Isso está acontecendo em Mato Grosso, será por quê?

Foto: TVCA

Município com racionamento de água devastou 70% das nascentes e olhos d`água

Das seis mil nascentes identificadas em uma pesquisa, quatro mil estão degradadas. Agora a cidade tenta recuperar os mananciais.

O município de Alta Floresta (distante 800 km ao norte da capital Cuiabá), que enfrenta a maior falta d`água nos últimos 26 anos, também passa por outra situação dramática: a degradação das nascentes que abastecem o município. De acordo com a secretária do Meio Ambiente, Irene Duarte, o município, com a ajuda de vários parceiros está fazendo um grande esforço para recuperar essas nascentes. Do contrário o município corre o risco de ficar sem água potável. Hoje, as cabeceiras dos principais córregos urbanos como o Severo e o Taxidermista estão totalmente destruídas. Sem vegetação, expostos ao assoreamente e com as nascentes comprometidas, eles estão quase secos.

O primeiro passo foi catalogar todas as nascentes na região. Foram identificadas seis mil, mas o que assustou foi a condição em que elas foram encontradas. De todas que foram catalogadas, quatro mil estão degradadas. O município que fica encravado no coração da Amazônia Mato-grossense, começa a enfrentar a falta da água tratada aproximadamente 34 anos depois de sua fundação. Aproximadamente 70% das nascentes d`água no município estão degradadas.

“O setor de recursos hídricos aqui precisa de uma gestão forte para evitarmos que a degradação continue e para recuperarmos as nascentes que já foram destruídas”, contou Irene Duarte .

A principal bacia hidrográfica urbana que abastece a cidade, a bacia Mariana, possui 200 nascentes, mas 130 delas estão totalmente degradadas. Todas estão em propriedades rurais particulares. A água já não brota mais do solo como há 10 ou 20 anos atrás, os córregos secaram e a cidade enfrenta racionamento de água tratada. A esperança é a chegada o mais breve possível do período chuvoso.

Pelo que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente apurou, a degração ocorreu devido a retirada total e ilegal da vegetação que protegia essas nascentes. No local surgiram pastagens para o gado e outros animais, o plantio de hortas e outras atividades. Aquelas que foram parcialmente preservadas não estão mais na sua forma original e fornecem pouca água.

Ações para recuperar nascentes

O município trava agora uma luta para tentar recuperar parte dessas seis mil nascentes que foi degradada. A maior dificuldade é a falta de recursos financeiros. Por isso, além de recursos próprios para pesquisa, estudo, replantio da vegetação e todo o trabalho de recuperação que deve durar muitos anos, o município tem buscado parcerias com organizações ambientais.

Um dos parceiros é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que libera dinheiro por intermédio do Fundo Amazônia. O dinheiro financia o projeto Olhos D`água da Amazônia. Hoje, 280 nascentes estão em trabalho de recuperação. O rei Pelé, integrante do Fundo Amazônia, visitou o município no mês passado para conhecer os projetos de recuperação ambiental.

O município colocou em prática um cadastramento ambiental de todos os produtores rurais. Muitos ainda não têm suas propriedades regularizadas e, para legalizá-las, terão que recuperar as nascentes degradadas. Eles contam com ajuda dos projetos da Prefeitura e de Ongs.

O município ajuda produtores que possuem até 50 hectares com arame, lascas de madeira e mão de obra para cercar e isolar as nascentes. Já o plantio da vegetação é responsabilidade do produtor. Parte das sementes utilizadas no projeto são coletadas nas matas da própria região.

Esse trabalho fica mais barato do que a recuperação com mudas. O Ministério Público e o Ibama também são parceiros na recuperação de nascentes. O custo inicial da recuperação de uma nascente, em alguns casos, fica em torno de R$ 600.00.

Com apoio da Universidade da Inglaterra o município está fazendo uma pesquisa para entender toda a dinâmica hídrica da região. O objetivo é identificar a potencialidade de cada nascente de água, quando elas estarão totalmente restabelecidas e quais não terão mais uma recuperação plena.

Outra parceira do município é a Fundação Latino Americana, que paga uma quantia em dineiro a pequenos produtores, donos de até 10 hectares, por serviços ambientais. Esse projeto é experimental e tem como objetivo remunerar o proprietário em troca da proteção do meio ambiente.

“Se apenas exigirmos do pequeno produtor rural que não tem qualquer outra fonte de renda, a preservação ambiental total da sua área, podemos resolver a questão ambiental, mas criar outro problema, o social. Por isso esse projeto tem como base a remuneração em troca da conservação”, disse Irene Duarte. Esses proprietários de terra viram produtores de água. Eles recuperam e protegem suas nascentes, e recebem por isso. Esse projeto tem origem em Nova York (EUA – Águas de Nova York), e no Brasil também já foi implantado em alguns municípios de Minas Gerais.

Segundo a secretária de meio ambiente de Alta Floresta, todas as nascentes catalogadas são recuperáveis. “O lençol freático ainda não foi afetado. Está num nível muito bom e é abundante na região. É só a gente cuidar do local, replantar a vegetação que a nascente volta a jorrar. Mas os cientistas alertaram que precisamos fazer uma intervenção urgente”, disse Irene.

Os produtores rurais do município correm contra o tempo. Muitos deles já foram multados por causa de crimes ambientais. “Em várias propriedades a vegetação foi retirada por máqunias, que chegaram na beira d`água, retirando totalmente a vegetação que protege os cursos d`água. Todas as áreas com passivo ambiental precisam ser recuperadas enquanto o MT Legal estiver em vigor. O programa do Governo de Mato Grosso foi criado para evitar a criminalização do produtor rural, mas com o compromisso de recuperar todas as áreas degradadas.

“Quando vencer o prazo determinado pelo MT Legal, quem não cumprir com a obrigação vai ter problemas com os órgãos ambientais e serão multados”, alerta a secretária de meio ambiente de Alta Floresta.

Fonte: TVCA

Obs do blog.: Este problema em questão está acontecendo em vários municípios brasileiros, no caso do estado de  Mato Grosso, além da notícia se referir a uma cidade de lá, é também o fato de ser um dos estados com a destruição mais acelerada de suas florestas e matas por conta da agricultura e pecuária.

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Um comentário em “Isso está acontecendo em Mato Grosso, será por quê?

  1. Essa devastação, foi culpa da ignorância dos proprietários rurais e dos Governos, que não orientaram os produtores e muito menos exigiram a preservação dos mananciais, incentivando até o desmatamento total, para produção agropecuária, produtos que geram impostos.
    Agora que a situação está quase que irrecuperável com as consequência de falta de água é que estão abrindo os olhos com os alertas dos orgãos ambientais, que também tem sua parcela de culpa, por não ter agido antes.

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