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O desperdício das águas provocado pela contaminação por esgotos e a crise hídrica

Uma vez publiquei no blog um artigo cujo título era Cidades desperdiçam sua água ao contaminá-las com esgoto da Malu Ribeiro, do SOS Mata Atlântica. Faço das palavras dela as minhas palavras. Moro em Goiânia, nasci aqui há 37 anos. A época do meu nascimento os córregos e o principal rio da cidade já estavam poluídos. Nos dias de hoje, o nível de poluição de alguns mananciais até diminuiu, do rio principal, o Meia Ponte, não.

Atualmente estamos enfrentando a pior crise hídrica da história de Goiânia. Existe um racionamento velado e, com pouca ou nenhuma chuva, a situação vai se tornando cada vez mais deseperadora. A implantação do sistema produtor de água Mauro Borges demorou bastante e por pouco, caso não fosse finalizado, para pelo menos desafogar a região norte de Goiânia, teríamos tido um caos de proporção gigantesca.

Na época da construção da barragem do ribeirão João Leite foi dito que teríamos água até 2040, previsão baseada no crescimento populacional da cidade dali em diante. Só o tempo dirá se a previsão está correta. Fato parecida se deu na década de 80, quando houve a construção da Estação de Tratamento de Água do Meia Ponte, inaugurada em 1988. O governador naquele período, Iris Rezende Machado, acreditava que o rio abasteceria com tranquilidade a cidade até 2020, 2030.

Não foi bem o que aconteceu. O crescimento acelerado da cidade, o surgimento de monoculturas às margens do rio Meia Ponte, que captam muito de sua água, as indústrias, além de uma estiagem severa castigaram o rio e colocaram em xeque a sua capacidade de abastecer a cidade por muito mais tempo.

Existe uma corrida contra o tempo para que haja a transposição das águas da barragem do João Leite para o rio Meia Ponte e assim se normalize o abastecimento.

Não sabemos o que está acontecendo de verdade, talvez receosos de provocar pânico na população as autoridades minimizam ou omitem as informações mais sérias. Não fazemos ideia se existem recursos para acelerar o processo de transposição. O que nos resta é ficar apenas na expectativa.

Voltando a questão do desperdício das águas dos córregos e rios da cidade, temos em Goiânia um exemplo bem claro, chama-se ribeirão Anicuns, cujas águas estão com altos níveis de contaminação, principalmente por esgotos domésticos. Suas águas de forma alguma podem ser utilizadas para abastecimento público, nem mediante tratamento. Claro que sua vazão não é suficiente para abastecer a mesma quantidade de habitantes que o rio Meia Ponte abastece, cerca de 58% de toda a região metropolitana, mas o ribeirão serviria para desafogar o sistema atual assegurando uma porcentagem menor para abastecimento.

Mas como foi dito no início do texto, faz 37 anos que vim ao mundo e a situação pouco mudou. O ribeirão Anicuns ainda flui rumo a sua foz com suas águas cinzas, de aspecto desagradável e mal cheirosas. Água que poderia ser muito bem aproveitada, mas, em virtude da falta de investimento, de cobrança por parte da população e principalmente a falta de vontade de nossos governantes para mudar a situação, ela segue direto para a lata de lixo.

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