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Diga não a canalização IV – Córregos de Ourinhos – SP

Diga não a insanidade humana! Canalização é loucura, merece internação para quem realiza uma depredação dessa contra a natureza. A leitora do blog, Viviane Silvestre, deixou um comentário  com seu relato sobre o que a prefeitura de Ourinhos – SP está fazendo para com os córregos daquela cidade. Estou postando abaixo um vídeo super bem feito e explicativo de como agem esses vândalos que se escondem sob a imagem de autoridades. Obrigado pelo link do vídeo no comentário Viviane, saiba que você não está sozinha nessa luta e que um dia seremos ouvidos! Vale a pena assistir o vídeo até o fim. E lembrem-se: evite impermeabilizar totalmente sua calçada e seu quintal, a natureza agradece!

Sugestão da casa – Projeto Águas da Memória

Você conhece a história dos rios e córregos de sua cidade? Não? Um projeto da cidade de São Carlos – SP, chamado Águas da Mémoria se propõe a resgatar um pouco da história dos cursos d’água dessa cidade. Um belo projeto que faz as pessoas refletirem um pouco, afinal de contas, será possível existir urbanização sem destruição?

Um pouco mais sobre o projeto

Não seria exagero apelidar São Carlos de cidade das águas, já que seu território é virtualmente atravessado por dezenas de cursos de água, entre rios, ribeirões e córregos. Contudo, a paisagem que se apresenta ao habitante ou visitante mais atento nada transmite do frescor que sua condição hidrográfica privilegiada evoca. Ao contrário, as águas de São Carlos, que outrora brotavam generosamente de fontes, bicas e chafarizes e corriam morro abaixo para os fundos dos vales, sumiram de vista e, junto com elas, secaram a paisagem e o tempo. Forçadas a percursos subterrâneos, das ¨malditas¨ lembramos apenas nas enchentes seguidas aos temporais que se abatem sobre a cidade, quando engrossadas pelas chuvas e pelo lixo que recolhem em sua corrida furiosa, arrebentam dos bueiros e dos leitos cimentados. Leia Mais

Entre Rios, um brilhante trabalho!

Resumo:  Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade para. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem, mas quando o transito pára nas marginais podemos apreciar seu fedor. É triste mas a cidade está viva e ainda pode mudar!

Meu comentário: Adorei esse curta. Essa é uma realidade presente na maioria das capitais brasilerias, geralmente é mais fácil esconder o problema do que tratá-lo.  Nesse caso, tenta se resolver também o problema do trânsito, pois, nas grandes cidades o trânsito é prioritário. A questão é que os noticiários, na época das chuvas, nos mostram o caos gerado com as inundações, pois a impermeabilização e o confinamento do córrego a uma camisa de força(canalização), o torna violento no período das chuvas, gerando transtornos imensos à população.

 

Pescaria de Merda (Fishing Up Shit)

hehehe, esse pessoal ai é mais doido que eu! Eles estão de parabéns pelo trabalho realizado! Olha o estado que somos capazes deixar a água de um rio, imagina se não houvessem máquinas trabalhando para retirar todos esses resíduos? Assista, vale a pena!

 

Estão dizendo por ai que a mancha de poluição no Tietê anda diminuindo…

setembro 22, 2010 2 comentários

40 Km em 8 anos chega a ser ridículo para um rio com mais de mil Km de extensão. De qualquer forma é melhor do que 8 Km em 40 anos!! A expedição do flutuador pelo rio Tietê, mostrou que ainda falta muito para o rio melhorar. Se os corruptos deixassem de superfaturar as obras de saneamento, talvez o processo corresse mais rapidamente.

Mancha de poluição no Tietê diminui 40 km em 8 anos
Governo não contabiliza mancha total de poluição, pois acredita ser mais fácil calcular as partes que passaram a ficar limpas

Fonte: Agência Estado

A mancha de poluição no Rio Tietê regrediu aproximadamente 40 quilômetros entre 2000 e 2008, período no qual foi realizada a segunda etapa de despoluição. Na primeira etapa, que compreendeu os anos de 1992 e 1998, a redução foi maior, de 120 km.

O projeto de despoluição do Tietê terá quatro fases. A terceira já tem aporte de US$ 600 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Nós vamos dar ordem de serviço para parte do dinheiro em novembro”, disse a secretária de Energia e Saneamento, Dilma Pena.

A terceira fase do programa de despoluição prevê uma ampliação dos índices de coleta e tratamento de esgoto e também uma melhoria da qualidade nos corpos d’água da Grande São Paulo. Ao todo, 4,5 milhões de pessoas serão beneficiadas. A duração total dessa nova fase do programa é de seis anos. Hoje, no Dia do Tietê, artistas e ambientalistas farão instalações nas margens do rio para protestar contra a poluição e apontar possíveis usos das regiões próximas do curso d’água.

Área afetada
A extensão do Tietê é de 1,1 mil quilômetros. A secretaria não contabiliza qual é a mancha total de poluição, pois diz ser mais fácil contabilizar as partes que passaram a ficar limpas. A secretária não trabalha com um prazo para que o rio fique totalmente limpo, mas diz que se o despejo de esgoto puro no leito for interrompido até 2020 “será um grande avanço”. A Secretaria de Energia e Saneamento planeja recuperar no mínimo 50 metros de margem do Rio Tietê. “Em algumas áreas, esse espaço para a recuperação pode ser maior. Depende da possibilidade de desocupação”, disse Dilma Pena

E o ciclo se repete, até quando? Ou é para sempre?

Foto: Marian Primi Haas

A INVASÃO DAS VÁRZEAS DOS RIOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

A várzea pertence ao rio

Publicado por http://www.aguaonline.com.br/

Poucas vezes tem-se visto na grande imprensa uma matéria tão oportuna e analítica como a publicada no jornal o Estado de São Paulo e elaborada pelo jornalista Ivan Marsiglia.

Bem a propósito da comemoração, em 02 de fevereiro, do Dia Mundial das Áreas Úmidas. Fugindo da clássica abordagem da culpa da chuva e do rio que invade casas a matéria mergulha nos meandros do processo de urbanização da cidade de São Paulo e que se reproduziu às centenas pelo Brasil afora. E que continua a servir de espelho (errado) a outras centenas de municípios pequenos que um dia sonham em se tornar grandes.

Ela vai aqui reproduzida como uma homenagem à lucidez e clareza da entrevistada e argúcia do repórter que soube trazer à tona as causas subjacentes para o caos urbano que vem se instalando nas cidades brasileiras nestes tempos de mudançcas climáticas.

“Pé d’água, mesmo, não foi. Mas uma chuva compacta e homogênea, a mais volumosa em dois anos, caindo sobre quase toda a cidade de São Paulo durante 24 horas. E a maior metrópole brasileira amanheceu parada e submersa. Foram registrados 105 pontos de alagamento, entre eles as marginais dos Rios Pinheiros e Tietê. E seis pessoas morreram em deslizamentos de terra – no caso mais grave, em Santana de Parnaíba, quatro irmãos de uma mesma família, três deles, crianças.

A tragédia deixou “constrangida e indignada, mas não surpresa” a geógrafa paulistana Odette Carvalho de Lima Seabra. Autora de Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder: O Processo de Valorização dos Rios e das Várzeas do Tietê e do Pinheiros, apresentado como tese de doutorado na USP em 1987, a professora considera corretas as medidas tomadas nos últimos anos para mitigar as enchentes. Mas o sistema já está próximo de seu limite. Odette diz que as políticas públicas destinadas às várzeas dos Rios Pinheiros e Tietê tiveram um protagonista privado: a São Paulo Tramway, Light and Power Company – empresa de capital canadense que energizou o processo de urbanização brasileiro nas décadas de 30, 40 e 50. Afirma que as várzeas onde o governo do Estado assenta obras de ampliação das marginais são parte integrante dos rios – que as requisitam de volta, nas enchentes. E aponta que a solução definitiva passa por mudanças profundas no modo de vida na cidade.

As cenas de inundação na terça-feira surpreenderam a senhora?

Fiquei, como todo o mundo, constrangida e indignada. É insuportável saber que somos obrigados a viver essas tragédias ano após ano. Mas não posso dizer que as imagens me surpreenderam. As medidas que vêm sendo tomadas desde 1999 são corretas. Mas ocorre que a capacidade do Tietê está no limite. A interligação de bacias necessária ao abastecimento de São Paulo faz com que, por exemplo, 33 metros cúbicos por segundo da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba caiam aqui.

O solo impermeável da cidade é uma das causas das enchentes?

Também. As chuvas, a cada ano, são mais torrenciais. Há dados mostrando isso. Temos um volume aumentado de água na rede, impermeabilização crescente do solo e ocupação desordenada do rebordo externo da bacia. Eu me refiro à zona leste de São Paulo, à vertente sul da Cantareira, essa porção de colinas, onde têm ocorrido desastres. O solo, lá, é de rigolito, fixo apenas pela vegetação. Com o desmatamento, ainda que seja uma simples abertura entre as casas, tudo fica sujeito a deslizamentos. Além disso, por gravidade, os detritos chegam à calha do rio. Por isso o Tietê tem um trabalho de desassoreamento que não pode parar.

É difícil imaginar Paris sem o Sena, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio. Que falta faz um rio a uma grande cidade?

O rio é uma referência de lugar e de espaço, integra a identidade de um povo. Quando ele está perdido, como no nosso caso, é uma ausência importante. Vi um documentário que mostrava como os brasileiros voltaram as costas para os rios. Há quem cruze o Tietê quatro vezes ao dia sem se dar conta.

Seu doutorado mostra como as estratégias de ocupação das margens do Tietê e do Pinheiros foram definidas a partir dos interesses da Light. Como isso se deu?

Esse é o rescaldo negativo do imperialismo das grandes empresas nos países subdesenvolvidos. A Light, da qual hoje pouco se fala, provocou uma grande mobilização no Brasil das décadas de 30, 40 e 50. A companhia era uma espécie de polvo, atuando em diferentes esferas. Foi tão importante na história de São Paulo que passou a integrar o imaginário. Aparecia na música, na poesia, na retórica popular. Havia até uma expressão: “E eu com a Light?”

A proximidade das pistas do leito dos rios nas marginais é muito criticada por urbanistas. Por que elas foram parar lá?

Nos anos 60, com o Plano de Metas, foi preciso abrir espaço para circularem os automóveis. Tem início outro padrão e modo de vida. O Estado planejou as marginais e pressionou a Light: “Agora, vamos intervir, porque é preciso modernizar a estrutura de transporte do País”. Veja que, até então, em São Paulo andava-se de carroça, bonde ou barco – cerca de 500 deles transitavam no Tietê. Com a entrada da indústria automobilística, o transporte por rio desaparece e o ferroviário entra em declínio. Os bondes saíram de circulação não porque as pessoas não mais os quisessem, mas porque outra opção de transporte foi imposta goela abaixo.

É por isso que senhora diz que “os enigmas do funcionamento da Bacia do Alto Tietê traduzem o modus operandi da modernização geral da sociedade”?

Se a gente tem noção da história, fica ingênuo discutir quem fez as marginais e foi responsável por esses equívocos. Mas, com o partido rodoviário sendo adotado como modalidade de transporte nacional, a sequência só poderia ter sido essa. No caso da Light, é preciso levar em conta também que éramos uma República nova, sem conhecimento de estruturas jurídicas, com uma sociedade pouco aparelhada para negociar com o trust. Não que, por princípio, as pessoas fossem boas ou más. É um processo.

Os moradores mais antigos da cidade têm a memória de um Tietê onde se nadava, praticava remo. Como se transformou em uma “cloaca a céu aberto”, como a senhora diz?

Em minha tese, entrevistei um ex-barqueiro, de 96 anos, que passou a vida recolhendo areia do fundo do Tietê para vender. Ele me contou que, em 1935, já não podia mais beber a água do rio, e a levava de casa. Perguntei por quê. “Desde que a Nitroquímica se estabeleceu em São Miguel os peixes começaram a morrer e a gente não podia mais beber a água.” Ainda na década de 20, quando a Light obteve o monopólio do Rio Pinheiros, as autoridades decidiram deslocar os barqueiros para o Tietê. Houve processos na Justiça e, num deles, um barqueiro questiona: “Já não dá para tirar areia entre a Ponte Pequena e a foz do Rio Pinheiros, porque o fundo do rio é lodo e esgoto”. A contaminação é um processo que vem com a urbanização. Seus efeitos deveriam ter sido domesticados ao longo do tempo, mas ela foi avassaladora e não pudemos raciocinar sobre os problemas que a industrialização trazia.

Dezenas de projetos de ampliação do leito e embelezamento das margens foram realizados em São Paulo, sem que os rios fossem de fato recuperados – como ocorreu com o Tâmisa, em Londres. Por quê?

Primeiro, a gente continua poluindo o Tietê. A poluição industrial foi controlada, mas a doméstica, não. Há um problema de infraestrutura difícil de enfrentar. É muito caro fazer interligação de esgotos. Às vezes, os espíritos românticos maquiam as margens, produzem discursos… Mas a solução ainda está distante.

Ambientalistas dizem que “o carro é o novo cigarro”, um símbolo anacrônico de status, a ser banido.

Seria bom mesmo. Mas como agir numa sociedade desse tamanho, com milhões de pessoas circulando para cima e para baixo? Uma pesquisa que fizemos em Parelheiros, no extremo sul da cidade, mostrou que existe gente nascida lá, que já é adulta e nunca saiu da região. Não conhece nem o centro. Chamo isso de confinamento dos pobres. Com tantas carências, como arcar com o custo social de liberar as várzeas?

Fonte: Aguonline – jornalista Cecy Oliveira/Site Tratamento de Água

Publicado também no Blog do SOS Rios do Brasil

Modelo antiquado de drenagem das águas provoca enchentes em São Paulo, diz especialista da USP

Foto: Milton Jung CBNSP

As enchentes na cidade de São Paulo, ocorridas nos meses de maior quantidade de chuvas, são resultado de um modelo antiquado de drenagem das águas, de urbanização e de ocupação inadequadas das várzeas dos rios. A opinião é de dois especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Segundo o arquiteto e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Pellegrino, a cidade está insistindo na utilização de um modelo de concentração e transferência de águas muito concentrador e acelerador, o que impossibilita a infiltração no solo. “Você cria uma situação de concentrar o fluxo das águas das chuvas e quer conduzir toda essa água por superfícies impermeáveis até um ponto final. Quando chega lá embaixo, é um dilúvio. Esse é o modelo antigo, que você tinha no século passado”, afirmou.

De acordo com Pelllegrino, outras cidades do mundo já estão agindo no sentido de trazer os córregos para o seu leito original e refazer as áreas naturais ou verdes a fim de facilitar o escoamento e a absorção da água pelo solo. “Juntamente com o propósito de você ir reduzindo a quantidade de água que corre rapidamente para o fundo do vale”, analisou.

O arquiteto e urbanista do Instituto Polis, Kazuo Nakano, explica que o problema está centrado no modelo de urbanização e ocupação inadequados das várzeas dos rios. “O Tietê, o Pinheiros e o Tamanduatei eram rios de meandro (com curvas acentuadas). A gente pegou um rio que era todo curvilíneo, canalizou em uma linha reta. Transformou um rio de meandro em um canal, e urbanizou as margens desse rio”, disse.

Com o modelo aplicado, as águas das chuvas passam a escoar pelos rios com maior velocidade, o que não possibilita a absorção pelo solo. “A gente acelerou a velocidade dessas águas. Quando chove, a água escorre muito rápido por esses canais e, como está tudo impermeabilizado, a terra não absorve. E aí inunda”, afirmou.

A solução apontada pelo urbanista é corrigir gradativamente a ocupação das proximidades dos rios e liberar espaço para o solo absorver as águas. “A gente vai ter que ir reformulando o jeito de ocupar as margens desses rios e córregos, lugar por lugar, onde der para implantar um parque linear, onde der para a gente liberar o solo para fazer ele respirar, para fazer ele entrar no círculo das águas das chuvas. Essa vai ser a nossa única solução no longo prazo”.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências de SP (CGE), na terça-feira (8), choveu 75,8 milímetros (mm) em média na cidade, o equivalente a 37,7% da média prevista para dezembro, que é de 201,0mm. Decorridos apenas oito dias do início do mês, São Paulo já registrava um acumulado médio de 143,1mm, que reflete em 71,2% da média para o mês.

Desde a fundação do CGE, em 1999, o maior volume de chuvas foi registrado em 24 de maio de 2005, com 76,2mm. O índice desta terça-feira (8) passa a ser o segundo maior nos últimos 10 anos.

O governador do estado, José Serra, reafirmou nesta quarta-feira (9) que houve falhas no sistema de drenagem da Usina de Traição, que regula a vazão das águas do Rio Pinheiros. “O equipamento não funcionou quando foi acionado. Mas mesmo que tivesse, sem dúvida haveria enchentes por causa do grande volume das chuvas”. (Fonte: Agência Brasil)

Dica do Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

TERRAPLANAGEM E EROSÃO NAS PERIFERIAS LEVAM 3 MILHÕES DE M3 DE TERRA POR ANO AO RIO TIETÊ, EM SP.

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250 mil caminhões de terra sufocam rio Tietê

Adensamento das regiões próximas às cabeceiras e margens preocupa

BRUNO PAES MANSO
ESTADÃO.COM.BR

Entre as 1.600 favelas da capital, 600 estão perto de leitos d”água ou de encostas. Dos 870 loteamentos de baixa renda na cidade, 217 estão na beira de córregos ou em avenidas de fundo de vale, próximas aos rios. Se o alargamento do calha do Tietê e a construção dos piscinões aparecem como soluções consensuais antienchentes, o adensamento das regiões próximas às cabeceiras e beiras de rios ameaça pôr tudo a perder.

A expansão permanente da mancha urbana da Grande São Paulo, cuja área em 1960 era de 874 km², chegando a 2,2 mil km² nos dias de hoje, contribui para aumentar a impermeabilização do solo e o assoreamento dos rios. Além de ameaçar a vida dos moradores das encostas – só na capital, existem 562 pontos de risco. O geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor da Divisão de Geologia do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), calcula que a terraplenagem e a erosão nas periferias são responsáveis por despejar anualmente mais de 3 milhões de m³ de terra nos rios da Grande São Paulo, o que corresponde a 250 mil caminhões. O destino final é o Tietê. “Barrar a expansão da mancha urbana deveria ser o foco principal de um plano de combate a enchentes.”

O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ubirajara Tannuri Felix, não confirma os dados sobre o volume de detritos despejados na Bacia. Mas afirma que, no ano passado, foram retirados 400 mil m³ de detritos do Tietê, mais de 30 mil caminhões, trabalho que custou R$ 27 milhões ao Estado. “Acredito que a solução hidráulica está bem encaminhada. O principal esforço agora é para proteger as regiões da nascente do rio, que ainda não foram ocupadas”, diz.

Para evitar que o Rio Tietê não inunde a região mais adensada da cidade, entre Guarulhos e Osasco, a vazão do Tietê não pode estar acima de 500 m³ por segundo quando chega à Barragem da Penha, em Guarulhos. É o que pode ocorrer caso as matas de Suzano, Poá, Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim, Itaquaquecetuba e Salesópolis sejam ocupadas e impermeabilizadas.

O governo de São Paulo promete investir R$ 1,7 bilhão no maior parque linear do mundo, com 75 km de extensão, área de 107 km² e uma ciclovia de 230 km, com a finalidade de proteger a várzea do Tietê entre Guarulhos e Salesópolis, para evitar a ocupação da região. “Caso contrário, só vão restar piscinões como alternativa para conter a chegada das águas dos afluentes do Tietê”, alerta o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, do Instituto de Engenharia.

Se a criação do parque agrada a ambientalistas, muitos acreditam que a medida não é suficiente. “Existe uma ampla região vulnerável além da várzea e que não está sendo contemplada. Um cinturão verde deveria ser criado nessa região com medidas ousadas para proteger as florestas, como pagamento a proprietários que preservarem seus terrenos”, sugere Maria Luísa Ribeiro, coordenadora de Recursos Hídricos do SOS Mata Atlântica.

Créditos também ao Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

Assembléia Legislativa aprova Lei do Cerrado para o estado de São Paulo

Tudo bem, sei que a notícia não é nova, mas e dai? Se cada estado seguir o exemplo de São Paulo, com certeza freiaremos o ritmo alucinado de destruição do Cerrado. São leis assim que dá gosto de ver pois, o código florestal é frouxo, a exemplo do que mostrei em um post, e a constituição não dá a mínima para o Cerrado. Antes tarde do que nunca. A noticia?  Sim, está logo abaixo:

A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo acaba de aprovar a Lei de Proteção ao Cerrado. É a primeira vez que um Estado da nação cria uma lei específica para este tipo de bioma. Com isso, o estado de São Paulo passa a ter critérios mais severos que o próprio Código Florestal Brasileiro no que diz respeito à utilização e preservação do Cerrado.

Em um momento em que se discute a polêmica legislação florestal própria criada pelo Estado de Santa Catarina, a aprovação desta Lei no estado de São Paulo demonstra a preocupação em garantir a sobrevivência deste bioma severamente ameaçado. Atualmente, o Estado possui somente 0,84% de área de Cerrado – equivalente a 211 mil hectares -, ante a ocupação original de 14% do território paulista – 3,4 milhões de hectares. Continue lendo…

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