Impermeabilização urbana, um problema que afeta a todos nós

Menos de 10 minutos de chuva provocou um fluxo de água como esse. Foto do acervo pessoal tirada de celular.
Menos de 10 minutos de chuva provocou um fluxo de água como esse.

Seriam as pesadas chuvas que caem nas principais cidades de nosso país o fator primordial para que hajam enchentes? De fato, um olhar superficial verá que sim, porém, com um pouco mais de atenção se observa que não.

Percebam que a medida que as cidades crescem, os problemas das enchentes se agravam. Um dos principais problemas está na impermeabilização provocada pelo asfalto que cobre nossas ruas e avenidas, asfalto esse que carece de tecnologias que permitam a água infiltrar. A área construída pelas residências também tem um peso nessa equação, mas não é tudo. As pessoas, no ímpeto de se livrarem da poeira provocada pela terra nua, acabam por cimentar ou colocar piso sobre toda a área da casa, não deixando um único espaço para infiltração das águas pluviais. O resultado disso fica cada vez mais claro; sem condições de infiltrar no solo, apenas um pouco de chuva já é o suficiente para provocar uma enorme enxurrada que deixa as ruas cheias de água. Quando a chuva é mais forte, mesmo que dure apenas poucos minutos, a quantidade de água sobrecarrega o sistema de drenagem da cidade que não consegue escoar, provocando alagamentos em ruas e avenidas. Esse fluxo intenso e absurdo de água escorre até atingir um córrego ou rio, via escoamento superficial quando o local não é dotado de infraestrutura ou pelas galerias de água pluvial, que na maior parte das vezes são construidas sem  o uso redutores de energia.

Para muitas pessoas, principalmente aquelas que habitam áreas de risco ou estão em locais conhecidos pelas inundações, um céu mais ameaçador já é motivo para preocupação. Além de prejuízos de ordem material, as enchentes ceifam vidas e essa é a sua consequência mais grave. Para os cursos d’água, um escoamento intenso da água para seu leito, provoca o desmoronamento, erosões e assoreamento, criando um círculo vicioso pois, um rio assoreado tem reduzida a sua capacidade de manter a água em seu leito, provocando inundações cada vez mais violentas. Uma maneira criada para, de certa forma amenizar o problema do assoreamento e erosão dos cursos d’água, é a canalização do seu leito, utilizando-se gabiões ou concreto armado, tanto nas laterais quanto no fundo. Nesse artigo do Projeto Manuelzão que publiquei anteriormente no meu blog, o autor explica o porquê dessa prática ser abominável, porém utilizada com uma frequência incrível pelos nossos gestores públicos.

Já existem tecnologias que permitem uma absorção maior do fluxo de água em calçadas próprias para tal finalidade, asfaltos que facilitam a infiltração da água, sistemas de captação da chuva e seu aproveitamento para usos menos nobres da água e a recuperação de fundos de vale da forma mais natural possível. Falta apenas vontade por parte do poder público e da iniciativa privada.

No caso das pessoas, é interessante deixar pelo menos 20% da área da residência para infiltração. Caso não seja possível utilizar gramados ou jardins com área para infiltração, coloque pedras do tipo brita, ou pedras brancas, casca de árvore em espaços da residência. Mas nunca deixe que a residência seja toda impermeabilizada.

Para nós que vivemos em cidades e temos de conviver com essa difícil e dura realidade em dia de chuva, fica uma dica: quanto menos água retornamos para os rios e córregos maiores serão as chances de ganharmos em qualidade de vida. A natureza agradece.

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