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Posts Tagged ‘rio das velhas’

Revistas projeto Manuelzão

A partir de hoje, dia 30/07/11, sempre quando sair uma nova revista do projeto Manuelzão vou publicar aqui no blog o link da revista. Acho o trabalho deles fantástico e meu sonho é implementar algo do tipo aqui em Goiânia, especialmente na bacia do rio Meia Ponte, na região metropolitana. Para ter acesso a todas as publicações acesse: http://www.manuelzao.ufmg.br/comunicacao/revista


 

 

O rio é vida, água é vida, estamos acabando com nossa fonte de vida!

outubro 27, 2010 1 comentário

Prof. Jarmuth, não resisti e publiquei aqui no blog também esse texto que me deixou arrepiado. Somente aqueles que sentem a paixão por um rio como o Sr. Sérgio Abranches se sentirão tocados por tão belas palavras.

CANTINHO LITERÁRIO – SÉRGIO ABRANCHES FALA DE SUA PAIXÃO PELOS RIOS DO BRASIL

Rio das Velhas – Minas Gerais
Águas do Brasil, rios de minha vida inteiraSérgio Abranches Da Ecopolítica

Comentarista da Rádio CBN

Sempre tive paixão pelos rios. Cada fase de minha vida foi marcada por um rio, do qual guardo vívida lembrança.
Na infância, foi o rio das Velhas. Para ele fiz alguns poemas. Vou mostrar um deles, nesse Dia de Ação dos Blogs dedicado à água. Na pré-adolescência, foi o São Francisco. Na juventude, o rio Descoberto, de Goiás. Na maturidade, os rios do Pantanal e da Amazônia.Sobre o rio das Velhas, minha lembrança mais viva era das mulheres dos caboclos sertanejos lavando suas roupas brancas nas águas límpidas. Intuía o destino do rio, embora não tivesse a menor noção de que, no futuro, aquelas águas limpas se tornariam tóxicas. Dessa intuição, o poema:

Lavadeiras de Minas

Lavadeiras do Rio das Velhas,

pernas fortes, coração grande,

vida pequena.

Mulheres de Minas,

campesinas da madrugada,

saias brancas enfunadas.

Lavadeiras mineiras,

vendo o rio se acabar.

O que passarão a lavar?

(Brasília, 1966)

Hoje o rio das Velhas é um curso d’água quase imprestável, quase sem vida. Objeto da ação heróica do Apolo Heringer Lisboa, professor da escola de medicina da UFMG. Ação que hoje ficou, como ele sempre quis, maior que ele, no sólido Projeto Manuelzão. Apolo transformou sua paixão por rios em ação militante e blog.

A meta para o rio das Velhas é simples e quase impossível: navegar, pescar e nadar no rio das Velhas, em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte, a mais poluída da bacia do Velhas, que vai da foz do rio Itabirito até o ribeirão Jequitibá.

A viagem inesquecível da minha pré-adolescência foi com meu bisavô Juca, meu pai Fernando e meu tio Renato, em um jipe Willys, do meu Curvelo natal até Três Marias, para ver a piracema no São Francisco. Meio aventura, meio deslumbramento, cortando estradas de chão, pelo poeirão vermelho do sertão cerrado, a viagem ficou indelével em minha memória. E toda vez que vejo o São Francisco definhando, assaltado por esgotos, mau uso e uma transposição de águas que já não tem, me lembro do espanto ao vê-lo no entardecer, grandioso, caudaloso, parecendo imortal. Agora, pegam seu corpo envelhecido e maltratado e querem que ele dê mais de suas águas. Como uma doação de sangue feita forçosamente por uma pessoa em aguda anemia. Em breve, não chegará ao mar. Hoje, perdeu as forças e o mar já o invade por quilômetros. Quando era forte e impoluto, avançava sobre o mar, adoçando suas águas por muitas milhas náuticas. A ponto de permitir que navegantes se afastando da costa ainda bebessem delas.

O rio da minha juventude foi o Descoberto, na divisa de Brasília com Goiás, dele vem mais da metade da água consumida por Brasília. Ele nasce no alto dos córregos Barracão e Capão da Onça, em área que hoje pertence a Brazlândia. Já no início da sua caminhada, começa a sofrer o impacto da ocupação desordenada e da agricultura predatória. Mais abaixo, forma o lago da barragem que abastece o DF, uma área precariamente protegida por uma APA. Saindo da APA, é um desastre só. Como meu rio das Velhas, ele se torna um fluxo tóxico, contaminado pelos efluentes agrotóxicos e pelos esgotos do crescimento urbano sem saneamento e sem regra, e vai contaminar o rio Corumbá.

Os rios do Pantanal e da Amazônia, só pude conhecer já bem adulto. Aí já não tinha a ingenuidade da juventude. Ao descer deslumbrado o rio Negro, no Pantanal, uma região ainda bastante preservada por ser de mais difícil acesso, com uma profusão impressionante de aves, mamíferos, répteis, sabia que era frágil e que, como todas as águas do Brasil, está ameaçado.

O outro rio Negro, no Amazonas, uma paixão particular, à qual retorno sempre que posso, não deixa ilusões. Já no porto de Manaus se vê que ninguém tem respeito algum por aquelas águas. Rio acima, encontra-se uma das maravilhas do Brasil, as Anavilhanas. Mas aquele belíssimo labirinto de ilhas é hoje uma rota-esconderijo para traficantes que descem vindos da fronteira na região da Cabeça de Cachorro e vão corrompendo ribeirinhos, principalmente jovens.

Não, as águas do Brasil não vão bem. Estão desprotegidas e atacadas de todos os lados. Eu vi a sanha com que os fazendeiros do entorno querem assaltar o parque Grande Sertão: Veredas, que começa em Minas, na cidade de Chapada Gaúcha, e se derrama por Goiás, até a Bahia. Ele protege duas riquezas. Parte do trajeto percorrido por Riobaldo e Diadorim na estória de Guimarães Rosa. E o Cerrado e suas águas. Cerrado é manancial, mas a maioria do Brasil o vê como mato sem importância. Cerrado é vida. Basta ver o que está acontecendo nas fazendas de soja no entorno do parque, onde não se deixou uma árvore de pé. Sem vegetação e mata ciliar, foram-se as águas, acabaram-se as veredas. Está virando deserto. Por isso querem as águas do Cerrado. Para entender o que digo, é preciso caminhar por uma vereda, banhar-se nas águas limpas de um Caninanha, que é preto, ou de um Preto, que é quase translúcido. Ver para crer, a simbiose entre sertão, vereda e a água da vida.

O Brasil acha que suas águas são inesgotáveis e elas não são. Recentemente aprendeu a se orgulhar do Aquífero Guarani, como um dos maiores do mundo, mas não está nem aí para os perigos que ele corre. Estamos usando suas águas a um ritmo muito superior à taxa de reposição. Suas águas já estão muito poluídas em vários pontos.

Os rios da Amazônia são hoje vistos como potencial hidrelétrico. Não são. Eles são parte da vida da floresta e seus povos e valem mais dessa forma, para nós, do que alimentando projetos duvidosos como de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte. Temos muita biomassa, muito ar e muito sol, para acharmos que só nossas águas podem ser combustível. E hidrelétricas em rios sedimentosos, repletos de matéria orgânica não são limpas. Podem emitir mais que uma termelétrica fóssil.

Em cidades da região das serras da Capivara e das Confusões, áreas de extraordinária riqueza ecológica e pinturas rupestres que rivalizam com as francesas, lava-se calçadas com “água fóssil”, de um dos mais antigos aquíferos do Brasil, como me contou Niède Guidon, certa vez. Quando ela chegou na região, era tudo floresta. A caatinga veio depois. Vejam só o que ela conta: “Você tinha caatinga arbórea no planalto. Na planície era tudo floresta pau d´arco e aroeira. O rio Piauí corria, a cidade de São Raimundo tinha uns 10 lagos cheios de garça e pássaros. (…) Na Serra da Capivara só tinha um pequeno povoado com cerca de cento e poucas famílias. Eles iam lá fazer roça, não moravam ali. Na Serra das Confusões não tinha ninguém. Era completamente vazio, era tudo Mata Atlântica.”

Claro, nada é para sempre. Mas, com desperdício, sem cuidado e preservação, o que pode ir longe, acaba antes. É o caso de nossas águas. Não há rio importante do Brasil que não esteja ameaçado: São Francisco, Doce, Tocantins, Solimões, Negro, Amazonas, Paraguai e todos os outros, correm grande perigo. Achamos que nossas águas são, como nossas matas, uma riqueza. São mesmo. Achamos que podíamos usá-las como quiséssemos, porque estavam aí para isso. Não podíamos. Achamos que nossas águas não acabariam. Podem acabar sim. Como já acabaram os banhos, as lavadeiras, a pesca em tantos rios do Brasil.

O Brasil tem muita água e rios lindos. Mas como doem.

*Conheça o blog Ecopolítica em http://www.ecopolitica.com.br/

* Conheça o blog SOS Rios do Brasil em http://sosriosdobrasil.blogspot.com

É preciso muita discussão em relação a construção de PCHs

Aumentar a planta energética brasileira… A qualquer custo?  Após eu falar sobre a construção de uma PCH no rio Meia Ponte, além de um levantamento de 18 possíveis pontos de construção de outras PCHs ao longo do rio, achei oportuno um texto que encontrei  no site do projeto Manuelzão UFMG que explica um pouco sobre o problema e o porquê deve-se reavaliar os procedimentos para as licenças prévias concedidas para esse tipo de empreendimento.

Ampliar a discussão

Reavaliar os procedimentos de liberação da Licença Prévia para Pequenas Centrais Hidrelétricas é fundamental para reduzir impactos nas Bacias


Boa alternativa? Implantação da PCH no Rio Pardinho transformará potencial turístico em elétrico. (Foto: Alex Mendes)

Situado na Bacia do Rio das Velhas, o Rio Pardo Pequeno ou Pardinho nasce na Serra Tromba Danta, próximo aos distritos de Sopa e Guinda, em Diamantina. Ele passa pelas cidades de Gouveia, Monjolos, Santo Hipólito até desaguar no Rio Pardo Grande, afluente do Rio das Velhas, na divisa dos municípios de Monjolos, Santo Hipólito e Augusto de Lima. Ao longo de seu caminho, o Rio forma pequenas praias de águas calmas, locais ideais para banho. Além disso, há também cachoeiras como a do Candonga e do Bueno. Completando a paisagem, florestas ciliares e campos.

Tudo isso pode estar ameaçado com a construção da Pequena Central Hidrelétrica no Rio Pardinho, a PCH Serra das Agulhas. A barragem da central ocuparia regiões de Diamantina, Monjolos e Santo Hipólito, inundando uma área total de 62 hectares. Sua implantação provocaria mudança na qualidade das águas, alteração da vazão do Rio, erosões, assoreamentos, retirada de parte da vegetação, destruição de habitats, além de afetar diretamente uma Área de Preservação Ambiental, a APA Quebra-Pé.

No dia 14 de outubro foi realizada em Diamantina uma reunião da Unidade Regional Colegiada Jequitinhonha do Conselho Estadual de Política Ambiental (URC Jequitinhonha), que entre outros temas, discutiu a liberação de uma Licença Prévia para a instalação da PCH Serra das Agulhas. A licença, que aprova a viabilidade ambiental e locacional do empreendimento, é dada pela URC local. Antes era o Conselho Estadual de Política Ambiental que fazia isso, mas em 2007 houve a descentralização dessas decisões, cabendo às Unidades Regionais aprová-las.

O Projeto Manuelzão participou da reunião, apontou problemas do empreendimento, mobilizou ONGs locais para a discussão e conseguiu apoio do Ministério Público para intervir no processo da PCH. Durante o encontro, o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, defendeu a importância dos projetos das URCs serem desenvolvidas conforme Bacias Hidrográficas. Atualmente, as Unidades Regionais respondem por áreas delimitadas por regiões de cidades pólo e não necessariamente por Bacias. Dessa forma, os impactos ambientais provocados não são pensados na lógica das Bacias, mas sim em uma pequena região.

Outra incoerência ligada à aprovação da Licença Prévia é a legislação aplicada. Segundo o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Rogério Sepúlveda, as URCs se apoiam na Lei da Política Nacional de Meio Ambiente, que estabelece padrões para o desenvolvimento sustentável, mas não consideram a Política Nacional ou Estadual de Recursos Hídricos. Essas duas últimas cuidam da gestão dos recursos hídricos e são empregadas pelos Comitês de Bacias Hidrográficas. Ele observa que projetos como esse da PCH Serra das Agulhas também deveriam ser analisados pelos Comitês, visto que o principal recurso em jogo no empreendimento é a água.

A próxima reunião da URC Jequitinhonha será realizada no dia 11 de novembro, em Diamantina, quando a discussão sobre a construção da PCH Serra das Agulhas será retomada.

Por: Assessoria de comunicação – Projeto Manuelzão UFMG

Publicado em: 22/10/2010

 

Ações para revitalização da bacia do rio das Velhas possibilitam o uso de suas águas até mesmo para abastecimento

Rio das Velhas em sua passagem por Funilândia (Foto: Marcelo Andrê)

Solução que vem do Velhas

Sete Lagoas pode contar com captação do Rio das Velhas para melhorar o abastecimento de água.

Fonte: Projeto Manuelzão – UFMG

Apesar de o nome nos remeter à abundância de água, o município de Sete Lagoas possui deficiências quanto ao abastecimento do recurso. A coordenadora do Subcomitê de Bacia Hidrográfica do Ribeirão Jequitibá e moradora da cidade, Eloise Guimarães, afirma que há falta de água em alguns bairros: “sei de colegas que tem que ir à casa de parentes no fim do dia para tomar banho”.

Atualmente, toda a água que abastece Sete Lagoas é captada no subterrâneo por meio de poços profundos, contabilizando ao todo 96. Segundo a engenheira do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sete Lagoas (SAAE), Maria Fátima L’Abbate, a dependência exclusiva de águas subterrâneas é preocupante, já que o município está localizado em uma região cárstica e não há ainda um conhecimento real da situação do subsolo. Para uma maior segurança, o SAAE fará um estudo hidrogeológico que além de apresentar as condições do solo e a disponibilidade de água no subterrâneo, servirá para regularizar poços que ainda não foram outorgados junto ao Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais.

A alternativa encontrada para não depender dos poços é implantar um Sistema Misto de abastecimento, que contará com captação da água do Rio das Velhas. Segundo o SAAE, a água será captada no município de Funilândia, na região do médio Velhas, onde haverá também uma Estação de Tratamento de Água. Diferentemente das que serão captadas do Velhas, as águas retiradas do subsolo não passam por um tratamento, apenas por um processo de cloração.

O projeto, orçado em cerca de 70 milhões, ainda será licitado e é parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal para Sete Lagoas. Ele será financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) juntamente com a Prefeitura. De acordo com Maria Fátima, o Sistema Misto vai atender a 378.000 habitantes, trazendo um “alívio” para o aquífero subterrâneo e garantindo sua recarga.

O coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, sugere que a água seja captada não em Funilândia, mas sim no trecho do Rio Jequitibá em que o esgoto de Sete Lagoas é lançado. Essa seria uma forma de pressionar o município a tratar o esgoto, visto que a cidade não possui nenhuma Estação de Tratamento.

Por: Assessoria de comunicação

Publicado em: 15/10/2010

Chegou a hora de cumprir a promessa

Chegou a hora de nadar…

Em Santo Hipólito, dia 14 de agosto, sábado, às 11 horas, a coordenação do Projeto Manuelzão e autoridades estaduais e municipais de Minas, vão cumprir a promessa de nadar no Rio das Velhas

O evento marca o encerramento da Meta 2010 e lançamento da Meta 2014. Ainda temos muito a conquistar, mas vamos comemorar o que já foi alcançado com muita luta e propor, oficialmente, novas ações para dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Projeto Manuelzão.

Fonte: Projeto Manuelzão.

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