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Posts Tagged ‘rio meia ponte’

Posts interessantes do blog, vale a pena conferir!

 

Usina do Jaó – Patrimônio Histórico Jogado as Moscas

Triste realidade de uma usina que foi tão importante para a história de Goiânia e a té mesmo de Brasilia. Não merece o descaso com que a tratam atualmente. Merece o seu clique!

Diga não a canalização

A canalização é uma verdadeira declaração de morte a um córrego ou rio, saiba o porquê disso.

Ahhh, o progresso.

Tirinha muito bem bolada que mostra o bate papo entre dois indiozinhos.

Não quero apenas boas lembranças

Pequeno texto que fala sobre as histórias das pessoas mais velhas, sobre seus momentos de lazer com a natureza que ficaram no passado. Por que temos que ficar apenas nas boas lembranças do passado? Vamos viver o presente, com qualidade!

Esses são as minhas sugestões de posts aqui do blog.

 

A cachoeira do Meia Ponte – Agora sim, finalmente revelada!

outubro 11, 2011 3 comentários

Pois é pessoal, como não poderia deixar de ser finalmente vos revelo a verdadeira face da cachoeira do rio Meia Ponte no município de Panamá – GO. Após uma tentativa frustrada na primeira vez, uma segunda tentativa, também frustrada, dessa vez não deixamos de mostrá-la. O primeiro post que falo sobre ela é nesse aqui: http://guiaecologico.wordpress.com/2011/05/14/waterfall-of-the-meia-ponte-river-revealed-not-completely-yet/

Deixe seu comentário a respeito da cachoeira!

Vou deixar de falatório e vou logo mostrar as imagens:

Vista do rancho para a cachoeira

Vista superior da cachoeira – Muita gente não enxerga, só descobre que existe cachoeira quando cai!

Vista lateral do lado menos revolto da cachoeira

Olha eu onde estou, provando que estive ai!

Eu agora de outro ângulo para não deixar dúvidas

Eu na garganta da cachoeira

Eu e o amigo Castilho próximo a queda d’água

Amigo Castilho se aventurando próximo a queda na parte de cima

Uma visão mais poética da cachoeira

Uma visão mais ampliada da área da cachoeira

Esse lugar é dificil de chegar, mas todo esforço compensa. Esse é o rio Meia Ponte limpo!

Uma área de Goiânia que merecia mais respeito do poder público.

Abaixo publico uma imagem que retirei do Google Earth, onde mostro um do pontos hidrográficos mais interessantes de Goiânia, Essa área ainda apresenta pontos super conservados e nunca deveria ter sido habitada. Um capítulo recente de uma batalha interminável contra as construtoras, que teimam em ocupar a área foi a suspensão de uma obra de prédios (http://bit.ly/q22uvd) que estava sendo realizada próximo da confluência do ribeirão João Leite com o Rio Meia Ponte no setor Goiânia 2, a área é uma APP ( área de preservaçao permanente) e não admitia sua ocupação. Outro agravante é que as cheias dos rios poderiam atingir a área construída. Além do mais a construtora estava aterrando nascentes na área. Recentemente também encontraram um jacaré (http://glo.bo/rch7Tq) dentro de uma  construção nas proximidades do local. O jacaré veio do rio Meia Ponte segundo funcionários da obra. Outro fato que deve ser destacado é que o encontro do rio Meia Ponte com o ribeirão Anicuns vai receber parte do parque linear Macambira Anicuns(http://www.youtube.com/watch?v=tYIEfaauBVo) que será executado algum dia quando houver vontade política.

Clique na imagem para ampliar

1 – Encontro do córrego Botafogo com o ribeirão Anicuns: em virtude das águas que chegam violentas devido a canalização de suas águas, a região do encontro está sofrendo com as erosões e consequente perda de árvores nas margens.

2 – Encontro do ribeirão Anicuns com rio Meia Ponte: Local onde foi criada indevidamente a Vila Roriz, todos os anos os moradores do local sofrem com a cheia do rio, mas ninguém quer sair.

3 – Encontro do rio Meia Ponte com o ribeirão João Leite: Área que sofre atualmente com a especulação imobiliária.

Rio Meia Ponte – Um Alerta

Rio Meia Ponte

Rio Meia Ponte em Goiatuba

Em minha última visita ao rio Meia Ponte na região de Goiatuba, agora em Setembro de 2011, fiquei impressionado com a beleza do rio nessa época do ano, não só eu mas todo mundo que visita a região. Até mesmo o lixo que desce de Goiânia se esconde de alguma forma, ainda bem! As paisagens encontradas são dignas de cartão postal. Infelizmente só aproveitei um dia do final de semana no local, mas quem sabe eu retorno ainda antes das chuvas, para pelo menos conhecer a tão falada cachoeira do Panamá.

Claro que nem tudo são flores, uma coisa que eu percebi é que o rio naquele ponto possuia uma quantidade de algas que eu não esperava encontrar. Nesse local o rio já se encontra a mais de 250 Km de Goiânia, já fui em outro locais a cerca de 150 Km que não possuiam algas como lá.  Até a quantidade de peixes diminuiu devido ao lodo que é formado no fundo do rio. Pescadores da região me informaram que antes a água era mais clara e havia muito mais variedade de peixes e que agora a água adquiriu um tom bem mais esverdeado e a turbidez do rio se elevou. A transparência de suas águas está menor. As atividades industriais na região são mínimas, não existem cidades que lançam seus esgotos no rio após Goiânia, então o que poderia estar causando esse problema?

Um amigo nosso da região chamou a atenção para a quantidade de lavouras de cana de açúcar ao redor do rio. Ele disse que principalmente na época que a cana está em fase de crescimento, os pivôs lançam um subproduto da cana chamado vinhaça, que serve de adubo para novas lavouras. Até a água fica com um cheiro diferente, segundo ele. A vinhaça é rica em nutrientes, principalmente o potássio, nitrogênio, fósforo e cálcio, sendo de baixo custo e muito eficiente. O problema é que geralmente se aplica a vinhaça por gravidade, ou seja, ela escorre pelo terreno e pode atingir córregos e rios. É justamente isso que chegamos a conclusão que esta acontecendo, os nutrientes da vinhaça estão provocando uma super população de algas na região, mudando a coloração da água, seu cheiro, sua qualidade em si. Se essa super população ocorresse em um lago, provavelmente teríamos um sério problema de eutrofização.

Um outro amigo nos informou que a poucos quilometros dali, num ponto acima, antes de chegar na lavoura, a água é diferente, mais limpa e com menos algas, ou seja, mais um forte indício de que é esse adubo que está provocando o problema, não se estão tomando so devidos cuidados para se evitar que a vinhaça chegue até o rio. Na verdade a própria mata ciliar do local é bastante rala, sendo que uma faixa pequena, de menos de 20 metros se estende pelo rio. Em alguns pontos nem existem árvores para que protejam o Meia Ponte. Ali deveria ser de pelo menos 50 metros de ambos os lados, mas não é o que se vê.

Um outro problema que ficamos sabendo é de alguns estudos na área para a criação de uma pequena central hidrelétrica (PCH) na região. Mesmo para uma PCH é necessária a construção de um lago, que vai alagar as poucas árvores da região, ficando um lago sem nenhuma vegetação ao seu redor, somente lavouras de cana. Além do mais o rio passa de um ambiente lótico, de rio, para lêntico, de lago, mudando a própria biodiversidade do rio, favorecendo o aparecimento de espécies predadoras tais como o tucunaré, a exemplo do que aconteceu no lago de Serra da Mesa. Um lago também agrava ainda mais o problema das algas.

É necessário um olhar mais crítico das autoridades para a região. É dever do estado fiscalizar e dever da população denunciar. O rio Meia Ponte pode ser feio e poluído em Goiânia, mas ele se regenera e a beleza dele é indescritível nos municípios abaixo.

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Sinfonia da Natureza no Rio Meia Ponte

Conhecendo um pouco mais sobre o rio Meia Ponte


Introdução

O rio Meia Ponte,  que para muitos não representa nada, apesar de beberem da água deste, é um rio histórico. Esse rio teve um papel decisivo para a escolha da nova capital. Não foi a primeira fonte de água do novo município, nem foi onde teve a primeira usina geradora de energia. O Meia Ponte foi inserido em planos mais ambiciosos para a nova capital. O volume de águas e uma queda d’água possibilitaram a construção de uma usina hidrelétrica, que foi chamada de Usina do Jaó, para abastecimento elétrico da cidade.  Mais tarde, uma nova usina foi construida, Rochedo, em 1954,  novamente o rio seria essencial para  construção da nova capital do país, Brasília.

Hoje em dia o rio está muito doente. O rápido crescimento da cidade, aliado à especulação imobiliária e à ausência de um planejamento efetivo levaram ao péssimo estado que se encontram o rio Meia Ponte e seus afluentes que cortam a cidade de Goiânia. Dos cerca de 85 mananciais, mais de 90% possuem algum tipo de degradação, desde ocupação irregular de suas margens até erosão, assoreamento, e lançamento de esgoto, sendo que este último acinzenta as suas águas na época de estiagem.

Nascente e foz

O Rio Meia Ponte faz parte do complexo hidrográfico da Bacia do Rio Paraná, localizando-se na região superior (norte) do Rio Paranaíba.O rio nasce no município de Itauçu, na Serra dos Brandões. Em 2006 descobriu-se duas novas nascentes do rio no município de Taquaral, que antes nem era considerado município da bacia. O rio percorre um distância de cerca de 471 Km até sua foz no rio Paranaíba no município de Cachoeira Dourada.

Importância

A Bacia do rio Meia Ponte é a mais importante do estado de Goiás. Nem de longe é a maior, sua área territorial corresponde a apenas 3,6% do estado Goiás, onde estão inseridos 39 municípios,porém é a bacia onde se concentra maior parte da população, aproximadamente 48% da população goiana.

A bacia do Meia Ponte é dividida em cinco sub-bacias:

    * I) Alto Meia Ponte: que engloba a região das nascentes até a foz no ribeirão João Leite;

    * II) Ribeirão João Leite: que abrange sete municípios e é delimitada como Área de Proteção Ambiental;

    * III) Rio Caldas, que abrange parte de nove municípios goianos;

    * IV) Rio Dourados: que também engloba nove municípios;

    * V) Baixo Meia Ponte: que possui a maior área territorial, abrigando quinze municípios.

A subbacia que não está especificada acima, mas que costumo chamar de Médio Meia Ponte, é a mais comprometida, está situada entre a subbacia do ribeirão João Leite e a subbacia do Rio Caldas.

Bacia Área Total                  (Km2)                                   Vazão (m3/s)

Rio Caldas                                  1.271,20                                  6,72

Ribeirão João Leite                804,40                                     6,00

Ribeirão Cachoeira                 *                                                 2,54

Ribeirão Capivara                  *                                                  1,235

Ribeirão Capoeirão                *                                                 1,11

Ribeirão Inhumas                   *                                                 1,04

Rio Dourados                            1.715,3                                    5,30

 
Principais problemas da bacia do rio Meia Ponte

* Nas áreas urbanas, urbanização desordenada, além de problemas de Saneamento Básico como coleta e tratamento de esgoto;

* Grande maioria dos municípios da bacia hidrográfica não possui um sistema de coleta de lixo eficiente e locais adequados para destinação final dos dejetos;

* Implantação de indústrias em fundo de vale que usam os mananciais como receptores para os efluentes industriais;

* Existência de inúmeros pontos de retirada de areia devido a proximidade de pólos consumidores importantes;

* A indústria da cerâmica, com o aproveitamento de minerais como areia lavada e argila, provocam o desmatamento de mata ciliar e áreas de várzeas, ocasionando processos erosivos com turbidez das águas, poluição química através de óleos, graxas e detergentes e forte assoreamento;

* Nas áreas rurais problemas de esgotamento de solo, desmatamento, queimadas, mal uso de defensivos agrícolas, erosão, utilização de pivô para irrigação e outros.

A bacia do rio Meia Ponte sofreu sérios problemas de desmatamento em decorrência da implantação de atividades agropecuárias. Atualmente, restam pequenos fragmentos de vegetação nativa que assumem grande importância na conservação dos recursos genéticos da fauna e da flora da região. Infelizmente existem planos para construção de PCHs(Pequenas Centrais Hidrelétricas) ao longo do rio Meia Ponte, colocando em risco até mesmo esses fragmentos restantes.

A extensão do rio Meia Ponte em Goiânia corresponde a cerca de 10% do total da extensão do rio, ou seja, menos de 50 km, apesar disso, Goiânia é a cidade que tem maior parcela na poluição do Rio Meia Ponte, é também sua maior beneficiada, pois tem todo seu abastecimento oriundo desta bacia (52% do João Leite e 48% diretamente do Rio Meia Ponte). O município entrega uma água de péssima qualidade e não é portanto solidário com os munícipios a jusante (abaixo), as águas seguem assim  comprometidas por cerca de 150 Km.

História

1732 – No ano de 1732, ao cruzar o rio, no local onde se acha hoje, a Usina do Rochedo, Bartolomeu Bueno ( O Anhanguera ) utilizou duas toras de madeira como ponte. Ao voltar, só encontrou uma; a outra, tinha sido levada pela enchente – chamou o rio de Meia Ponte, nome que o iidentifica até hoje.

1783 – No ano de 1783, o Dr. Aguiar Whitaker, juiz de direito, explorou o rio Meia Ponte, que na ocasião, pela seca extrema, não dava boa navegação, mas que no tempo das cheias “pi-esta-se perfeitamente ao movimento do vapores. ” ( modificado pata facilitar a leitura )

1933 – Nascimento da cidade de Goiânia. Um dos principais motivos da escolha da nova capital foi sua hidrografia que tinha como protagonista o Rio Meia Ponte.

1936 – Em virtude da demanda cescente por energia elétrica, foi construída a Usina do Jaó, no Rio Meia Ponte, próximo ao local onde fica hoje o Clube Jaó.A implantação da usina do Jaó foi imprescindível para o Batismo Cultural de Goiânia, que ocorreu entre o final de junho e o início de julho de 1942.

1945 – No dia 3 de abril de 1945, um grande acidente causado pelas chuvas e ventos danificou os equipamentos da usina do Jaó e comprometeu seriamente o funcionamento da mesma. Goiânia voltou novamente a um longo período escuro tanto no que diz respeito à falta de energia quanto na economia, que enfrentava uma situação delicada e decadente. Foram utilizadas alternativas, como geradores particulares de pequena ou grande potência. Muitos vendiam energia para os vizinhos, outros aproveitavam o apagão para atrair clientes à noite, com bares ou lojas iluminadas. Até o motor de um submarino da 2ª Guerra Mundial foi utilizado no Córrego Botafogo, para gerar energia para a iluminação da cidade.

1947 – Reconstrução da Usina do Jaó.

1955 – A usina do Rochedo, no Rio Meia Ponte, entrou em operação no dia 26 de julho de 1955 com capacidade de geração de 4 MW.

1959 – Entrou em operação uma 4ª etapa da Usina do Jaó.

1962 – Fundação do Clube Jaó em 5 de agosto de 1962 por Ubirajara Berocan Leite. Teve origem em um bosque, o Babaçu, cortado pelo Córrego Jaó. Inicialmente, era banhado pelas águas de uma represa, formada pelo Rio Meia Ponte, que abastecia a Usina Jaó.

1970 – Com o crescimento de Goiânia, a represa do Rio Meia Ponte foi ficando poluída, logo represa e usina foram desativadas.

2003 – Descobertas 4 novas nascentes no municipio de Taquaral de Goiás que a principio não fazia parte da Bacia do Rio Meia Ponte.

2004 – Inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia. Obra grandiosa que inicialmente prometia tratar 80% dos esgotos da capital.

2011 – Já se passaram 7 anos e o rio continua agonizando sem investimentos durante esse período!

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Naufragando no Meia Ponte

Esse vídeo abaixo, mostra o momento de descontração que eu e meu amigo Castilho tivemos durante a descida do rio, ele havia ido até um paredão de pedras, na margem do rio, para pegar água de várias minas que afloram lá, o problema é que a correnteza do rio estava muito forte e foi levando o caiaque até uma pequena fenda na rocha, onde ele inevitavelmente virou. Após uma luta muito grande para eu remar contra a correnteza e tirar o caiaque dele que estava preso, iniciou-se uma nova batalha, que era ele subir no caiaque! Detalhe, nesse ponto o rio é poluído. A descida aconteceu durante o carnaval de 2011 e percorremos cerca de 170 Km.

Você sabe como funciona a autodepuração em rios?

O que é a autodepuração?

Você já se imaginou tomando banho no rio Tietê depois de São Paulo? E tomando a água do rio depois de tratamento? Nem pensar? Você já ouviu falar em um processo chamado autodepuração? Não? Então é hora de mudar seus conceitos!

Não é porque usamos TV 3D, Ipad, Iphone, GPS ou uma porção de tranqueiras eletrônicas que não somos ignorantes em assuntos tão simples, não é mesmo?

Eu particularmente possuo amigos que não teriam coragem nem de passar perto de um rio que já recebeu algum tipo de poluição, mesmo que ele já esteja bem longe da cidade que lhe causou problemas e que seja assegurado através de testes que a água já voltou a ter qualidade. Isso é por desconhecimento ou puro preconceito. O problema maior é que a maioria das pessoas não conhecem, admitem, ou querem admitir que a natureza é capaz de se curar das agressões que o homem imprime nela. A natureza é sábia! Abaixo eu vou explicar como funciona o conceito da autodepuração de cursos d’água.

Antes de iniciar, vamos ver os seguinte conceitos:

Processos AERÓBIOS: Os organismos processam a matéria orgânica em um ambiente com presença de oxigênio. Nas estações de tratamento de esgoto por exemplo, o oxigênio pode ser conseguido via aeração forçada. Nos rios, através de quedas d’água, corredeiras, fotossíntese de algas.

Processos ANAERÓBIOS: Ocorre na total ausência de oxigênio (O2), os microrganismos degradam a matéria orgânica em
ANAEROBIOSE.

MICROORGANISMOS
AERÓBIOS – Bactérias, fungos, protozoários, rotíferos.
ANAERÓBIOS – Praticamente apenas bactérias.

Figura 1

Agora prestemos atenção nos gráficos abaixo:

No exemplo acima, são mostrados alguns gráficos que demonstram como um corpo d’água pode sofrer um processo de recuperação durante se curso.  O primeiro gráfico fala sobre o oxigênio dissolvido ( OD ), o segundo mostra-nos sobre a Demanda Bioquímica de Oxigênio ( DBO ) e sobre a presernça de substâncias como nitratos e nitrogênio amoniacal. Em corpos d’água muito poluídos a DBO é alta. O terceiro gráfico nos mostra a concentração de organismos como bactérias e fungos a partir do momento que o curso d’água recebe um lançamento de esgoto.

Abaixo nós temos os mesmos gráficos sobrepostos e que demonstram como os organismos do local, como peixes se comportam quando do lançamento de esgotos.

Figura 2

LEGENDA
Clean Zone = Zona Limpa
Decomposition Zone = Zona de Degradação
Septic Zone = Zona de Decomposição Ativa
Recovery Zone =  Zona de Recuperação
Biological Oxygen Demand = Demanda Bioquimica de Oxigênio ( DBO )
Dissolved Oxygen = Oxigênio Dissolvido
Types of Organisms = Tipos de Organismos

Na Zona Limpa é possível encontrar uma maior diversidade de organismos, geralmente são peixes que não toleram poluição e necessitam de uma maior quantidade de oxigênio. Na zona de degradação, a diversidade de organismos diminui e dá lugar a, por exemplo, peixes resistentes a poluição. Na zona de decomposição ativa os peixes praticamente desaparecem, dando lugar a bactérias e fungos, muitas vezes o lugar tem seu oxigênio reduzido a zero, e uma grande quantidade de bactérias anaeróbias dominam a área.

Exemplo Prático

Utilizarei como exemplo prático para explicar os gráficos  o rio Meia Ponte em Goiás. O Rio Meia Ponte, nasce nos municipios de Itauçu e Taquaral, percorre cerca de 471 Km até sua foz no rio Paranaíba. O ponto mais crítico do rio é quando ele entra na região metropolitana de Goiânia. Após a captação de água para tratamento, o rio começa a receber esgotos domésticos e industriais sem tratamento num trecho de mais de 30 Km na região.

O esgoto possui uma alta DBO, ou seja ( Demanda Bioquímica de Oxigênio) o que representa que os organismos aeróbios necessitam de oxigênio para processar a matéria orgânica. Se existe abundância de alimento, a quantidade de bactérias, fungos e protozoários aumenta consideravelmente, conforme o terceiro gráfico da Figura 1. Podemos concluir que o rio fica dentro das zonas de degradação e de decomposição ativa durante todo percurso em sua passagem pela região. Em certos pontos da cidade, o rio chega a ter zero de oxigênio dissolvido em suas águas, são trechos praticamente mortos, onde nenhum organismo que depende do oxigênio consegue se manter. Nesses pontos, existe predominância de bactérias anaeróbias, que são responsáveis pelo mau cheiro característico de corpos d’água poluídos.

Situação do rio Meia Ponte na região metropolitana de Goiânia, águas cinzas, fétidas e com muita espuma. O período que a foto foi tirada é de estiagem, época em que a vazão do rio esta mais baixa

O Meia Ponte após a ponte da rodovia GO 020 atinge seu ápice na zona de decomposição ativa, é a partir desse ponto também que o rio vai deixando de receber os esgotos da região. O último ponto que ainda tem uma certa representatividade é o ribeirão Santo Antônio um pouco mais a frente. Durante um trecho de cerca de 52 Km, o rio fica num misto de zona de decomposição ativa com zona de recuperação. Muitos fatores contribuem para uma recuperação rápida do rio, podemos ai incluir: vazão, velocidade da água, outros corpos d’água não poluídos que contribuem com suas águas limpas e oxigenadas, raízes de árvores da mata ciliar e ausência de novos lançamentos de esgoto.

Na ponte do terêncio, que liga os municípios de Hidrolândia e Bela Vista, o rio já apresenta características bem melhores, ainda está na zona de recuperação, que se estende até o lago de rochedo, onde a matéria orgânica, já mineralizada, é aproveitada por algas, repolhos d’água e  aguapés, além de sofrer um processo de decantação provocada pelo lago.

Esse é o rio Meia Ponte em Rochedo no período de estiagem. As águas nessa epoca são transparentes, meio esverdeadas. Nesse local o rio já apresenta uma melhora siginificativa de suas águas, podemos dizer que já se encontra na zona de águas limpas. Com diversidade de organismos.

Na parte baixa da usina, já após o lago, existem muitos pescadores que aproveitam a abundância de peixes na região, além de familias que vão para o rio nadar.

Eu particularmente já tomei banho em Rochedo, conheço bem o rio em Goiânia, e sei que a diferença das águas do rio na cidade e em Rochedo é gritante, não existe odores e nem algas em excesso nas águas, além daquelas algas cinzas típicas de esgoto.

Esse é o rio Meia Ponte em Pontalina, e meu amigo Castilho como modelo. Essa foto é da mesma época da primeira foto do Post, onde o rio em Goiânia é cheio de espuma e a água é cinza. Nesse ponto não existe cheiro, nem espuma e as águas são bem limpas. Existe grande variedade de peixes.

A cerca de 40 Km desse local, em Pontalina, é possível perceber diversos organismos, chamados de macroinvertebrados bentônicos, que servem de alimento para peixes e que representam um bom indicativo de boa qualidade das águas, estes são encontrados no substrato de fundo (sedimentos, detritos, troncos, macrófitas aquáticas, algas filamentosas, pedras, etc), no caso foram observados alguns organismos do tipo: Hydrophilidae, Psephenidae, Oligoneuridae, Aeshnidae, Gerridae e outros que não identifiquei.

Uma grande diversidade desses organismos representa que o rio apresenta boa qualidade em suas águas

Imaginem um mundo sem os organismos decompositores, os recicladores universais. É através deles que é possível o processo de autodepuração de corpos d’água. Sem decomposição, a vida aqui na Terra seria impossível. O planeta agradece!

Um pedido que faço, para aqueles que moram na região de Goiânia e ficaram curiosos com o assunto, que conheçam o Meia Ponte na cidade e depois se dirijam para Rochedo, para perceberem o quão diferente é o rio nesse lugar. Conheçam também o rio em Pontalina, Aloândia, Goiatuba. A melhor época é entre os meses de Julho e Setembro, quando o rio está mais baixo e a diferença do rio entre Goiânia e esses municípios fica mais clara.

Dia 22 de Março, Dia da Água – Tadinha!

Córrego Palmito em Goiânia

Ecaaa! Esse é o retrato de uma sociedade!

Entra ano, sai ano, sempre a mesma coisa, sempre os mesmos lamentos, as mesmas observações, as mesmas notícias, na verdade acho que cada vez piores. As notícias sempre nos informam sobre a gravidade da situação atual da água doce no mundo, aqui no Brasil, o pais das águas, não é diferente. Possuímos bacias hidrográficas enormes, temos o maior rio do planeta em extensão e em volume de água, mas também temos grandes indíces de poluição, seja por esgotos domésticos, industriais ou por agrotóxicos.

O investimento em saneamento aqui no nosso país é ainda muito pequeno, poucas cidades possuem rede de esgoto, e muitas vezes as que possuem não tem tratamento, ou seja, o esgoto é jogado in natura no leito dos manancias. Fora o desrepeito com o código florestal que, nas cidades é totalmente ignorado, sendo que as construções avançam para praticamente dentro dos córregos ou rios, acabando com as áreas de recarga, as nascentes, matas ciliares e ainda contribuindo para a poluição por esgoto clandestino. O tratamento de água também é deficitário, são poucas as cidades com tratamento de água para toda a população, e as que tem, dependem muitas vezes de mananciais degradados, seja  pela atividade agropecuaria, desmatamentos, erosões ou pela pressão urbana que traz junto muito lixo e esgoto para o manancial de abastecimento.

As próprias concessionárias de água e esgoto admitem que o problema é grave, cerca de 50% dos municipios de Goiás por exemplo, terão graves problemas de abastecimento em 2015, segundo o Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água, lançado no dia 22/03/11  pela Agência Nacional de Águas (ANA). Estamos numa situação que esta beirando o caos,  mas sinceramente? Não vejo mudança nem a curto, nem a médio prazo. A própria população parece estar em estado de inércia, numa letargia que contagia todos, a maioria não se interessa nem em saber de onde vem a água que bebe, nem em conhecer como está o rio de sua cidade, ou mesmo de saber se realmente existe um rio lá. O consumismo impera, a quantidade de lixo gerado é enorme, lixo que em muitos casos vai parar nos rios.

Não estou falando isso da boca pra fora, eu desço o poluído rio Meia Ponte e sei do que estou falando, eu percorro alguns córregos aqui em Goiânia também e sei que o problema é crítico. Criei por exemplo o portal da bacia do rio Meia Ponte justamente para divulgar a gravidade da situação que se encontra os manancias da cidade, mas isso não acontece só aqui, isso é um problema que afeta a todas as cidades, de norte a sul, de leste a oeste, estamos cada vez mais complicados. Que esse dia, seja realmente um dia que faça diferença, que não seja só mais uma data que só lembra o quanto temos sido negligentes com a natureza e principalmente conosco!

É preciso muita discussão em relação a construção de PCHs

Aumentar a planta energética brasileira… A qualquer custo?  Após eu falar sobre a construção de uma PCH no rio Meia Ponte, além de um levantamento de 18 possíveis pontos de construção de outras PCHs ao longo do rio, achei oportuno um texto que encontrei  no site do projeto Manuelzão UFMG que explica um pouco sobre o problema e o porquê deve-se reavaliar os procedimentos para as licenças prévias concedidas para esse tipo de empreendimento.

Ampliar a discussão

Reavaliar os procedimentos de liberação da Licença Prévia para Pequenas Centrais Hidrelétricas é fundamental para reduzir impactos nas Bacias


Boa alternativa? Implantação da PCH no Rio Pardinho transformará potencial turístico em elétrico. (Foto: Alex Mendes)

Situado na Bacia do Rio das Velhas, o Rio Pardo Pequeno ou Pardinho nasce na Serra Tromba Danta, próximo aos distritos de Sopa e Guinda, em Diamantina. Ele passa pelas cidades de Gouveia, Monjolos, Santo Hipólito até desaguar no Rio Pardo Grande, afluente do Rio das Velhas, na divisa dos municípios de Monjolos, Santo Hipólito e Augusto de Lima. Ao longo de seu caminho, o Rio forma pequenas praias de águas calmas, locais ideais para banho. Além disso, há também cachoeiras como a do Candonga e do Bueno. Completando a paisagem, florestas ciliares e campos.

Tudo isso pode estar ameaçado com a construção da Pequena Central Hidrelétrica no Rio Pardinho, a PCH Serra das Agulhas. A barragem da central ocuparia regiões de Diamantina, Monjolos e Santo Hipólito, inundando uma área total de 62 hectares. Sua implantação provocaria mudança na qualidade das águas, alteração da vazão do Rio, erosões, assoreamentos, retirada de parte da vegetação, destruição de habitats, além de afetar diretamente uma Área de Preservação Ambiental, a APA Quebra-Pé.

No dia 14 de outubro foi realizada em Diamantina uma reunião da Unidade Regional Colegiada Jequitinhonha do Conselho Estadual de Política Ambiental (URC Jequitinhonha), que entre outros temas, discutiu a liberação de uma Licença Prévia para a instalação da PCH Serra das Agulhas. A licença, que aprova a viabilidade ambiental e locacional do empreendimento, é dada pela URC local. Antes era o Conselho Estadual de Política Ambiental que fazia isso, mas em 2007 houve a descentralização dessas decisões, cabendo às Unidades Regionais aprová-las.

O Projeto Manuelzão participou da reunião, apontou problemas do empreendimento, mobilizou ONGs locais para a discussão e conseguiu apoio do Ministério Público para intervir no processo da PCH. Durante o encontro, o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, defendeu a importância dos projetos das URCs serem desenvolvidas conforme Bacias Hidrográficas. Atualmente, as Unidades Regionais respondem por áreas delimitadas por regiões de cidades pólo e não necessariamente por Bacias. Dessa forma, os impactos ambientais provocados não são pensados na lógica das Bacias, mas sim em uma pequena região.

Outra incoerência ligada à aprovação da Licença Prévia é a legislação aplicada. Segundo o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Rogério Sepúlveda, as URCs se apoiam na Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, que estabelece padrões para o desenvolvimento sustentável, mas não consideram a Política Nacional ou Estadual de Recursos Hídricos. Essas duas últimas cuidam da gestão dos recursos hídricos e são empregadas pelos Comitês de Bacias Hidrográficas. Ele observa que projetos como esse da PCH Serra das Agulhas também deveriam ser analisados pelos Comitês, visto que o principal recurso em jogo no empreendimento é a água.

A próxima reunião da URC Jequitinhonha será realizada no dia 11 de novembro, em Diamantina, quando a discussão sobre a construção da PCH Serra das Agulhas será retomada.

Por: Assessoria de comunicação – Projeto Manuelzão UFMG

Publicado em: 22/10/2010

 

Desabafo de um proprietário de terras às margens do rio Meia Ponte

Achei interessante divulgar esse comentário no blog dessa forma, mostrando para todos como é triste para os proprietários de terra às margens do rio Meia Ponte perder áreas verdes preservadas com toda dedicação, onde habitam diversos animais e existem árvores valiosas para a flora do Cerrado. Peço com sinceridade para nos unirmos e tentarmos impedir a construção de tal empreendimento,  divulguem a todos os que vocês conhecem sobre essa PCH entre Aloândia e Pontalina, que é desnecessária e seu beneficio será muito inferior a tragédia ambiental que esta poderá causar. além do que, por que ninguém divulga? Por que a imprensa não fala nada?  Simplesmente porque a usina está sendo projetada  escondido de todos, na surdina. Quem se interessar, pode responder aqui o post. Obrigado

Segue abaixo o comentário do Sr. Luizmar Mendes:

Sou proprietário de uma propriedade às margens do Rio Meia ponte onde estão propondo a construção da PCH entre pontes, próximo a ponte que dá acesso a cidade de Pontalina.´Meus vizinhos e Eu temos matas preservadas com espécies raras. O que preservamos por anos agora estão querendo destruir do dia para a noite. Esse é um dos poucos rios que ainda tem dourados que necessitam de água corrente para reproduzirem. Eu particularmente tenho oito alqueires de mata preservada que certamente será toda destruída. Será que os órgãos do meio ambiente nada farão pela natureza e pelos que preservaram a natureza? Para se ter uma idéia em minha propriedade temos animais preservados(antas, veados, macacos, capiravas, catitu). É um crime. A quem deveremos recorrer para proteger a nossa fauna e a flora e por quê não dizer também aos moradores e proprietários? Estou desolado…..

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