Um texto muito interessante que merece ser divulgado

Córrego entubado, só faltou a tampa

 

Um problema que acontece muito em cidades que ocuparam os espaços por onde corriam as águas de córregos, por mais que a sociedade já esteja mais sensibilizada em relação ao problema, ele ainda continua com força total, o texto abaixo serve para reflexão. Aqui deixo também meus parabéns ao autor José Contreras Castilho.

 

CEMITÉRIO DE RIOS

O que é uma planta hidrográfica?

É um mapa de todos os córregos, rios e lagos de uma região.

Olhando uma planta hidrográfica da Cidade de São Bernardo do Campo, da década de 1960, pude observar que embaixo do asfalto de muitas ruas da cidade encontram-se rios mortos. Isso mesmo, não só São Bernardo, como outras cidades, viraram cemitérios de rios.  Sob a avenida Kennedy temos entubado o córrego Borda do Campo, que viu a cidade nascer às suas margens. O último trechinho que corria a céu aberto, que ia da avenida Senador Vergueiro até o ribeirão dos Meninos, justamente onde fundou-se a Fazenda São Bernardo, que originou a cidade, foi entubado recentemente afim de atender o Hiper Mercado Carrefour. O ribeirão dos Meninos que viu prosperar em suas margens, dezenas de fábricas de móveis, foi assassinado (entubado) afim de que sobre ele pudesse trafegar várias linhas de ônibus. O restante desse córrego que corre a céu aberto e que faz a divisa de São Bernardo e Santo André, sabe-se lá até quando sobreviverá ao chamado progresso(???). Num passado não muito distante, crianças, filhos de imigrantes italianos, pescavam camarão no córrego Palmeiras que morreu se transformando na rua João Firmino, no bairro Assunção. Toda á água de chuva que caia onde se situa a Praça Giovanne Breda, transbordava o córrego Palmeiras, indo desaguar no centro da cidade. Dessa praça descia a água que era recebida também, pelo córrego Jurubatuba – que transformou-se na rua Robert Kennedy, indo desaguar no ribeirão dos Couros, no centro do bairro Piraporinha. Como podemos observar, as águas das chuvas fluíam para o centro de São Bernardo, passando por onde construiu-se o Paço Municipal, como era o caso do córrego Saracantan e do córrego Santa Terezinha que morreu e deu lugar a avenida Prestes Maia. Não podemos esquecer também do córrego da Água Mineral que nascia ao lado do Baetão. Pior do que matar esses rios foi transforma-los em coletores de esgotos. Pior,  ainda, foi estrangular o ribeirão dos Meninos e querer que a água de todos os seus afluentes consigam correr em seu leito que está entubado. Ledo engano achar que um ou outro prefeito irá da noite para o dia reverter esse quadro caótico da ação perniciosa do homem sobre a natureza. Enquanto isso fico matando a saudade de ter nadado no tanque das Mulatas, que morreu soterrado e que ficava próximo aos Três Postos, na avenida Senador Vergueiro.

José Contreras Castilho

Ambientalista e saudosista

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