Skip to content
Anúncios

O descaso com o rio Meia Ponte, um rio de águas pretas

Recentemente, mês de Outubro de 2017, a equipe do blog Guia Ecológico formado atualmente por mim, Ernesto Augustus e o companheiro ambiental e de aventuras, Paulo Castilho, fomos até o encontro do ribeirão Santo Antônio com o rio Meia Ponte. Estávamos curiosos de como estariam esses dois mananciais já que dias antes eu havia passado no rio Meia Ponte numa região próxima e havia ficado impressionado com a cor de suas águas. A cor preta das águas do Meia Ponte atualmente lembram o rio Negro no Amazonas, cuja beleza das águas é mais evidente no encontro deste com o rio Solimões para juntos formarem o grandioso rio Amazonas.

O problema é que as águas pretas do rio goiano não são causadas por matéria orgânica proveniente de folhas de árvores da floresta Amazônica, nem tampouco do Cerrado goiano, mas é sim provocado pelo lançamento de esgotos domésticos e industrais, tratados ou não. A baixa vazão do rio em virtude da severa estiagem também contribui para o problema, com isso a capacidade do rio de diluir os esgotos está comprometida.

Partimos de carro no período da tarde com destino ao Val das Pombas, um bairro em Aparecida de Goiânia que fica bem no extremo do município, já no limite com o município de Senador Canedo. Uma coisa que chamou minha atenção na chegada foi o aspecto da água do ribeirão Santo Antônio e o seu odor. Desde que foi inaugurada a ETE Santo Antônio, em meados de 2017, a qualidade das águas do manancial regrediu e agora ele apresenta espuma quando a água bate em pedras e um odor mediano de esgoto, além de mais algas que o normal. Fato que só confirma o que eu penso, de que as ETEs( Estações de Tratamento de Esgoto) da região metropolitana de Goiânia tem eficiência questionável, visto que realizam apenas o tratamento preliminar do esgoto, removendo pouco mais de 50% da carga orgânica e por isso o efluente tratado continua impactando de forma significativa os mananciais, principalmente na época de menor vazão. Resultado, mesmo com o suposto tratamento do esgoto de nossas cidades continuamos tendo rios poluidos, não recomendados para recreação de contato.

Para chegar até o encontro dos rios fomos caminhando pelo leito do Santo Antônio, em certos momentos bem ao lado das águas e em outros momentos na parte mais acima do barranco e até em meio a um pasto castigado pelo tempo seco. No caminho passamos por uma praia onde encontramos uma simpática turma de pessoas que se banhavam nas poluídas águas do Santo Antônio. Eles sabiam que estava suja mas não se importavam, pois, o calor era tão intenso que queriam mesmo era se refrescar.

Depois de uma caminhada de uns 15 minutos em meio a um forte sol e calor, um ribeirão assoreado, com muita erosão nas margens e uma mata ciliar destruída do lado esquerdo, chegamos ao local. O rio Meia Ponte com as águas pretas, odor forte e aspecto ruim se encontrava com um Santo Antônio que parecia até limpo. As águas transparentes de um se contrastavam com o preto do outro. Corriam por alguns metros lado a lado, novamente lembrando o encontro da águas dos irmãos gigantescos do norte do Brasil, rio Solimões e rio Negro.

Após o impacto inicial da cena, fizemos reconhecimento do local, gravamos alguns vídeos e tiramos algumas fotos pois, é importante o registro de um fato tão incomum e triste. Que entre para a história como um capítulo que jamais se repita. Conheciamos aquele local em tempos de cheia e é incrível como estava diferente. Havia muita areia e bastante árvore caida no encontro dos dois. Árvores trazidas pelo ribeirão Santo Antônio por conta da impermeabilização cada vez mais crescente da sua bacia no município de Aparecida de Goiânia. O ribeirão tem recebido um volume cada vez maior de água que desce com tanta força que sai rasgando suas margens e derrubando as árvores, modelando um novo leito que comporte tamanho volume.

Apesar de tanta poluição a natureza é forte, resistente e sempre nos surpreende. Avistamos, na parte ainda clara do encontro dos rios, peixes de variados tamanhos, filhotes que se uniam em grupos enormes e que pareciam estar se protegendo de predadores maiores, lambaris que se alimentavam do lodo do fundo ainda nas águas do ribeirão Santo Antônio e peixes maiores que borbulhavam a água a cada movimentação mais forte de sua cauda, provavelmente se alimentando dos peixes menores. Foi uma cena que nos encheu de alegria por saber que o rio mesmo no atual estado ainda é capaz de sustentar vida.

Agora são anos de descaso com o Meia Ponte. O saneamento básico que deveria ser prioridade em qualquer programa de governo, visto que as doenças de veiculação hídrica causam um grande impacto no sistema de saúde nacional, não são levados em conta. Segundo especialistas da Funasa, para cada R$ 1 investido em saneamento se economiza R$ 4 na saúde por problemas provocados por água e esgoto. Desde 2004 com a inauguração da ETE Dr. Hélio Seixo de Brito não houve mais grandes investimentos para coleta de esgoto e ampliação e melhora na eficiência das ETEs existentes apesar de terem vindo recursos de 2 PACs ( Programa de Aceleração do Crescimento). Recursos da ordem de 1 bilhão segundo a força tarefa da operação Lava Jato.

Resta saber quando teremos mudança da mentalidade do goianiense em relação ao Meia Ponte. Tanto da população como dos políticos. Quando não é possível esconder o problema aparecem vários aproveitadores querendo ganhar mídia com o problema do rio, seja pela falta de água, seja pelos odores desagradáveis. Na hora que se inicia a temporada de chuvas, o volume de água aumenta, o rio cessa a fedentina e tudo parece voltar como era antes. O rio torna-se mais uma vez esquecido.

Assista ao vídeo:

Imagens:

Anúncios

1 Comentário »

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: