Vídeo do rio Meia Ponte em Aloândia GO
Eu estive lá e posso garantir, é ótimo!
Eu estive lá e posso garantir, é ótimo!
Nasci no ano de 1980, em Goiânia. Desde criança, sempre gostei de água, córregos e rios me hipnotizavam. Infelizmente, no ano em que nasci, os principais córregos da minha cidade já estavam estragados, muito poluídos, com uma série de problemas, tais como: ausência de mata ciliar, cheio de lixo e entulho. Imagine que referência tive eu? Provavelmente era para eu estar agindo como a maioria das pessoas da minha cidade simplesmente ignorando o problema, afinal de contas os córregos do jeito que estavam não ofereciam nenhum atrativo, pelo contrário, eram vetores potenciais de inúmeras doenças, e me aventurar em seus leitos era convite certo para micoses, hepatite A, leptospirose e por ai vai.
Mas o que aconteceu desde então? Afinal de contas já se passaram 31 anos! O que mudou? Muito pouco, apesar de investimentos na área de saneamento e da construção de uma grande ETE, os córregos continuam muito poluídos, feios e com sua função ecológico comprometida. Com o crescimento da população e consequentemente das cidade, os problemas foram replicados para regiões até então intocadas, ou seja, além de não resolvermos os problemas iniciais, ainda criamos problemas em novas regiões. O monstro do crescimento sem planejamento continua fazendo novas vítimas. Temo bastante que um dos mais belos rios de Goiás termine moribundo como todos os outros que nascem ou passam pela região metropolitana, a grande Goiânia! Estou falando do rio Dourados.
Interessante que no último domingo, dia 24/07/11, eu estava nesse rio, já no município de Hidrolândia, conversando com um pessoal que estava lá. Uma das pessoas me disse, sem eu falar nada, que temia que toda aquela beleza pudesse acabar em pouco tempo, justamente pelo crescimento de Goiânia em direção a bacia do Dourados, portanto, não sou apenas eu que está preocupado, mas já existem outras pessoas que estão.
Faz muito pouco tempo que ouvi falar no Dourados, não tem nem 4 anos. Meu primeiro contato foi numa visita a fazenda Jaboticabal, na cidade de Nova Fátima GO. A fazenda é conhecida pelos milhares de pé de jabuticaba, e pelo desafio do dono da fazenda, que diz que quem chupar 1 jabuticaba de cada pé, cerca de 20 mil, leva a fazenda. Ao lado do local, existe o recanto Jaboticabal, frequentado por centenas de pessoas em finais de semana e feriados, banhado pelas águas do rio Dourados. Na região da bacia do rio também existem vários outros recantos e balneários que também tem uma procura muito grande. Não deixo de citar também o rio das Pedras em Aragoiânia-GO, afluente do Dourados e também bastante frequentado. Tanto o Dourados, quanto o rio das Pedras e outros afluentes menores possuem diversas cachoeiras e corredeiras, como um capricho divino para a região da bacia.
É uma pena a urbanização ja estar nas beiradas do rio. Como já disse, temo muito pelo seu futuro. Um rio que começa a ser prejudicado pelo poluição passa a ter um triste destino, como uma pessoa que cai doente e ao invés de ter o apoio da família passa a ser completamente ignorada. Temos por péssimo hábito o de simplesmente procurar outros lugares e não lutar pela preservação de um lugar que tanta diversão trouxe e que fez parte da infância de muita gente. O pior de tudo é que tem gente que mora em Goiânia há vários anos e nunca ouviu falar do rio. Quando ouvir, já será tarde demais.
Será que em mais de 30 anos de destruição não aprendemos nada? Vamos continuar acabando com os refúgios próximos da cidade que nos garantem paz, tranquilidade e diversão? Teremos que ir cada vez mais longe?
Após um longo período sem escrever para meus queridos leitores, aqui estou eu novamente com uma nova postagem. Dessa vez o assunto se refere a uma cachoeira que existe no rio Meia Ponte e que nos impediu de prosseguir nossa viagem, conforme artigo relatado aqui http://meiaponte.org/expedicoes/2010/12/20/A+ODISSEIA+GOIATUBA-PANAMA.html. Abaixo coloco um print de uma imagem de satélite obtida através do google earth que mostra a dimensão da dita cuja. Mesmo antes dela, o rio já possui águas perigosas, com ondas altas e um barulho assustador, principalmente na época das chuvas, quando o volume de suas águas estão acima da média. Pretendemos ir nesse ponto do rio em Julho/2011 e vamos além de nos divertir, tirar algumas fotografias para postar aqui no blog. Essas belezas desconhecidas precisam ser divulgadas, um rio tão belo como esse não merece o tratamento que lhe é oferecido pelos habitantes de Goiânia e região metropolitana, péssima! Por sorte a natureza é sábia e o rio nesse ponto está limpo.
A seleção em vermelho se refere a área onde se encontra a cachoeira. A seleção em azul é somente a comparação de uma casa com o tamanho da área das quedas, que, segundo pessoas da região, chegam a ter cerca de 4 metros de altura.
Na foto acima o rio estava bem cheio e acabou por cobrir a cachoeira, impedindo sua completa visualização.
This article is also available in English in http://ecologicalguide.wordpress.com/2011/05/21/waterfall-of-the-meia-ponte-river-revealed-not-completely-yet/
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Belíssima musica que diz tudo sobre a importância dos rios para nossa sociedade, importância essa que é desprezada em nome do progresso. É pra refletir!
O Rio
Chitãozinho & Xororó
Isso mesmo, nunca pensei que em pleno mês de Novembro eu veria tantos rios e córregos secos. A região entre Araguapaz e Mundo Novo em Goiás tem o Cerrado bastante devastado, pouquíssimas árvores restam, substituidas por imensos pastos. A natureza dá o troco e vai minguando aos poucos as nascentes dos córregos e rios, as veredas, os brejos, vai mudando a paisagem, gerando imagens tristes que mais lembram os desertos áridos. Pra onde foi toda a água? A resposta está na destruição de um Bioma riquíssimo mas injustiçado, o Cerrado.
E assim vamos indo…
Abaixo uma seleção de fotos tiradas no último Domingo dia 26/09/10. Tive a grata satisfação de conhecer o rio em alguns pontos no período da seca, é de uma beleza sem descrição, só estando lá para saber do que falo. Os cenários são dignos de cartões postais, fiquei impressionado com tudo. Eu conhecia o rio nesses pontos apenas na cheia, nunca vi tanta pedra como vi lá. As aguas do rio são muito claras, os peixes a todo momento pulam para pegar insetos fora d’água, existem cachoeiras, corredeiras e lagoas, tudo de deixar muita gente de queixo caído. Se eu soubesse que era tudo assim já tinha ido lá a mais tempo. Pretendo voltar lá, claro, mas pretendo descer de caiaque no período seco para aproveitar ainda mais toda a beleza que existe no rio.
Lugares como esses existem aos montes no rio, poucas pessoas conhecem, geralmente quem conhece são pessoas da região. A maioria do que foi mostrado aqui vai acabar, infelizmente. Existe um projeto para construção de uma usina hidrelétrica nesse ponto. Essa é apenas uma delas. Em prol do desenvolvimento iremos acabar com belezas pouco conhecidas do nosso belo rio Meia Ponte.
Nesse caso específico, eu gostaria muito de saber quantos deles existem atualmente no rio Meia Ponte. As barbaridades que vi em seu leito não podem ser facilmente definidas. Será que é porque o rio amargou durante anos, com a poluição em suas águas mesmo centenas de quilômetros após Goiânia?
É verdade que a estação de tratamento de esgoto de Goiânia, a ETE DR. Hélio Seixo de Brito, trouxe vida nova ao rio, ainda não é o ideal, mas os pescadores perceberam muito cedo que o rio voltou a estar para peixe. Só que a fiscalização ficou tão acostumada com a falta dele, que simplesmente se esqueceu que o rio também deve ser fiscalizado, porque não foi em toda sua extensão que os peixes reduziram. Por que um rio tão importante para o estado é tratado com tanto descaso? É um absurdo vermos pesca de arrasto no rio, pesca de tarrafa, pesca na piracema, e simplesmente NINGUÉM FAZ NADA. Uma pessoa comum não pode fazer, cabe ao estado fiscalizar, mas as atenções parecem estar sempre voltadas para outros rios, o Araguaia por exemplo.
A brutalidade se tornou mais efetiva, desde que os próprios pescadores começaram a perceber que nem a tarrafa resolve mais, e assim, novos métodos mais destrutivos começaram a ser utilizados, nem mesmo a época da reprodução dos peixes é respeitada. Como um rio pode ter novos peixes se eles não podem se reproduzir? Ou então mesmo reproduzindo os novos peixes nem chegam a idade adulta para poder se procriar.É revoltante ver um rio agonizando, sofrer com o esgoto lançado em sua maioria pela cidade que deveria respeita-lo, pois parte da água que a abastece vem desse rio, ter a mata ciliar arrancada para dar espaço a pastagens e plantações e ainda ficar sem vida, pois os peixes que ali moram estão sendo tirados sem cerimônia. Pobre rio, desprezado e depredado, punido, sem crime algum ter cometido.
A INVASÃO DAS VÁRZEAS DOS RIOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
A várzea pertence ao rio
Publicado por http://www.aguaonline.com.br/
Poucas vezes tem-se visto na grande imprensa uma matéria tão oportuna e analítica como a publicada no jornal o Estado de São Paulo e elaborada pelo jornalista Ivan Marsiglia.
Bem a propósito da comemoração, em 02 de fevereiro, do Dia Mundial das Áreas Úmidas. Fugindo da clássica abordagem da culpa da chuva e do rio que invade casas a matéria mergulha nos meandros do processo de urbanização da cidade de São Paulo e que se reproduziu às centenas pelo Brasil afora. E que continua a servir de espelho (errado) a outras centenas de municípios pequenos que um dia sonham em se tornar grandes.
Ela vai aqui reproduzida como uma homenagem à lucidez e clareza da entrevistada e argúcia do repórter que soube trazer à tona as causas subjacentes para o caos urbano que vem se instalando nas cidades brasileiras nestes tempos de mudançcas climáticas.
“Pé d’água, mesmo, não foi. Mas uma chuva compacta e homogênea, a mais volumosa em dois anos, caindo sobre quase toda a cidade de São Paulo durante 24 horas. E a maior metrópole brasileira amanheceu parada e submersa. Foram registrados 105 pontos de alagamento, entre eles as marginais dos Rios Pinheiros e Tietê. E seis pessoas morreram em deslizamentos de terra – no caso mais grave, em Santana de Parnaíba, quatro irmãos de uma mesma família, três deles, crianças.
A tragédia deixou “constrangida e indignada, mas não surpresa” a geógrafa paulistana Odette Carvalho de Lima Seabra. Autora de Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder: O Processo de Valorização dos Rios e das Várzeas do Tietê e do Pinheiros, apresentado como tese de doutorado na USP em 1987, a professora considera corretas as medidas tomadas nos últimos anos para mitigar as enchentes. Mas o sistema já está próximo de seu limite. Odette diz que as políticas públicas destinadas às várzeas dos Rios Pinheiros e Tietê tiveram um protagonista privado: a São Paulo Tramway, Light and Power Company – empresa de capital canadense que energizou o processo de urbanização brasileiro nas décadas de 30, 40 e 50. Afirma que as várzeas onde o governo do Estado assenta obras de ampliação das marginais são parte integrante dos rios – que as requisitam de volta, nas enchentes. E aponta que a solução definitiva passa por mudanças profundas no modo de vida na cidade.
As cenas de inundação na terça-feira surpreenderam a senhora?
Fiquei, como todo o mundo, constrangida e indignada. É insuportável saber que somos obrigados a viver essas tragédias ano após ano. Mas não posso dizer que as imagens me surpreenderam. As medidas que vêm sendo tomadas desde 1999 são corretas. Mas ocorre que a capacidade do Tietê está no limite. A interligação de bacias necessária ao abastecimento de São Paulo faz com que, por exemplo, 33 metros cúbicos por segundo da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba caiam aqui.
O solo impermeável da cidade é uma das causas das enchentes?
Também. As chuvas, a cada ano, são mais torrenciais. Há dados mostrando isso. Temos um volume aumentado de água na rede, impermeabilização crescente do solo e ocupação desordenada do rebordo externo da bacia. Eu me refiro à zona leste de São Paulo, à vertente sul da Cantareira, essa porção de colinas, onde têm ocorrido desastres. O solo, lá, é de rigolito, fixo apenas pela vegetação. Com o desmatamento, ainda que seja uma simples abertura entre as casas, tudo fica sujeito a deslizamentos. Além disso, por gravidade, os detritos chegam à calha do rio. Por isso o Tietê tem um trabalho de desassoreamento que não pode parar.
É difícil imaginar Paris sem o Sena, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio. Que falta faz um rio a uma grande cidade?
O rio é uma referência de lugar e de espaço, integra a identidade de um povo. Quando ele está perdido, como no nosso caso, é uma ausência importante. Vi um documentário que mostrava como os brasileiros voltaram as costas para os rios. Há quem cruze o Tietê quatro vezes ao dia sem se dar conta.
Seu doutorado mostra como as estratégias de ocupação das margens do Tietê e do Pinheiros foram definidas a partir dos interesses da Light. Como isso se deu?
Esse é o rescaldo negativo do imperialismo das grandes empresas nos países subdesenvolvidos. A Light, da qual hoje pouco se fala, provocou uma grande mobilização no Brasil das décadas de 30, 40 e 50. A companhia era uma espécie de polvo, atuando em diferentes esferas. Foi tão importante na história de São Paulo que passou a integrar o imaginário. Aparecia na música, na poesia, na retórica popular. Havia até uma expressão: “E eu com a Light?”
A proximidade das pistas do leito dos rios nas marginais é muito criticada por urbanistas. Por que elas foram parar lá?
Nos anos 60, com o Plano de Metas, foi preciso abrir espaço para circularem os automóveis. Tem início outro padrão e modo de vida. O Estado planejou as marginais e pressionou a Light: “Agora, vamos intervir, porque é preciso modernizar a estrutura de transporte do País”. Veja que, até então, em São Paulo andava-se de carroça, bonde ou barco – cerca de 500 deles transitavam no Tietê. Com a entrada da indústria automobilística, o transporte por rio desaparece e o ferroviário entra em declínio. Os bondes saíram de circulação não porque as pessoas não mais os quisessem, mas porque outra opção de transporte foi imposta goela abaixo.
É por isso que senhora diz que “os enigmas do funcionamento da Bacia do Alto Tietê traduzem o modus operandi da modernização geral da sociedade”?
Se a gente tem noção da história, fica ingênuo discutir quem fez as marginais e foi responsável por esses equívocos. Mas, com o partido rodoviário sendo adotado como modalidade de transporte nacional, a sequência só poderia ter sido essa. No caso da Light, é preciso levar em conta também que éramos uma República nova, sem conhecimento de estruturas jurídicas, com uma sociedade pouco aparelhada para negociar com o trust. Não que, por princípio, as pessoas fossem boas ou más. É um processo.
Os moradores mais antigos da cidade têm a memória de um Tietê onde se nadava, praticava remo. Como se transformou em uma “cloaca a céu aberto”, como a senhora diz?
Em minha tese, entrevistei um ex-barqueiro, de 96 anos, que passou a vida recolhendo areia do fundo do Tietê para vender. Ele me contou que, em 1935, já não podia mais beber a água do rio, e a levava de casa. Perguntei por quê. “Desde que a Nitroquímica se estabeleceu em São Miguel os peixes começaram a morrer e a gente não podia mais beber a água.” Ainda na década de 20, quando a Light obteve o monopólio do Rio Pinheiros, as autoridades decidiram deslocar os barqueiros para o Tietê. Houve processos na Justiça e, num deles, um barqueiro questiona: “Já não dá para tirar areia entre a Ponte Pequena e a foz do Rio Pinheiros, porque o fundo do rio é lodo e esgoto”. A contaminação é um processo que vem com a urbanização. Seus efeitos deveriam ter sido domesticados ao longo do tempo, mas ela foi avassaladora e não pudemos raciocinar sobre os problemas que a industrialização trazia.
Dezenas de projetos de ampliação do leito e embelezamento das margens foram realizados em São Paulo, sem que os rios fossem de fato recuperados – como ocorreu com o Tâmisa, em Londres. Por quê?
Primeiro, a gente continua poluindo o Tietê. A poluição industrial foi controlada, mas a doméstica, não. Há um problema de infraestrutura difícil de enfrentar. É muito caro fazer interligação de esgotos. Às vezes, os espíritos românticos maquiam as margens, produzem discursos… Mas a solução ainda está distante.
Ambientalistas dizem que “o carro é o novo cigarro”, um símbolo anacrônico de status, a ser banido.
Seria bom mesmo. Mas como agir numa sociedade desse tamanho, com milhões de pessoas circulando para cima e para baixo? Uma pesquisa que fizemos em Parelheiros, no extremo sul da cidade, mostrou que existe gente nascida lá, que já é adulta e nunca saiu da região. Não conhece nem o centro. Chamo isso de confinamento dos pobres. Com tantas carências, como arcar com o custo social de liberar as várzeas?
Fonte: Aguonline – jornalista Cecy Oliveira/Site Tratamento de Água
Publicado também no Blog do SOS Rios do Brasil
Que poeta!!! José Wellington Marciano de Souza - 11 anos. Parabéns!
O Rio Meia Ponte era um amor
Mas ninguém lhe deu valor
O Rio que era limpinho e cheiroso
Agora se tornou um fedor
Oh!
Rio Meia Ponte como dava gosto te ver
Agora é o local onde se joga esgoto
Oh, Rio onde brincava muitas crianças
Agora se encontra tanto lixo
Era o Rio onde podia banhar, nadar, lavar roupa e beber água
Agora não pode mais nada
Oh, Rio onde o peixe era o sustento
Quem fazia isso, já não faz há muito tempo
Era o Rio onde se via gaivotas planando para pegar peixes
Agora se vê moscas e urubus voando
Era o Rio em que os moradores viam capivaras nadando
Agora só vê vasos, garrafas e muitos lixos em suas margens rolando…
Oh, Rio tu ainda tens vida
Nós vamos te salvar
Fossa Ecológica – tecnologia finalista do prêmio Tecnologia Social 2009.
Via blog Pão e Ecologia