Desertificação já atinge 7 estados brasileiros

Foto: Mastino70

São muitos os fatores que levam ao processo de desertificação, o fato não é novo, mas estamos acelerando esse processo a níveis cada vez mais preocupantes.  Acompanhe notícia abaixo.
Iraçuba (CE):
Desertificação já atinge 7 estados e 30 milhões de pessoas

Liana Melo
28-Nov-2009
O Globo

Além do Nordeste, problema afeta áreas em Minas e Rio Grande do Sul, o que significa 15% do território do país

IRAUÇUBA (CE). Sete estados e 1.482 localidades espalhadas pelo Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul entraram na rota da desertificação. A maioria destes locais vive em situação de pobreza ou miséria.

Identificado como um processo circunscrito ao semiárido, a desertificação rompeu fronteiras e atingiu municípios gaúchos e mineiros. A população afetada já chega a 30 milhões de pessoas, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Um total de 1,3 milhão de km2 do território nacional já estão afetados, o que significa 15% do país.

O prenúncio de chuva, ainda que esparsa, é o suficiente para que o sertanejo Genivaldo Pereira, de 78 anos, faça uma oração agradecendo as poucas gotas que caem do céu, em Irauçuba. Ele vive da agricultura de subsistência e nunca teve carteira assinada.

Quatro estados lideram os maiores índices no Brasil A desertificação não é um flagelo moderno. A novidade é que o avanço deste processo sinaliza uma ameaça global. A cada minuto, 12 hectares de terra viram deserto no mundo, segundo a ONU. O avanço do processo de desertificação no Brasil e no mundo será um dos assuntos da Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-15), que ocorrerá em Copenhague, na Dinamarca, na primeira semana de dezembro. O Brasil vai chegar ao encontro com uma proposta ousada.

Irauçuba (Ceará) divide com Seridó (Paraíba), Gilbués (Piauí) e Cabrobó (Pernambuco) o título de municípios mais desertificados do país.

Segundo diagnóstico do Ministério do Meio Ambiente, as áreas mais atingidas pela desertificação ainda estão concentradas no Nordeste, num perímetro de 180 mil km2.

— Em uma região economicamente frágil como o semiárido nordestino, a redução da produção agrícola e a falta de trabalho podem desencadear ondas migratórias — avalia Alisson Barbieri, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e um dos autores do relatório “Mudanças Climáticas, Migratórias e Saúde: Cenários para o Nordeste brasileiro 2000-2050”.

Cruzando os cenários de mudanças climáticas com o processo de desertificação, o estudo concluiu que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços) do Nordeste pode deixar de crescer 11,4%. Isto sem falar no encolhimento das áreas agricultáveis. Cálculos preliminares dão conta de que no Ceará a redução pode chegar a 79,6%. Em outros, como no Piauí, pode chegar a 70,1%, na Paraíba, 66,6% e em Pernambuco, 64,9%.

Minc está angariando apoios internacionais O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, passou os últimos dias angariando apoios para a ideia de incluir o combate à desertificação como uma das ações de enfrentamento do aquecimento global. Países como Inglaterra e Noruega já concordaram em apoiar a proposta brasileira.

— Estou defendendo que as ações de recuperação de áreas degradadas, como os núcleos desertificados, entrem no Mercado de Crédito de Carbono — explica Minc, que apresentou a proposta em Buenos Aires, em setembro, quando ocorreu a COP-9 da desertificação.

Fonte: O Globo/Noticias Socioambientais – ISA

Dica do Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

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