A privatização de um córrego – Córrego Guanabara

A história é sempre a mesma, o homem chega de mansinho, numa área verde, com um córrego ao fundo, se estabelece e chama sua morada de chácara. Ao longo dos anos, na maioria dos casos,  começa a se desarmonizar com a área. Desrepeita as leis, desrepeita a si mesmo e a outros cidadãos. O exemplo abaixo mostra um crime contra um manancial que pede socorro. O córrego guanabara, no bairro de mesmo nome, foi espremido pelas construções e hoje em dia não se sabe que lá existe um córrego, a não ser pelas pontes por sob onde ele passa nas ruas e avenidas que o cortam.  Invertem-se, como sempre, os valores, o córrego se torna um invasor, um veículo de doenças, mosquitos, lixo, que não tem pra onde correr,  tomado pela urbanização. Na verdade os invasores são aqueles que usurparam as árvores, sequestraram seu espaço e hoje reivindicam do poder público a extirpação daquele mal que os incomoda.  O poder público, apoiado até mesmo pela população ribeirinha,  canaliza o córrego, selando de vez num túmulo de cimento um personagem que assistiu sua morte, passivo a tudo pois, como todos sabemos, ele não fala, mas se falasse, com certeza expressaria em palavras sua profunda mágoa.

Espremeram o córrego num espaço mínimo
Milagres da engenharia, até quando?
"Se todo mundo faz, por que eu não posso fazer?"
Porque não basta apenas cimentar os lados, deve-se cimentar o fundo também!

Vejamos o que diz o código florestal nesse caso:

Art. 2º – Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja:
1 – de 30 m (trinta metros) para os cursos d’água de menos de 10 m (dez metros) de largura;

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