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A importância das Matas Ciliares

Rio Meia Ponte no município de Pontalina GO. A Mata ciliar em alguns pontos do rio ainda se apresenta conservada.

O que é uma mata ciliar

É um tipo de cobertura vegetal nativa, que fica às margens de rios, igarapés, lagos, nascentes e represas. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem muito importantes para a proteção de rios e lagos tal como são os cílios para nossos olhos. As matas ciliares também são conhecidas como mata de galeria, vegetação ribeirinha ou vegetação ripária.

As matas ciliares são fundamentais para o equilíbrio ecológico, oferecendo proteção para as águas e o solo, reduzindo o assoreamento e a força da águas que chegam a rios ,lagos e represas, mantendo a qualidade da água e impedindo a entrada de poluentes para o meio aquático. Formam, além disso, corredores que contribuem para a conservação da biodiversidade;fornecem alimento e abrigo para a fauna; constituem barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças da agricultura; e, durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que afetam o planeta.

A mata ciliar funciona até mesmo como uma peneira, retendo materiais como plásticos entre as raízes das plantas.

 

Mais plástico escondido entre as matas ciliares. A urbanização aliada a falta de consciência da população cria uma nova possibilidade para essas matas, a de reter lixo.

 

Em Regiões com problemas de desequilibrio ecológico a mata ciliar não é capaz sozinha de impedir a erosão das margens, ela apenas ajuda. Rios em processo de assoreamento tendem a sair de seu leito com mais facilidade durante as chuvas, provocando inundação e solapamento das margens. As árvores não resistem às contantes agressões sofridas e terminam por serem levadas pela força das águas e a falta de superficie de sustentação.

Exemplo de como a ausência de mata ciliar, nesse caso substituída por pastagens, gera um problema de assoreamento sério. Nesse ponto a profundidade do ribeirão Santo Antônio não ultrapassa a altura dos joelhos.

 

Área sem mata ciliar. No detalhe podemos perceber uma árvore que não resistiu a erosão nas margens do rio. Provavelmente esse local é acesso para que o gado possa matar a sede.

Matas ciliares são consideradas áreas de proteção permanente. Uma área de proteção permanente segundo o código florestal é:

área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

O código florestal brasileiro determina uma distância mínima que deve-se manter da mata ciliar nas margens de um rio. Sendo:

1 – de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;

2 – de 50 (cinquenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;

3 – de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;

4 – de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;

5 – de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;

Ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais;

Nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura;

Muitos fazendeiros, no intuito de facilitarem a chegada do gado até a beira do rio ou lago, retiram a vegetação em sua totalidade, além da ausência de proteção para o solo, o pisoteamento do gado facilita o processo erosivo e por consequência a entrada de sedimentos para as águas.

Área para acesso do gado, no detalhe percebemos uma vaca que se assustou com nossa presença.

 

É bem interessante conhecer bem de perto o tipo de vegetação que fica próximo às margens dos rios, as árvores parecem formar camadas de proteção, como numa exército que fica organizado de forma a enfrentar uma batalha, cada qual com sua função. Quanto mais próximas as árvores ficam das águas, mais suas raizes são mais superficias e em maior quantidade. Em alguns casos temos uma vegetação espinhosa e com muitos ramos, formando um entranhado como num tricô. Quanto mais se afasta da margem do rio, mais a vegetação vai se tornando um pouco diferente, com raizes mais profundas e com árvores maiores, como se a função fosse freiar as águas que descem dos pontos mais altos.

Cipós, ramos e raízes são o esquema de proteção da vegetação das margens.

 

 

Vegetação protege margens com esquema complexo de raízes.

Por que alguns fazendeiros destroem as matas ciliares?

A maior umidade das várzeas e beira de rios permite melhor desenvolvimento de pastagens na estação da seca e, por essa razão, os fazendeiros recorrem a essa opção mais simples.

Alguns produtores também desmatam para que os igarapés aumentem a produção de água no período de estiagem. Esta realidade deve-se ao fato de as árvores deixarem de “bombear” água usada na transpiração das plantas. Contudo, pesquisas mostram que esta prática, com o tempo, tem efeito contrário, pois com a ausência da mata ciliar ocorre um rebaixamento do nível do lençol freático (de água)

No ambiente urbano, a impermeabilização do solo, provocada pelo asfalto, telhados, calçamento das residências e comércio, geram uma condição trágica para a manutenção das matas ciliares. O governo municipal na tentativa de resolver o problema de inundações constroi as bocas de lobo que direcionam o fluxo das águas pluviais para galerias que desembocam nos córregos e rios urbanos. O efeito disso é um fluxo intenso de água com muita energia para o manancial durante uma tempestade, seu leito não suporta e tende a solapar as margens, provocando a queda das árvores que se encontram próximas. A solução é a canalização do córrego, ou seja, é a substituição de uma mata de galeria por concreto ou por pedras amarradas que além de ser esteticamente feio, provocam a “morte” do córrego ou rio.

Córrego Cascavel em Goiânia. Problema sério de erosão nas margens que compromete construções que estavam longe da margem do córrego. A solução encontrada pelo governo foi a de canalizar esse local.

 

Memórias ambientais

Foto: Agência de Notícias do Acre

Interessante como são as coisas. Recentemente estive relembrando umas memórias de quando eu era criança. Dentre essas memórias teve uma que me marcou bastante. Na época não existia essa questão de conscientização ambiental, não se falava sobre isso nas escolas, não havia um clamor para que salvassemos o planeta ( na verdade temos que salvar a nós mesmos).  Lembro-me bem que eu e dois primos fomos a passeio para uma fazenda, nas proximidades do município de Trindade em Goiás. Lembro-me vagamente de um pessoal branco, com feições de paranaenses que eram os proprietários da fazenda, recordo-me também de uns pés de maracujá que haviam lá. Agora o que realmente foi marcante era um córrego que passava na  propriedade e que havia sofrido um verdadeiro cataclisma. A mata ciliar do local foi toda destruída, haviam árvores caídas para todos os lados, foi nessa época que conheci uma semente chamada “Olho de boi”. No auge de minha inocência nem me passou pela cabeça do tamanho do crime que havia sido cometido no lugar, somente hoje, depois de uns 20 anos que eu realmente me toquei. Novamente eu fico pensando, o tanto de crimes que foram cometidos contra rios, córregos e especificamente contra o Cerrado aqui no estado de Goiás nesses últimos 20 anos que passaram batidos das autoridades ambientais. O que acho bom é que hoje em dia as crianças já são conscientizadas desde o berço em muitos casos, acredito que elas serão responsáveis por resolver muito da lambança que foi feita por nossos pais, avós, bisavós e por ai vai. Gostaria de pedir a todos que se observarem um crime ambiental, não deixem de denunciar, seja para o Ministério público ou o orgão ambiental de sua cidade ou estado, é muito simples e rápido.

De nada adianta brigar, o trânsito sempre fala mais alto

Foto: Rodrigo Soldon

Primeiro foram os pioneiros dessa cidade, trataram logo de passar o facão, trator, carro de boi, o que for, por cima das áreas de várzea e matas ciliares dos córregos da capital, a marcha para o oeste, a construção de Brasilia, trouxeram mais e mais pessoas para a capital do estado. Pedro Ludovico havia projetado uma cidade para não mais do que 50 mil habitantes, hoje Goiânia e região metropolitana possuem mais de 1 milhão e 400 mil pessoas, e esse número não para de crescer, e cresce exponencialmente. Toda essa quantidade de pessoas tem criado uma absurda pressão principalmente sobre os recursos naturais da cidade, de recursos digo principalmente os córregos e rios.

No passado, com ausência de fiscalização, as invasões sobre as margens dos córregos, inclusive de pessoas endinheiradas, provocou a privatização de diversas áreas na beira de córregos e rios, que segundo o código florestal deveriam estar protegidas, mas só no papel estão, por que o que se vê atualmente na cidade é um verdadeiro festival de privatização de áreas públicas justamente em lugares onde não deveria existir uma única construção.  A destruição das matas ciliares corresponde  apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior, imenso. A medida que os bairros avançam, a infraestrutura básica é instalada: água, energia, asfalto, galeria de água pluvial, as vezes rede de esgoto. Vamos então nos concentrar no asfalto e na galeria pluvial.

Asfalto pode representar alivio, fim da grande quantidade de poeira, casa limpa, bem arrumada, mas por outro lado também representa impermeabilização, mais calor e mais N valores agregados que cito entre eles o sujeito que vendo-se livre da terrona nas ruas trata de cimentar todo seu quintal, pra manter segundo ele, tudo mais limpo, em resumo, mais asfalto, mais cimento em casa, mais água nas ruas quando vem a chuva. Resultado disso? Inundação, mas pra onde vai toda essa água quando ela passa pela rua? Exatamente, para os córregos e rios. Mas perai, será que eles estão preparados para receber tamanha quantidade de água? Temos ai mais um problema, muitas vezes a cidade não dispõe de rios ou córregos preparados para receber tamanho volume de água, a partir do momento que as galerias são direcionadas até eles, estes passam a adaptar um novo leito, o resto de mata ciliar que ainda existia é consumido, tragado pra dentro do rio, e o que dizer das construções que ficam a beira? Pobres, ricos, sem distinção que fizeram suas casa justamente onde não deveriam, também são consumidos, a não ser claro que o poder público, além de ter permitido a usurpação desses lugares, passa a dar a devida manutenção para que tudo não desça rio abaixo. É muito comum encontrar dentro de córregos pedaços inteiros de muros, ou outros pedaços de construções que foram embora em alguma chuva mais forte, ou simplesmente pessoas que no desespero jogaram restos de construção dentro do córrego, além de não adiantar nada, compromete ainda mais o interior do mesmo, quanto mais comprometido esta o leito do córrego, mais ele avança nas laterais.

Pois bem, além das galerias pluviais servirem como verdadeiras mangueiras de altíssima pressão durante a chuva, elas também passam a servir como condutoras de sujeira em lugares não servidos de rede de esgoto. Algumas pessoas não constroem fossa séptica e então fazem ligações clandestinas nas galeria de água, o esgoto então desce redondo pra dentro do córrego. Então recapitulando, já listamos aqui os seguintes problemas: Retirada de mata ciliar, urbanização desordenada com invasão das margens dos córregos, impermeabilização do solo com consequente aumento do volume de águas que chegam ao córrego e por isso as erosões e aumento da “caixa” do manancial, além de muito lixo que chega pelas galerias, e entulho, muito entulho que as empresas não sabem pra onde levar, pois não existe área de triagem e reciclagem do entulho de construção aqui na cidade, pra se ter uma idéia a prefeitura gasta mais removendo entulhos de lotes vagos e beiras de córrego do que se tivesse a reciclagem em funcionamento, além do que os entulhos que seguem para o aterro sanitário comprometem a vida útil do mesmo.

Como consequencia da maioria das coisas descritas acima, temos o maior vilão de todos, mas infelizmente esse é vangloriado pela maior parte da população que só conhece os beneficios, desprezam os malefícios do mesmo, o nome? Canalização.

Pois bem depois de acabar completamente acabar com o córrego dentro da cidade eis que surge a canalização que promete mundos e fundos, alhos e bugalhos, retira-se os invasores das margens do córregos, faz-se a correção de seu curso, cria-se paredes de concreto super resistentes a infiltração ou erosão, concreta-se o fundo do rio para evitar infiltração por baixo, acaba-se, em muitos casos, com nascentes que abasteciam o córrego, além de aumentar a evaporação do mesmo, após tudo isso decreta-se o fim do córrego, que passa a ser chamado de canal, vão-se embora os peixe, se ainda existirem, aumenta-se a velocidade do córrego e aguarda-se até o dia do volume de água ser tão grande que o córrego sai como um míssel de sua calha destruindo tudo o que está ao redor.

Porém, existe uma vantagem nisso, constroe-se uma marginal ao lado do córrego, facilita-se o fluxo dos carros, o trânsito desafoga. Alegria para o goianiense que passa a ter mais uma via de acesso rápido e pouco se importa para o que corre no centro de tudo aquilo. Além da canalização na  maioria dos casos ser um grande problema, a solução que ela aplica é apenas paliativa visto que as montadoras de automóveis querem vender, as concessionárias querem vender, e o morador da cidade quer ter um veículo para se locomover pela cidade diante de um transporte coletivo falido, em meio a um trânsito cada dia mais caótico, resultado? Em pouco tempo a marginal que inicialmente tinha o trânsito rápido passa a também se congestionar, ou seja, obras como essas expiram, nunca se ataca o problema na raiz, a cidade gira em torno do trânsito, e coloca a qualidade de vida dos habitantes lá embaixo. Se fosse em prol da conservação de rios e córregos, com certeza se pensaria em maneiras mais viáveis de se crescer uma cidade sem destruir tanto suas belezas e riquezas naturais. E ainda falam que Goiânia é primeira e qualidade de vida, tenho medo de pensar nas outras cidades.

Goiânia, uma cidade pouco ambientalmente correta.

Situação da Margem de córrego em Goiânia

Sim, é isso mesmo, a capital do estado de Goiás está longe de ser uma cidade ambientalmente correta. Pode-se dizer que as coisas aqui melhoraram sensivelmente nos últimos anos, mas está longe, muito longe mesmo do ideal. Os parques, aparentemente, trazem uma melhora da qualidade de vida na cidade, na frente dos panos tudo está uma maravilha, e por trás como está? As coisas estão indo de mal a pior. Nosso córregos agonizam, as nascentes secam, as árvores, outrora frondosas na época de Pedro Ludovico, desapareceram. Não é necessária nem uma mão para contar nos dedos a quantidade de córregos em Goiânia que possuem sua cobertura vegetal original ou mesmo alguma cobertura vegetal que não seja capim. Triste constatar que até mesmo nascentes são aterradas, dando lugar a plantações, pastagens ou construções. Pobres córregos de Goiânia, faziam a alegria dos primeiros moradores da capital, hoje em dia são alvo do desprezo, da poluição, do abandono, da depredação.

Urbanizar tornou-se sinônimo de destruição, não é possível coexistir córrego limpo, bem cuidado com residencias, ruas, praças. Vem o asfalto trazendo com ele a impermeabilização e as galerias de água pluvial, que por sua vez trazem uma carga de água que o córrego não consegue assimilar, provocando erosão e assoreamento, somam-se a isso o lixo das ruas e por fim esgoto, ligado clandestinamente nos canos destinados unica e exclusivamente para escoamento da água da chuva. Além desses ingredientes, temos a ocupação das margens, com a retirada da cobertura original e a degradação das nascentes ao longo do córrego que com o tempo tornam-se temporárias ou simplesmente desaparecem. Os parques de certa forma protegem as nascentes de alguns córregos, o problema é que a proteção fica apenas no perímetro do parque, já fora, a realidade é outra, bem mais cruel.

Em virtude das erosões, a situação das margens da maioria dos mananciais em Goiânia esta tão critica, que é necessária uma intervenção urgente para que os córregos, na tendência natural de corrigir seus leitos, não invadam ainda mais as laterais, que hoje em dia estão ocupadas por muros e casas de pessoas que acham que o problema está no córrego e não no local que elas escolheram para construir. O problema é que sempre trazem soluções mais baratas ou simplesmente mais rápidas, como gabiões ou canalização do leito. O que descaracteriza completamente o córrego e provoca sua morte simbólica, porém tão dolorida quanto a real, tranformando-o apenas em um simples canal que leva a água que nasce de um ponto ao outro em sua foz.

Mas, de todos os problemas o maior deles esta realmente na cabeça da população, que não é educada a admirar seus rios ou córregos. A correria do dia a dia as impede de apreciá-los e com isso ninguém se importa quando joga-se lixo ou esgoto neles, retira-se a mata da margem ou se concreta seu fundo e suas laterais, muitas vezes a população até aplaude esse feito, claro que iludida pela mídia ou governo que chama o processo de reurbanização do vale do córrego X.

Goiânia é uma bela cidade, mas só por fora, por dentro ela é feia, é suja, é insalubre e doente. Goiânia, deve sim ser reconhecida pelo seu meio ambiente, mas como um todo, não só através de parque isolado, mas através da interligação das subbacias hidrográficas do município, criando nas margens dos córregos parques lineares que se estendem por toda sua extensão, trabalhando a questão do lixo, punindo severamente aqueles que fazem ligações clandestinas de esgoto e fazendo estudos para saber a capacidade máxima de água que um córrego pode suportar a cada chuva, fazer cumprir a lei para que o terreno tenha  área mínima permeável, para infiltração da água pluvial , ou pelo menos a caixa para reter água da chuva, e tudo mais que possa ser feito para que a água não fique apenas na superficie, mas vá para o solo e recarregue as nascentes. Nossos córregos precisam de ajuda, ou os protegemos ou os perderemos, enclausurando-os em canais de cimento, que mais lembram cemitérios de córregos.

P.S: Apesar de alguns esforços que tem sido feitos para corrigir esses problemas, eles não tem sido nem de longe suficientes.

Por que áreas verdes são importantes nas propriedades rurais

Áreas de preservação ou áreas verdes obrigatórias em meio a plantações

Pesquisadores destacam que áreas verdes obrigatórias são úteis ao produtor rural, reservando o solo e a água

Área verde obrigatória pode ser útil ao produtor – Biodiversidade equilibra ecossistema e garante bons resultados agrícolas

As áreas verdes obrigatórias que precisam ser mantidas nas propriedades rurais – vistas por muitos ruralistas como um empecilho à produção – podem ser bastante úteis aos agricultores. Cientistas defensores do Código Florestal têm mostrado que as determinações da legislação ambiental não são caprichos de ambientalistas.

Segundo Paulo Kageyama, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a biodiversidade nativa tem um efeito de equilíbrio do ecossistema e pode ser importante para garantir o sucesso do que é cultivado nas áreas agrícolas. Reportagem de Afra Balazina, no Estadao.com.br.

Para comprovar, ele conta que, ao fazer a recomposição da mata ciliar em reservatórios da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) usando cem espécies diferentes por hectare, conseguiu-se evitar a ocorrência de pragas e doenças nas árvores. Após dois anos, nem formigas atacavam.

Experiências também no entorno de plantações de eucalipto levaram a um resultado positivo. Como as florestas de eucalipto e pínus têm diversidade genética muito baixa – e neste caso não é viável economicamente utilizar agrotóxicos -, as florestas nativas ajudaram a evitar problemas. “Muitas vezes as florestas de eucalipto têm um só clone ou material genético, então, se uma árvore é suscetível a uma praga, todas são afetadas”, disse Kageyama, que já foi diretor de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo ele, para a pecuária, a recuperação de APPs – Áreas de Preservação Permanente, como encostas e margens de rios – e reservas legais também pode ser benéfica. “Planta-se o mesmo capim em centenas de hectares e, muitas vezes, é preciso aplicar muito agrotóxico. O País foi campeão no uso de agrotóxico em 2009, deveria ter vergonha disso.”

O Código Florestal determina a preservação de topos de morro, encostas, margens de rios e restingas, além de exigir a manutenção de uma reserva legal nas propriedades – o tamanho depende do bioma onde a propriedade está localizada (mais informações nesta página).

Mas há projetos no Congresso com o objetivo de flexibilizar a legislação. Debates acalorados sobre as mudanças propostas têm ocorrido em diversas regiões do Brasil nas últimas semanas, em audiências públicas que reuniram produtores rurais, políticos, ambientalistas, promotores e cientistas.

Solange Teles da Silva, professora de direito ambiental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta alguns dos pontos mais preocupantes, em sua opinião, nos dois projetos de lei e anexos em discussão na Câmara dos Deputados.

Ela diz que as alterações propostas vão da redução da APP em 50% no entorno dos corpos d”água, diminuição da reserva legal em áreas do Cerrado da Amazônia Legal de 35% para 20% e até a supressão total desse tipo de área protegida. Também merece destaque, segundo a professora, a intenção de passar para a esfera estadual o poder de determinar o tamanho da reserva legal.

O Estado de Santa Catarina saiu na frente e já reduziu a faixa de preservação ao longo de rios para até cinco metros. Há uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para pedir impugnação a disposições desse código. “Parece que os legisladores estaduais também se esqueceram das tragédias que abalaram o seu Estado”, afirma.

A engenheira florestal e consultora Maria José Zakia comprovou em sua tese de doutorado na USP que o Código Florestal acerta ao determinar uma mata ciliar de 30 metros ao longo de rios com menos de 10 metros de largura. Sua pesquisa foi feita no Paraná.

“A regra geral dos 30 metros é bastante eficiente na proteção do solo e da água”, diz. Ela afirma que a definição dos 30 metros não é suficiente para manter uma boa gestão ambiental, mas é um passo importante nessa direção.

A engenheira florestal defende que os proprietários sejam incentivados a manter as áreas verdes nas propriedades com ações como o pagamento por serviços ambientais. Nova Iorque já faz isso há cerca de 20 anos e em São Paulo existe um projeto-piloto em que os produtores rurais recebem por permitirem a manutenção da qualidade da água em uma região.

ANISTIA

Os ruralistas defendem uma anistia para quem desmatou até julho de 2006. O pesquisador Dalton Valeriano, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), diz que a data não faz sentido. Ele alega que o País tem como detectar desmatamentos maiores do que 30 metros desde 1985. Dessa forma, seria possível apontar polígonos desmatados em áreas de matas ciliares, que devem ter largura mínima de 30 metros em cada lado do rio.

“Dá para fazer a detecção desde 1985. Isso só não vai funcionar em vegetação campestre. Mas dá para fazer na Mata Atlântica, no Cerrado, na Amazônia, na Caatinga. Não vejo motivo para colocarem 2006 como data.”

EcoDebate, 14/02/2010
Dica do blog do Instituto SOS Rios do Brasil

Por mais estranho que pareça, é exatamente assim que as coisas ocorrem…

Um ótimo texto enviado pelo meu amigo Renato Rodrigues:

*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *
“Na prática, a teoria é outra.”

Carta do Zé Agricultor para Luis da Cidade

Luis, quanto tempo!
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite
De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro…. Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.
To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode
fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né …) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender
no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas
leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem
fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pran fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava
morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau.. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio..

Mundo paralelo – O médico e o rio

Deixamos o córrego doente

O rio procura um médico para que este lhe dê o diagnóstico de sua doença. Como de praxe, o rio descreve os sintomas de seus problemas.

Rio - Bom dia sr. doutor, a vida tem sido difícil pra mim, tenho tido crises terríveis de inundação, mal cheiro e depressão.

Médico – bom dia sr. Rio, nossa! Que lástima você se encontra, de longe eu já percebi que a coisa não estava muito boa para o seu lado.

Rio – Então é grave doutor?

Médico – Pelo visto, muito, muito grave, sua aparência não é nada boa, você está cinza! E aqui nesse ponto a coisa está ainda pior, a doença já concretou seu fundo e suas margens.

Rio – Pois é doutor, vieram umas pessoas ai, dizendo que isso era para meu bem, que eu me sentiria melhor com todo esse concreto ao meu redor, mas não vi melhoras, continuo com muita sujeira, muito lixo e muito esgoto, já me sinto inútil, inválido, maltratado. Em épocas de chuvas sintos dores terríveis, em alguns pontos me autoflagelo, arrasando minhas margens, derrubo minhas companheiras árvores, trago toda sorte de coisas para meu fundo, chamo de minhas crises, não tenho mais prazer quando chove, isso que corre por mim não é nem água mais.

Médico – Essa doença é gravíssima, mas é muito mais comum do que imaginamos, as causas são bem claras, vou descrevendo aqui e você depois me diga se todas conferem: urbanização descontrolada, ocupação desordenada das margens, remoção de mata ciliar, lançamentos de esgotos, lançamento de grande volume de águas pluviais, impermeabilização, erosão, assoreamento, lixo.

Rio – Exato, tudo isso e até um pouco mais, estou mal, não me aguento, meu cheiro é terrível.

Médico – E faz quanto tempo que você começou a sentir que estava doente?

Rio – Há exatos 10 anos, no início os sintomas eram mais brandos, mas a medida que a tal da cidade foi crescendo a doença foi piorando, tornou-se aguda, tenho medo de que se torne incurável.

Médico – Se lhe canalizarem todo, e ainda lhe entubarem, fazendo com que você deixe de existir para as pessoas e animais, presumo que a doença se torne de difícil tratamento, se a cabeça das mesmas pessoas que lhe trouxeram esse mal não mudar, possivelmente esse mal se tornará incurável  enquanto existirem seres da espécie humana ao seu redor.

Rio – Queria apenas voltar a viver como antes, do jeito que estou, doente, também trago doenças para todos, contamino tudo ao meu redor, além do mais estou provocando muitos estragos mais pra frente. Eu não queria causar mal a ninguém, mas como não fazer mal se vocês parecem clamar por isso? Todos esses problemas foram e são causados exclusivamente por vocês, não é minha amiga terra, nem a água, nem a chuva. são vocês.

Médico – Infelizmente eu concordo com o que diz, também sou humano e me sinto culpado por isso que passa, a doença, a angústia, a vergonha. Sinto-me triste, impotente diante dos fatos, mas estou aqui agora, quero te ajudar, eu não tinha a menor vontade de olhar pra você, era uma coisa meio inconsciente, peço também que as pessoas parem uma vez ou outra para lhe contemplar,vejo que se cada um fizer sua parte como cidadão, além de cobrar das autoridades a solução disso daqui vai ser bom para você, e bom para todos. Se hoje elas veêm sujeira, se hoje te escondem é por culpa de todos nós, se isso aqui estiver limpo, poderemos ter lazer, melhorar nossa qualidade de vida e ainda acabar com a doença que lhe acomete.

Rio – Eu adorava as crianças brincando em minhas límpidas águas quando isso daqui ao redor era verde e desabitado, as pessoas passavam os fins de semana aqui, se divertiam, hoje torcem o nariz para mim.

Médico – Esse cheiro ruim é causado por excesso de matéria orgânica, então seus amigos começam a lhe limpar, esses amigos cresceram descontroladamente para comer a matéria e transformá-la em outras substâncias que irão alimentar outros organismos quando você estiver com as suas águas com mais oxigênio, é parte de uma cadeia alimentar. Se mais pra frente não existirem mais lançamentos de esgoto você passa a se sentir melhor, os sintomas ficam menos graves.

Rio – Queria ser maior, quem sabe assim eu teria tempo de começar a me sentir melhor. Mas por enquanto não tem como.

Médico – Por isso lhe digo que nessa conversa isolamos o agente causador, não precisamos de microscópio, nem de exames detalhados, nem de equipamentos caros, os patógenos são os próprios humanos, nós somos a doença, mas também o próprio remédio, se quisermos vivermos em harmonia, podemos e devemos lhe curar.

A privatização de um córrego – Córrego Guanabara

A história é sempre a mesma, o homem chega de mansinho, numa área verde, com um córrego ao fundo, se estabelece e chama sua morada de chácara. Ao longo dos anos, na maioria dos casos,  começa a se desarmonizar com a área. Desrepeita as leis, desrepeita a si mesmo e a outros cidadãos. O exemplo abaixo mostra um crime contra um manancial que pede socorro. O córrego guanabara, no bairro de mesmo nome, foi espremido pelas construções e hoje em dia não se sabe que lá existe um córrego, a não ser pelas pontes por sob onde ele passa nas ruas e avenidas que o cortam.  Invertem-se, como sempre, os valores, o córrego se torna um invasor, um veículo de doenças, mosquitos, lixo, que não tem pra onde correr,  tomado pela urbanização. Na verdade os invasores são aqueles que usurparam as árvores, sequestraram seu espaço e hoje reivindicam do poder público a extirpação daquele mal que os incomoda.  O poder público, apoiado até mesmo pela população ribeirinha,  canaliza o córrego, selando de vez num túmulo de cimento um personagem que assistiu sua morte, passivo a tudo pois, como todos sabemos, ele não fala, mas se falasse, com certeza expressaria em palavras sua profunda mágoa.

Espremeram o córrego num espaço mínimo

Milagres da engenharia, até quando?

"Se todo mundo faz, por que eu não posso fazer?"

Porque não basta apenas cimentar os lados, deve-se cimentar o fundo também!

Vejamos o que diz o código florestal nesse caso:

Art. 2º – Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja:
1 – de 30 m (trinta metros) para os cursos d’água de menos de 10 m (dez metros) de largura;

Mais um vazamento escondido dos olhos de todos

Muitas vezes, pelo fato de os córregos e rios urbanos estarem comprometidos com lançamentos de esgoto, as próprias companhias de saneamento, até mesmo por não estarmos atentos, permitem situações que em lugares sérios estas sofreriam uma punição severa. Após eu postar aqui sobre um vazamento no rio Meia Ponte, que na verdade não era vazamento, e sim esgoto in natura lançado pela própria Saneago, eu descobri um lançamento que considero ainda mais sério. A Saneago está implantando na área uma rede de coleta de esgotos da região, não sei a que velocidade se encontra a obra, no dia que estivemos no local não havia ninguém trabalhando na área, um senhor morador das proximidades nos disse que tem algum tempo que não se vê movimentação no local. A região é um local de várzea ainda bem conservado que comporta muito bem a elevação da água do ribeirão Anicuns. A área é cheia de nascentes e um pouco que se cava já se encontra água. Haviam algumas lagoas na área, umas formadas por ação humana, outras naturais mesmo. Pois bem, começamos a sentir um odor muito forte de esgoto e cada vez que nos aproximavamos se tornava mais forte. Perecebemos que havia um líquido preto escorrendo de uma parte mais acima. Esse líquido é o esgoto de uma rede que possívelmente esta entupida e vazando para o brejo e para o ribeirão, tivemos que nos virar para conseguir pular o esgoto sem ter nenhum contato com ele. Uma região bela que por letargia e até mesmo falta de controle da empresa de saneamento se torna um lugar nada agradável de se estar. Essa região é uma das principais áreas por onde teremos o tão aguardado parque Macambira-Anicuns, bem próximo do encontro do córrego e do ribeirão que lhe dará esse nome. Estamos de olho na situação, quem sabe o assessor de imprensa da Saneago nos deixe a par do que acontece lá na região?  Seria bom. Abaixo as fotos:

Rede coletora em implantação

Rede coletora em implantação

Anicuns

Vazamento de esgoto. Por sorte fotos não trazem odores!

Anicuns

Esgoto fétido escorrendo para o ribeirão Anicuns

Anicuns

Nascente com águas contaminadas pelo esgoto

Anicuns

Área de recarga

Anicuns

Esgoto chegando ao ribeirão Anicuns

Documentários sobre o rio Meia Ponte

Ainda existe pouco material publicado na internet a respeito do rio Meia Ponte, e os poucos que tem não são muito bem divulgados. Um exemplo disso é um série de documentários que se unem em um chamado 3 Visões de um Rio de 1999, lançado pela produtora Altos Planos. Achei por acaso no YouTube. Gostei bastante, e por isso quero compartilhar com vocês. Os Documentários contém entrevistas com personalidades de nosso estado, pessoas com boas histórias sobre o rio, belíssimas imagens e ótima trilha sonora.  Vale a pena assistir.

Segue as partes:

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