Os males da poluição aquática

Os males da poluição aquática

No princípio era apenas uma pequena cidade com uma pequena população. Havia um rio principal e seus afluentes. Seus habitantes acreditavam que o esgoto que lançavam no curso d’água não comprometeria a qualidade de suas águas. De certa forma eles estavam corretos, pois, naquela época, o rio apresentava uma elevada capacidade para se auto depurar, ou seja, ele possuía uma grande vazão para uma pequena quantidade de matéria orgânica proveniente de esgotos. Realizavam-se atividades esportivas, eventos, recreação, etc. A água do rio também era utilizada para regar hortas e abastecer algumas residências.

Com o passar do tempo, a população aumentou, o peso do progresso começou a ser sentido com a chegada das indústrias, laticínios e frigoríficos, entre outros. Não havia nenhum controle quanto aos rejeitos gerados, nem da população, tampouco das indústrias. Não bastou muito para aparecer as primeiras mudanças. A água do rio, que antes era utilizada para consumo, começou a apresentar odor forte, gosto ruim e, quem no rio se banhava ou de sua água bebia, começou a adoecer. Suas águas tornaram-se escuras e impróprias para quaisquer atividades. A quantidade de matéria orgânica e inorgânica tornou-se enorme. Os peixes, na luta pela sobrevivência subiam até a superfície para conseguir o pouco de oxigênio que restava. As algas, antes em quantidade controlada, se esbaldavam com a matéria orgânica que havia no rio aumentando sua quantidade consideravelmente, e estas também consumiam o oxigênio, num processo conhecido como eutrofização.

Pouquíssimas pessoas pareciam se preocupar com agonia daquele célebre personagem que a tantos deu alegria ou matou a sede. Invasores começaram a habitar a margem do rio e retiraram toda sua vegetação. O rio se tornou mais raso, devido à quantidade de terra e areia que descia de seus barrancos, pois já não haviam os vegetais para contê-los. O tempo foi passando e nenhuma ação foi tomada por parte da sociedade e de seus governantes. O oxigênio da água acabou, ou se tornou insuficiente, os seres aeróbicos (que precisam do oxigênio para viverem) não mais existiam, as bactérias anaeróbias (que não necessitam do oxigênio) tornaram-se os seres reinantes do ambiente e passaram a exalar, em escala ainda maior o gás sulfídrico, com seu conhecido odor de “ovo podre”. A população, sem conhecimento da situação, contribuía ainda mais para a degradação do rio, jogando todo tipo de lixo em seu leito, desde plásticos, vidros e garrafas pet, até móveis e outros objetos de grande porte.

Os gastos com a saúde tornaram-se ainda mais elevados, enchentes constantes tornavam o trânsito caótico, destruíam casas, matavam pessoas. Pernilongos tornaram-se pragas incontroláveis. A situação tornou-se tão crítica que formaram-se conselhos para decidir sobre a melhor forma de controlar aquela situação. Eram projetos daqui e dali, que sempre ficavam apenas no papel. Levou muito tempo para perceberem o grande erro que havia sido cometido, muitos anos seriam necessários para recuperar o rio, além da grande quantidade de dinheiro que teria que ser gasto. Somente quando o problema se tornou grave demais, evidente demais é que soluções caras e demasiadamente longas foram tomadas.

Este pequeno texto pode ser aplicado à maioria de nossas cidades. Infelizmente, grande parte delas ainda jogam seus esgotos “in natura” nos cursos d’água, ou utilizam fossas negras para armazenamento de seus resíduos, além de não possuírem programas de Educação Ambiental para sua população que em sua maioria não visualizam os problemas ambientais apesar de serem afetados por eles. Seria muito mais barato investir em saneamento básico, ou seja, na prevenção de certas doenças ligadas à falta de higiene, do que na cura destas, na proteção de áreas de matas ciliares, do que no pagamento de indenizações às famílias que habitam locais de riscos próximos a córregos e rios. Só com um planejamento sério, um trabalho de educação das pessoas e o cumprimento das leis ambientais é que se chegará a um convívio harmônico entre seres humanos e natureza, garantindo um futuro melhor para as próximas gerações.

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