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Posts Etiquetados ‘Recuperação’

Você sabe como funciona a autodepuração em rios?

Você já se imaginou tomando banho no rio Tietê depois de São Paulo? E tomando a água do rio depois de tratamento? Nem pensar? Você já ouviu falar em um processo chamado autodepuração? Não? Então é hora de mudar seus conceitos!

Não é porque usamos TV 3D, Ipad, Iphone, GPS ou uma porção de tranqueiras eletrônicas que não somos ignorantes em assuntos tão simples, não é mesmo?

Eu particularmente possuo amigos que não teriam coragem nem de passar perto de um rio que já recebeu algum tipo de poluição, mesmo que ele já esteja bem longe da cidade que lhe causou problemas e que seja assegurado através de testes que a água já voltou a ter qualidade. Isso é por desconhecimento ou puro preconceito. O problema maior é que a maioria das pessoas não conhecem, admitem, ou querem admitir que a natureza é capaz de se curar das agressões que o homem imprime nela. A natureza é sábia! Abaixo eu vou explicar como funciona o conceito da autodepuração de cursos d’água.

Antes de iniciar, vamos ver os seguinte conceitos:

Processos AERÓBIOS: Os organismos processam a matéria orgânica em um ambiente com presença de oxigênio. Nas estações de tratamento de esgoto por exemplo, o oxigênio pode ser conseguido via aeração forçada. Nos rios, através de quedas d’água, corredeiras, fotossíntese de algas.

Processos ANAERÓBIOS: Ocorre na total ausência de oxigênio (O2), os microrganismos degradam a matéria orgânica em
ANAEROBIOSE.

MICROORGANISMOS
AERÓBIOS – Bactérias, fungos, protozoários, rotíferos.
ANAERÓBIOS – Praticamente apenas bactérias.

Figura 1

Agora prestemos atenção nos gráficos abaixo:

No exemplo acima, são mostrados alguns gráficos que demonstram como um corpo d’água pode sofrer um processo de recuperação durante se curso.  O primeiro gráfico fala sobre o oxigênio dissolvido ( OD ), o segundo mostra-nos sobre a Demanda Bioquímica de Oxigênio ( DBO ) e sobre a presernça de substâncias como nitratos e nitrogênio amoniacal. Em corpos d’água muito poluídos a DBO é alta. O terceiro gráfico nos mostra a concentração de organismos como bactérias e fungos a partir do momento que o curso d’água recebe um lançamento de esgoto.

Abaixo nós temos os mesmos gráficos sobrepostos e que demonstram como os organismos do local, como peixes se comportam quando do lançamento de esgotos.

Figura 2

LEGENDA
Clean Zone = Zona Limpa
Decomposition Zone = Zona de Degradação
Septic Zone = Zona de Decomposição Ativa
Recovery Zone =  Zona de Recuperação
Biological Oxygen Demand = Demanda Bioquimica de Oxigênio ( DBO )
Dissolved Oxygen = Oxigênio Dissolvido
Types of Organisms = Tipos de Organismos

Na Zona Limpa é possível encontrar uma maior diversidade de organismos, geralmente são peixes que não toleram poluição e necessitam de uma maior quantidade de oxigênio. Na zona de degradação, a diversidade de organismos diminui e dá lugar a, por exemplo, peixes resistentes a poluição. Na zona de decomposição ativa os peixes praticamente desaparecem, dando lugar a bactérias e fungos, muitas vezes o lugar tem seu oxigênio reduzido a zero, e uma grande quantidade de bactérias anaeróbias dominam a área.

Exemplo Prático

Utilizarei como exemplo prático para explicar os gráficos  o rio Meia Ponte em Goiás. O Rio Meia Ponte, nasce nos municipios de Itauçu e Taquaral, percorre cerca de 471 Km até sua foz no rio Paranaíba. O ponto mais crítico do rio é quando ele entra na região metropolitana de Goiânia. Após a captação de água para tratamento, o rio começa a receber esgotos domésticos e industriais sem tratamento num trecho de mais de 30 Km na região.

O esgoto possui uma alta DBO, ou seja ( Demanda Bioquímica de Oxigênio) o que representa que os organismos aeróbios necessitam de oxigênio para processar a matéria orgânica. Se existe abundância de alimento, a quantidade de bactérias, fungos e protozoários aumenta consideravelmente, conforme o terceiro gráfico da Figura 1. Podemos concluir que o rio fica dentro das zonas de degradação e de decomposição ativa durante todo percurso em sua passagem pela região. Em certos pontos da cidade, o rio chega a ter zero de oxigênio dissolvido em suas águas, são trechos praticamente mortos, onde nenhum organismo que depende do oxigênio consegue se manter. Nesses pontos, existe predominância de bactérias anaeróbias, que são responsáveis pelo mau cheiro característico de corpos d’água poluídos.

Situação do rio Meia Ponte na região metropolitana de Goiânia, águas cinzas, fétidas e com muita espuma. O período que a foto foi tirada é de estiagem, época em que a vazão do rio esta mais baixa

O Meia Ponte após a ponte da rodovia GO 020 atinge seu ápice na zona de decomposição ativa, é a partir desse ponto também que o rio vai deixando de receber os esgotos da região. O último ponto que ainda tem uma certa representatividade é o ribeirão Santo Antônio um pouco mais a frente. Durante um trecho de cerca de 52 Km, o rio fica num misto de zona de decomposição ativa com zona de recuperação. Muitos fatores contribuem para uma recuperação rápida do rio, podemos ai incluir: vazão, velocidade da água, outros corpos d’água não poluídos que contribuem com suas águas limpas e oxigenadas, raízes de árvores da mata ciliar e ausência de novos lançamentos de esgoto.

Na ponte do terêncio, que liga os municípios de Hidrolândia e Bela Vista, o rio já apresenta características bem melhores, ainda está na zona de recuperação, que se estende até o lago de rochedo, onde a matéria orgânica, já mineralizada, é aproveitada por algas, repolhos d’água e  aguapés, além de sofrer um processo de decantação provocada pelo lago.

Esse é o rio Meia Ponte em Rochedo no período de estiagem. As águas nessa epoca são transparentes, meio esverdeadas. Nesse local o rio já apresenta uma melhora siginificativa de suas águas, podemos dizer que já se encontra na zona de águas limpas. Com diversidade de organismos.

Na parte baixa da usina, já após o lago, existem muitos pescadores que aproveitam a abundância de peixes na região, além de familias que vão para o rio nadar.

Eu particularmente já tomei banho em Rochedo, conheço bem o rio em Goiânia, e sei que a diferença das águas do rio na cidade e em Rochedo é gritante, não existe odores e nem algas em excesso nas águas, além daquelas algas cinzas típicas de esgoto.

Esse é o rio Meia Ponte em Pontalina, e meu amigo Castilho como modelo. Essa foto é da mesma época da primeira foto do Post, onde o rio em Goiânia é cheio de espuma e a água é cinza. Nesse ponto não existe cheiro, nem espuma e as águas são bem limpas. Existe grande variedade de peixes.

A cerca de 40 Km desse local, em Pontalina, é possível perceber diversos organismos, chamados de macroinvertebrados bentônicos, que servem de alimento para peixes e que representam um bom indicativo de boa qualidade das águas, estes são encontrados no substrato de fundo (sedimentos, detritos, troncos, macrófitas aquáticas, algas filamentosas, pedras, etc), no caso foram observados alguns organismos do tipo: Hydrophilidae, Psephenidae, Oligoneuridae, Aeshnidae, Gerridae e outros que não identifiquei.

Uma grande diversidade desses organismos representa que o rio apresenta boa qualidade em suas águas

Imaginem um mundo sem os organismos decompositores, os recicladores universais. É através deles que é possível o processo de autodepuração de corpos d’água. Sem decomposição, a vida aqui na Terra seria impossível. O planeta agradece!

Um pedido que faço, para aqueles que moram na região de Goiânia e ficaram curiosos com o assunto, que conheçam o Meia Ponte na cidade e depois se dirijam para Rochedo, para perceberem o quão diferente é o rio nesse lugar. Conheçam também o rio em Pontalina, Aloândia, Goiatuba. A melhor época é entre os meses de Julho e Setembro, quando o rio está mais baixo e a diferença do rio entre Goiânia e esses municípios fica mais clara.

Campanha: Belezas desconhecidas da capital de Goiás

Córrego Água Branca em Goiânia

Comecei com um trabalho para divulgação de alguns lugares em Goiânia e na região metropolitana que são de rara beleza e que deveriam se conservados, caso ainda não sofreram danos, ou recuperados caso o dano já foi feito. Comecei com dois locais, um é o Córrego Água Branca e o outro é o rio Dourados, que apesar de não estar dentro do município de Goiânia, possui alguns afluentes que nascem no município. Vejam e apreciem.

Links:
Córrego Água Branca – http://aguabranca.meiaponte.org/corrego-agua-branca.html

Rio Dourados – http://dourados.meiaponte.org/rio-dourados.html

Em breve mais hotsites de outros locais estarão online.

Se dependemos tanto da água para viver, por que comprometemos nossas reservas?

Foto: Bredgur's ( flickr)

Está cada vez mais difícil achar água potável

Por Vinod Thomas e Ronald S. Parker*

“Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.”

A tarefa de fornecer água de boa qualidade onde ela é necessária está se tornando cada vez mais difícil em todo o mundo. Nas últimas décadas, os países têm feito investimentos em infraestrutura para aliviar a escassez, mas até agora, na maioria dos casos, a resposta a essa questão deixou de considerar o problema suscitado pela deterioração que os recursos hídricos vêm sofrendo. Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.

Em muitos lugares, mesmo onde a água ainda é abundante, a destruição ambiental tornou caro demais o seu uso. Em outros que desfrutam um bom suprimento de água, ela é usada de maneira imprópria. As prioridades podem ficar de tal modo viciadas que, embora as cidades continuem desesperadas à procura de água, agricultores estão irrigando árvores frutíferas ou plantações de algodão no deserto. Ainda menos aceitável é que a água potável esteja sendo usada para manter jardins e campos de golfe, enquanto os pobres urbanos são forçados a pagar caro por ela, a qual compram em baldes.

Por causa disso, cerca de 700 milhões de pessoas em mais de 40 países são afetadas pela escassez. A intromissão humana nos ambientes hídricos é também um problema crescente. Até 2030 a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 75% da população mundial estará vivendo em áreas costeiras, pondo em risco as terras úmidas que ajudam a limpar o ambiente aquático, além de expor centenas de milhões de pessoas aos riscos relacionados com a água associados às mudanças climáticas.

O Banco Mundial é o maior financiador oficial de investimentos em água nos países em desenvolvimento. Os compromissos de empréstimo na última década somaram por volta de US$ 55 bilhões, com a China e a Índia no topo da lista de mutuários, seguidas pelo Brasil e pela Indonésia. Os projetos hídricos, cobrindo da irrigação e da hidroenergia à gestão de mananciais e vias aquáticas interiores, mostraram nos últimos anos maior sucesso do que outros setores na realização de seus objetivos.

Perdura, no entanto, o desafio de atender às atuais necessidades de água e implantar, ao mesmo tempo, estratégias inovadoras para tomar em conta as futuras necessidades. As áreas de ênfase caem em cinco campos principais ao longo do eixo do desenvolvimento aquático e da gestão ambiental.

Primeiro, o grupo que mais sofre a escassez de água consiste de 45 países, dos quais 35 são da África, que tem pouca. É necessário que a sustentabilidade hídrica se torne central nos seus planos de desenvolvimento, com medidas dimensionadas para atender às suas necessidades urgentes. Mesmo países ricos em água, como o Brasil ou a Tailândia, podem vir a enfrentar deficiência, ao caírem os níveis em represas e de fontes naturais.

Segundo, os lençóis aquáticos subterrâneos estão cada vez mais ameaçados por exploração excessiva, fluxos ambientais inadequados e contaminação. O esgotamento mais grave de águas subterrâneas ocorre no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia. Os esforços necessários abrangem monitoramento da qualidade da água, melhoramento dos aterros sanitários e redução da infiltração de águas superficiais contaminadas nos lençóis freáticos.

Terceiro, a restauração de ambientes degradados pode ter grandes impactos. Um projeto de proteção de terras úmidas costeiras no Vietnã, por exemplo, ajudou a reduzir a área de erosão costeira em nada menos que 40%.

Quarto, as Nações Unidas estimam que 1,8 bilhão de pessoas ainda não terá acesso ao saneamento básico em 2015. Será preciso colocar mais ênfase não somente em soluções de baixo custo no saneamento básico, mas também em ligações domiciliares aos sistemas sanitários. Entre os países em desenvolvimento, registrou-se o maior progresso na Ásia oriental.

Quinto, os investimentos em abastecimento de água precisam ser combinados com a gestão da demanda. A agricultura é a maior usuária na maioria das situações, nas quais tecnologias que melhoram a eficiência não são suficientes para melhorar o uso da água. Uma recuperação de custos maior em projetos hídricos seria útil. Estabelecer cotas e forçar o seu uso no consumo de água, um enfoque relativamente recente, merece cuidadosa avaliação.

Mesmo quando são reconhecidas, tem sido difícil converter tais prioridades em ação. Quando os atores-chave se sentam à mesa para negociar a distribuição de água, o meio ambiente fica esquecido. Raramente existe apoio à recuperação de um aquífero em declínio se ainda se pode extrair água dele, à restauração de faixas úmidas protetoras ou à manutenção de um fluxo suficiente num rio, para que a fauna silvestre possa sobreviver e a intrusão salina, ser prevenida.

O apoio político à reforma é muitas vezes dificultado por graves lacunas na compreensão da situação hídrica de um país. Melhores dados, monitoramento sistemático e divulgação dos achados são essenciais para a mobilização de recursos e a ação. O compartilhamento de conhecimentos apoia, assim, os desembolsos financeiros e possibilita melhores resultados no terreno.

Uma maneira de abrir uma janela de oportunidade seria apoiar processos de monitoração que mandam informações relevantes aos interessados públicos e privados. O exemplo do Brasil mostra que, tornando dados de água disponíveis para o público na internet, isso ajuda a aumentar a preocupação dos interessados, o que também ajuda a mobilizar a vontade política necessária para confrontar problemas de águas arraigados.

*Respectivamente, diretor-geral e consultor no grupo independente de avaliação do banco mundial (Washington D.C.). Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo.

(Envolverde/Instituto Akatu)

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Dica do  BLOG SOS RIOS DO BRASIL

Portal da bacia do rio Meia Ponte – MeiaPonte.Org

Está no ar há cerca de 2 meses o portal da Bacia do Rio Meia Ponte, o MeiaPonte.Org.  Nele você encontrará fotos, reportagens, videos, diário de bordo, e tudo o que se refere a bacia de um dos rios mais importantes, porém, mais maltratado do estado de Goiás.

http://www.meiaponte.org

Mundo paralelo – O médico e o rio

Deixamos o córrego doente

O rio procura um médico para que este lhe dê o diagnóstico de sua doença. Como de praxe, o rio descreve os sintomas de seus problemas.

Rio - Bom dia sr. doutor, a vida tem sido difícil pra mim, tenho tido crises terríveis de inundação, mal cheiro e depressão.

Médico – bom dia sr. Rio, nossa! Que lástima você se encontra, de longe eu já percebi que a coisa não estava muito boa para o seu lado.

Rio – Então é grave doutor?

Médico – Pelo visto, muito, muito grave, sua aparência não é nada boa, você está cinza! E aqui nesse ponto a coisa está ainda pior, a doença já concretou seu fundo e suas margens.

Rio – Pois é doutor, vieram umas pessoas ai, dizendo que isso era para meu bem, que eu me sentiria melhor com todo esse concreto ao meu redor, mas não vi melhoras, continuo com muita sujeira, muito lixo e muito esgoto, já me sinto inútil, inválido, maltratado. Em épocas de chuvas sintos dores terríveis, em alguns pontos me autoflagelo, arrasando minhas margens, derrubo minhas companheiras árvores, trago toda sorte de coisas para meu fundo, chamo de minhas crises, não tenho mais prazer quando chove, isso que corre por mim não é nem água mais.

Médico – Essa doença é gravíssima, mas é muito mais comum do que imaginamos, as causas são bem claras, vou descrevendo aqui e você depois me diga se todas conferem: urbanização descontrolada, ocupação desordenada das margens, remoção de mata ciliar, lançamentos de esgotos, lançamento de grande volume de águas pluviais, impermeabilização, erosão, assoreamento, lixo.

Rio – Exato, tudo isso e até um pouco mais, estou mal, não me aguento, meu cheiro é terrível.

Médico – E faz quanto tempo que você começou a sentir que estava doente?

Rio – Há exatos 10 anos, no início os sintomas eram mais brandos, mas a medida que a tal da cidade foi crescendo a doença foi piorando, tornou-se aguda, tenho medo de que se torne incurável.

Médico – Se lhe canalizarem todo, e ainda lhe entubarem, fazendo com que você deixe de existir para as pessoas e animais, presumo que a doença se torne de difícil tratamento, se a cabeça das mesmas pessoas que lhe trouxeram esse mal não mudar, possivelmente esse mal se tornará incurável  enquanto existirem seres da espécie humana ao seu redor.

Rio – Queria apenas voltar a viver como antes, do jeito que estou, doente, também trago doenças para todos, contamino tudo ao meu redor, além do mais estou provocando muitos estragos mais pra frente. Eu não queria causar mal a ninguém, mas como não fazer mal se vocês parecem clamar por isso? Todos esses problemas foram e são causados exclusivamente por vocês, não é minha amiga terra, nem a água, nem a chuva. são vocês.

Médico – Infelizmente eu concordo com o que diz, também sou humano e me sinto culpado por isso que passa, a doença, a angústia, a vergonha. Sinto-me triste, impotente diante dos fatos, mas estou aqui agora, quero te ajudar, eu não tinha a menor vontade de olhar pra você, era uma coisa meio inconsciente, peço também que as pessoas parem uma vez ou outra para lhe contemplar,vejo que se cada um fizer sua parte como cidadão, além de cobrar das autoridades a solução disso daqui vai ser bom para você, e bom para todos. Se hoje elas veêm sujeira, se hoje te escondem é por culpa de todos nós, se isso aqui estiver limpo, poderemos ter lazer, melhorar nossa qualidade de vida e ainda acabar com a doença que lhe acomete.

Rio – Eu adorava as crianças brincando em minhas límpidas águas quando isso daqui ao redor era verde e desabitado, as pessoas passavam os fins de semana aqui, se divertiam, hoje torcem o nariz para mim.

Médico – Esse cheiro ruim é causado por excesso de matéria orgânica, então seus amigos começam a lhe limpar, esses amigos cresceram descontroladamente para comer a matéria e transformá-la em outras substâncias que irão alimentar outros organismos quando você estiver com as suas águas com mais oxigênio, é parte de uma cadeia alimentar. Se mais pra frente não existirem mais lançamentos de esgoto você passa a se sentir melhor, os sintomas ficam menos graves.

Rio – Queria ser maior, quem sabe assim eu teria tempo de começar a me sentir melhor. Mas por enquanto não tem como.

Médico – Por isso lhe digo que nessa conversa isolamos o agente causador, não precisamos de microscópio, nem de exames detalhados, nem de equipamentos caros, os patógenos são os próprios humanos, nós somos a doença, mas também o próprio remédio, se quisermos vivermos em harmonia, podemos e devemos lhe curar.

No ar o portal da bacia do Rio Meia Ponte

Após um longo período de expectativa, estamos colocando no ar um site inédito que pretende fazer um retrato profundo sobre a bacia do Rio Meia Ponte. Já há algum tempo temos trabalhado incessantemente para produzir material de qualidade. Ainda é o começo, tem muita coisa para ser feita. O nosso objetivo é mostrar para a sociedade goiana e porque não para o Brasil, a situação com que se encontrar essa bacia, que concentra em seu território a maior parte da população do estado de Goiás, mas que tem sido tratada com  descaso e desrepeito há muitos anos. O portal conta com imagens de córregos e rios da bacia, notícias, artigos, dicas e muito em breve uma área de educação ambiental. O rio Meia Ponte nasce nos municípios de Taquaral e Itauçu, percorre 471 KM e deságua no rio Paranaíba, sendo portanto parte integrante da bacia do Prata. Para acessar o portal, o endereço é http://www.meiaponte.org

Um inicio de recuperação – Em escala reduzida

Você nadaria no rio Tietê após ele passar pela região metropolitana de Sao Paulo? Não? Águas muito poluídas? Pois saiba
que após algumas centenas de quilômetros o rio possui um elevada qualidade em suas águas. Existem pessoas que nadam, cidades que captam água pra tratar e distribuir a população e uma rica ictiofauna. Mas como? O fenômeno por trás desse feito chama-se autodepuração ou poder de regeneração das águas. São muitos os personagens, bactérias, fungos, protozoários, algas, que formam uma espécie de novo mundo no interior das águas e que promovem uma verdadeira limpeza, numa série de transformações que no momento não vou entrar em detalhes.

O objetivo do post é relatar uma situação que presenciei numa escala muito menor que no rio Tietê e numa distância bem inferior, vamos dizer, de apenas algumas centenas de metros. Abaixo estão algumas fotos do córrego Palmito, aqui de Goiânia, que, devido a um grande vazamento de esgoto, tem suas águas, inicialmente transparentes, coloridas de azul e preto. Eu disse inicialmente, pois, logo abaixo, uma série de pequenas cachoeiras, oxigenam a água e permitem que alguns organismos tratem de consumir a matéria orgânica, então surge uma ernome lagoa que decanta as águas do pequeno córrego, além de promover mais consumo de matéria orgânica. mas o que acontece depois do córrego passar por essa pequena lagoa? Incrivelmente as águas se tornam novamente transparentes, claro que o córrego ainda está poluído, mas a situação se encontra bem mais confortável do que anteriormente estava. Seguindo-o mais um pouco as águas vão melhorando cada vez mais, até que um pouco antes dele cair no rio Meia Ponte, aparece um cano despejando litros e mais litros de esgotos, voltando a destruir o córrego que já dava grandes sinais de recuperação. Uma pena.

Córrego antes de ter suas águas poluídas pelo esgoto. Na imagem é possível observar peixes

Córrego Palmito pouco depois de ter suas águas empesteadas pelo lançamento de uma grande carga de esgoto

Águas pretas após grande lançamento de esgoto

Lagoa que decanta a água e promove consumo de matéria orgânica, por algas, bactérias e outro organismos

Presença de algas verdes. Lago eutrofizado

Cor da água logo após a lagoa

Mais uma imagem do córrego após a passagem por uma segunda lagoa

Quando tudo parecia estar ficando bom, eis que surge um cano, que mata o córrego... de novo.

A verdade única da transposição

Rio São Francisco

Foto: Semarh - SE

Por Washington Novaes

Os recentes despautérios do presidente da República, em sua viagem às obras de transposição de águas do Rio São Francisco – atirando ao fogo dos infernos, de cambulhada, o Judiciário, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério Público, organizações sociais, científicas e religiosas, até bispos -, levam a temer que tanta pretensão à verdade única e incontestável possa conduzir a conflitos institucionais muito graves. Ou ao ridículo, já configurado em charge do cartunista Jorge Braga, do jornal O Popular (25/8) de Goiânia, que retratou o chefe da Nação ouvindo o preço de Judas por seu apoio: “Trinta dinheiros do mensalão.”

A repercussão das falas presidenciais, entretanto, parece haver deixado em segundo plano a questão específica do projeto de transposição, já executado em cerca de 15%, apesar dos argumentos alinhavados há mais de dez anos por muitos especialistas, que apontaram alternativas mais adequadas para os problemas que a transposição supostamente resolveria – argumentos desqualificados pelo presidente e por alguns de seus ministros e ex-ministros como fruto de “má-fé”, “ignorância”, “irresponsabilidade” e por aí afora. Ao longo dos 12 anos em que ocupa este espaço, e mais alguns antes, o autor destas linhas apontou – sem resposta – muitas dessas questões, desde que projeto semelhante, do ex-ministro Aluizio Alves, no início da década de 1990, foi inviabilizado por um parecer do TCU.

Ainda assim, voltou à cena logo no primeiro ano do atual governo. Especialistas do porte dos professores Aldo Rebouças, Aziz Ab”Saber, João Suassuna, João Abner e muitos outros mostraram que se tratava de um mau caminho, já que o problema de água nas regiões a serem beneficiadas não era de escassez, e sim de má gestão – pois existem ali, em 70 mil açudes, nada menos que 37 bilhões de metros cúbicos (m3) de água (sem redes que os distribuam), quando a transposição levará 2,1 bilhões de m3, mas também sem redes de distribuição para as áreas isoladas, mais carentes. Nada menos que 70% da água se destinará a projetos de irrigação e 26% ao abastecimento de cidades. Além do mais, a disponibilidade de água no Nordeste setentrional é de 220 m3 por segundo, para um consumo humano e industrial de 22 m3/segundo; e será de 131 m3/segundo o consumo na irrigação previsto no projeto (226 mil hectares). Não bastasse, o Comitê de Gestão da Bacia do São Francisco – que conhece de perto a área -, por 44 votos a 2, condenou o projeto, que considerou “centrado em grandes obras, desconectadas de uma visão mais ampla e adequada do semiárido” e que se destinariam a beneficiar essencialmente grandes projetos de exportação de grãos e frutas.

Leia reportagem na integra clicando nesse link

Site do Planet Green – Discovery Channel

planet_green

Sempre gosto de compartilhar aqui no blog algumas coisas interessantes que encontro. Não poderia ser diferente no caso do site do Planet Green. Achei muito interessante o conteúdo e a forma como os assuntos são abordados. Para quem quiser conhecer, entre no site no link Planet Green

Alteração no código florestal permitirá plantio em encostas

Plantação

Plantio em encostas vai ser legalizado

Alteração no Código Florestal é consenso entre pastas do governo

“O mais importante é que estamos resolvendo questões relativas a 95% de todas as propriedades rurais do País. Não é pouca coisa”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

João Domingos, BRASÍLIA
Sábado, 24 de Outubro de 2009

O pacote ambiental que o governo pretende baixar, por meio de decreto e medida provisória, procura resolver um problema secular, que vinha tirando o sono de muitos pequenos e médios agricultores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso, que plantam mate, maçã, uva, café e arroz nos morros, nas encostas e nas várzeas. Desde que essas áreas estejam consolidadas, o plantio poderá continuar a ser feito.

Plantio em encostas vai ser legalizado

O Código Florestal vigente proíbe o uso das áreas por considerá-las de proteção permanente (APP). Por isso, o código terá de ser modificado por uma medida provisória.

“O mais importante é que estamos resolvendo questões relativas a 95% de todas as propriedades rurais do País. Não é pouca coisa”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “O plantio de culturas lenhosas nos morros e encostas, que vai ser regularizado, ajudará a conter erosões e deslizamentos”, afirmou.

“E as pequenas e médias propriedades poderão ainda usar as APPs para compor a sua reserva legal. Por exemplo: no Paraná e em Santa Catarina, uma propriedade de 150 hectares, que necessita de 30 hectares de reserva legal, poderá usar esses 30 hectares das margens de rios e encostas para compor a reserva”, afirmou o ministro.

“Com a autorização para que os proprietários que desmataram mais do que o permitido possam comprar cotas de quem desmatou menos do que o permitido, estaremos recompensando aquele que preservou”, disse ainda Minc. “Portanto, quem não desmatou vai receber por isso.”

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que, ao propor o pacote ambiental para o setor rural, a decisão do governo foi a de preservar o meio ambiente, oferecendo soluções para problemas e situações que poderiam pôr cerca de 3 milhões de pequenas e médias propriedades na ilegalidade.

“Existem agricultores que há 50 anos tiveram autorização da lei para ampliar as áreas produtivas. Eles não desmataram ilegalmente. Mas, quem desmatou ilegalmente, nós não vamos defender”. Stephanes foi um dos que mais lutaram dentro do governo para que a legislação trate de forma diferenciada pequenos e médios agricultores que agiram dentro da lei.

Stephanes também disse que o Código Florestal contempla todo o território nacional, mas não considera as diferentes realidades nem as regiões nas quais a agricultura se instalou há décadas.

Por isso, defendeu as mudanças. “Se as normas forem cumpridas à risca, a metade das propriedades rurais do Centro-Sul do País, no qual a agropecuária está consolidada, está ou estará fora da lei”, completou. Fonte: O Estadão – Manchetes Socioambientais.

 

Via Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

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