um show a parte. Os próprios alunos ficaram encarregados de prepararem receitas das mais diversas que utilizavam matéria prima do Cerrado, principalmente os seus frutos. Havia mousse de Buriti, uma palmeira típica das veredas e das beiras de rio no Cerrado, mousse de graviola, cagaita, mangaba, bolo de jatobá, arroz com pequi, sucos variados. Tudo muito gostoso e diferente. Os sabores do Cerrado representados em receitas tradicionais.

 

Exposição de comidas típicas para posterior degustação!

Como disse Eliamara, a idealizadora do projeto: “sensação de dever cumprido!”. Um dever cumprido que se repete anualmente e que vai espalhando suas árvores por todos os cantos, árvores essas que no futuro certamente espalharão suas sementes de consciência. O Cerrado agradece!

E para finalizar, o poema da aluna Giovanna Batista de Souza que nos presenteou com um lindo e revelador poema sobre a destruição do Cerrado.

Oh, meu Cerrado!
Tão lindo de se ver
Bonito e cheio de vida,
O que aconteceu?
Eu quero saber.

Estás tão decaído,
Abalado e tristonho.
Estás tão sem vida
Largado no abandono.

Sua fauna,
Rica, bonita e respeitada.
Tem vários animais em extinção
Como exemplo: a onça-pintada.

Em suas árvores tortas,
Onde está a trepar, o garoto
Para pegar um pequi
Hummm, já posso sentir gosto.

Seus moradores estão indo embora
Com medo do bicho homem
Estão indo caçar abrigo
Sem conseguir matar sua fome

Suas águas se calando
Não as ouço passar
Sem nascentes ou para onde ir
Estão a secar

Mulher pede apenas um pouco
De água limpa para seu filho
Eu digo: como, senhora?
Se você mesma está poluindo o rio?

Homem quer
Um ar de qualidade,
Como, homem?
Se você desmatou nossa cidade?

Animais em extinção
O rio, tem contaminação
O homem pratica desmatamento
Para fazer sua ocupação.

E com todos esses problemas
Continua a destruição.
Será quando o ser humano
Irá aprender a lição?

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