Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Parece até receita de bolo, mas o que esta escrito na matéria abaixo acontece da mesma forma em qualquer cidade que você for desse imenso Brasil, são vários os responsáveis pela mesma bagunça, até mesmo a população é culpada pois nas cidades se não existissem compradores de contruções em locais de proteção permanente não existira demanda e consequentemente o mercado imobiliário pensaria bastante antes de construir nessas áreas. Abram os olhos.

REPRESA DA SABESP SP

Ministério Público vai apurar responsabilidades da enchente na bacia hidrográfica do rio Cotia (SP)

Por Prof. Jarmuth do Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

Lição não aprendida

“Na noite da segunda-feira, durante um temporal, seis bairros da cidade de Cotia submergiram – três ficaram completamente isolados – e o Morro do Macaco deslizou, colocando vidas em risco.”

Tão repetitivas quanto as cenas da enchente que atingiu as cidades de Cotia, Barueri e Carapicuíba, na zona oeste da região metropolitana de São Paulo, na terça-feira, são as razões que levaram centenas de pessoas a, mais uma vez, perderem na lama tudo o que tinham na vida. Muda apenas o cenário, mas a falta de planejamento urbano, de política habitacional, de fiscalização e a negligência em preservar as áreas de mananciais são falhas comuns da administração da maior parte dos municípios da Grande São Paulo. Prevalece o crescimento desenfreado, para prejuízo da população.

Na noite da segunda-feira, durante um temporal, seis bairros da cidade de Cotia submergiram – três ficaram completamente isolados – e o Morro do Macaco deslizou, colocando vidas em risco. Assoreado, o Rio Cotia subiu mais de dois metros e, junto com seus afluentes, invadiu ruas e casas em Carapicuíba e Barueri. As áreas atingidas, segundo informações das autoridades dos três municípios, são de preservação permanente e as moradias existentes são irregulares.

Os proprietários, no entanto, têm as escrituras dos imóveis construídos há anos e os carnês quitados do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que recebem em casa. Se aquelas são zonas de preservação e áreas de risco, a prefeitura e o governo estadual deveriam ter agido há décadas para evitar a ocupação do local.

Na Bacia Hidrográfica do Rio Cotia, que compreende 9 municípios, há 2 sistemas, que abastecem de água mais de 500 mil pessoas.

Entre os dois sistemas, no entanto, fica a Rodovia Raposo Tavares, eixo que, nos últimos anos, induziu um processo de urbanização e industrialização desordenado, sem que tenha sido tomada nenhuma medida de proteção da bacia.

A contaminação das águas ameaça o abastecimento da população local e o assoreamento do Rio Cotia é provocado pela ocupação irregular e pela movimentação intensa de terra para a construção de novos empreendimentos imobiliários, quase sempre apresentados aos potenciais compradores como se estivessem localizados em meio à “natureza intocada”. A prefeitura de Cotia informou que o transbordamento do rio se intensificou no último ano por causa do estreitamento do leito, provocado por aterros ilegais.

No início do ano, após uma sequência de inundações em Cotia, o Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee) anunciou que desassorearia o Rio Cotia. O prefeito Carlão Camargo afirmou que complementaria o trabalho do Daee com um projeto de despoluição do rio e determinou às Secretarias de Obras e do Meio Ambiente que encontrassem soluções definitivas para as enchentes que atingem grande parte do município.

Como sempre, a burocracia emperrou os processos e o governo estadual só autorizou as obras de desassoreamento no último dia 20. Resultado: as condições do rio pioraram tanto durante esse tempo de espera que a Estrada do Morro Grande tem ficado permanentemente sob as águas, chova ou faça sol, impedindo o acesso dos 2,5 mil moradores da Reserva do Morro Grande ao centro de Cotia.

É uma sequência de irregularidades. Afinal, não deveria haver moradores numa área de preservação, que já foi tombada pelo Condephaat, que considerou o conjunto de fauna, flora e mananciais de inestimável valor para o Estado. A reserva corresponde a um terço do território de Cotia e sua preservação é essencial para a manutenção da qualidade dos mananciais ali existentes.

Portanto, bem faz o Ministério Público estadual, que abriu procedimento para apurar as responsabilidades pelos efeitos da enchente de terça-feira. O promotor de Justiça de Barueri, Marcos Mendes Lyra, pretende identificar, entre outros pontos, obras irregulares que possam ter contribuído para a inundação. Bom seria se as autoridades dos municípios da Grande São Paulo se convencessem da necessidade de frear o boom imobiliário que ameaça várias regiões e de fazer um planejamento urbano sério, que ordene o crescimento e evite prejuízos à população e ao meio ambiente.

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