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O Rio Meia Ponte nas proximidades da área de captação.

Fizemos a segunda parte da descida no rio Meia Ponte, dessa vez em região mais próxima da área de captação de água para abastecimento de Goiânia e região metropolitana, pouco abaixo do encontro do ribeirão Capivara. Para quem não leu sobre a primeira descida aqui vai a parte 1. Comparado com o trecho que percorremos na região de Inhumas a situação não é tão diferente, alias, é pior.

O Meia Ponte após a ponte da GO 420 em Brazabrantes, e antes da captação, tem entre os seus afluentes mais importantes o ribeirão Cachoeira e o ribeirão Capivara. Esse último é proveniente de Nerópolis e sua bacia se encontra bem degradada, dentre os principais problemas se observa a retirada de água, assoreamento, pressão de loteamentos e a ausência de mata ciliar em diversos pontos. A situação do ribeirão Cachoeira é um pouco melhor, mas não muito.

O Meia Ponte nesse segundo trecho percorrido parece ter mais água, talvez em virtude de seus afluentes, porém, nada muito animador. Os aguapés que tanto nos atrapalharam na primeira parte da descida surgiram ainda mais fortes e bloquearam nossa passagem por diversos momentos. Foi necessário muito mais esforço para sair do rio carregando o caiaque, seja por causa da lama ou pelo barranco instável, pois, em virtude da baixa extrema do Meia Ponte houveram diversos desbarrancamentos ao longo de suas margens e por conta disso muita lama e sedimentos se depositaram em vários trechos do seu leito.

Nesse pequeno trecho, bem mais frequentado por pessoas, também encontramos muito mais lixo: garrafas PET, isopores, embalagens diversas que em muitos pontos ficavam presas aos aguapés. Pudemos observar que a maior parte desses resíduos são deixados por banhistas e pescadores que montam acampamento e que em muitos casos não levam embora aquilo que geram, deixando para o rio o resultado de sua falta de consciência. Dos muitos pescadores que vimos a reclamação era sempre a mesma, que os peixes haviam sumido. Praticamente todos foram unânimes em dizer que estavam mesmo passando o dia, pois peixe mesmo não havia.

A ausência de mata ciliar é frequente, e para piorar o gado toma conta das margens do rio. A explicação é porque, em época de pasto seco, o capim das margens é bem mais verde por conta da umidade do entorno, atraindo os animais e com isso elevando o pisoteio, o desbarrancamento e a quantidade de fezes  que invariavelmente entram em contato com a água que chega a captação, antes do tratamento.

Também na área a montante da captação verificamos muito entulho e até restos de animais, o que no período chuvoso pode contribuir para que esses resíduos sejam levados ao rio, comprometendo a qualidade de suas águas e gerando custos maiores para o seu tratamento.

Por último quero enfatizar aqui que um rio chega a um estado como esse não apenas por um fator, que muitos atribuem a longa estiagem, mas por diversos deles. O Alto Meia Ponte está morrendo, dá tristeza e pena ver a situação. São muitos anos de destruição desenfreada de suas margens, uso excessivo de sua água, falta de fiscalização e muito descaso. O rio nessa estiagem de 2017, após a captação não existe, ele seca. Toda sua água está sendo usada para matar a sede da população de Goiânia e região metropolitana, se não fosse assim o problema da falta de água para a população seria ainda maior. Por sorte Goiânia ainda conta com uma hidrografia bem favorável, inclusive com as águas do ribeirão João Leite, o que ajuda a devolver um pouco do volume ao Meia Ponte. O problema é que as águas que chegam ao rio são em sua maioria imprestáveis, contaminadas por esgoto e impróprias para consumo mesmo mediante tratamento. O rio se torna um esgoto. Goiânia atualmente conta com um rio que chega e mata a sede da população mas depois de usado é descartado e passa mais de 180 Km do seu percurso com a vida agonizando, até sua recuperação em Rochedo. É uma verdadeira tragédia.

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