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Posts Etiquetados ‘Ecologia’

Sugestão de filme – Wall-E

Adoro filme do tipo animação, todos eles costumam ter o tal da “moral da história”, ou seja, eles transmitem algum tipo de mensagem principalmente para seu público principal: as crianças. O filme que estou sugerindo para assistir é o Wall-E, muito interessante pois desperta a respeito do nosso modo de vida super consumista. Se formos parar para pensar, é isso que vai acabar levando a humanidade para o buraco. Um ótimo filme para adultos e crianças.

Um pouco do filme

O filme se passa no ano 2805, com a Terra sendo um planeta abandonado e coberto por lixo, como o resultado de setecentos anos de consumismo em massa, facilitados pela megacorporação Buy-n-Large (BnL). Desistindo de restaurar o ecossistema, A BnL evacuou a população da Terra em nave estelares totalmente automatizadas, deixando no planeta um exército de robôs compactadores de lixo chamados “WALL·E” para limpeza durante um período de cinco anos. No ano 2110, entretanto, o ar da Terra se tornou muito tóxico para suportar a vida, forçando a humanidade a permanecer no espaço. No começo do filme, apenas uma unidade WALL·E permanece ativa, tendo desenvolvido uma consciência e coletado vários artefatos do lixo enquanto realiza seu dever, também se tornando amigo de uma barata.(Fonte: Wikipedia)

Meu primeiro kit para medição da qualidade da água

Agora sim mato minha curiosidade!

Estou muito feliz por ter adquirido finalmente um kit para realizar meus trabalhos de verificação da qualidade da água! Sempre fiquei muito curioso quando chegava a um córrego e não conseguia saber o grau de contaminação dele. Agora estou equipado.

Resumo:
Kit para educação ambiental desenvolvido para controle de qualidade da água, para ser utilizado especialmente nas escolas por alunos a partir da quinta série ou comunidades em geral, trazendo a oportunidade de vivenciar um experimento simples e seguro, em contato direto com o meio ambiente. Mais que um meio para realizar as análises, o Ecokit traz a oportunidade para novas discussões sobre a questão da água potável, da necessidade do seu controle e da preservação das áreas de mananciais, fundamentais ao mundo em que vivemos.

Analisa: Cloro Livre, ferro, ortofosfato, nitrogênio amoniacal, pH, transparência, cloreto, dureza Total, oxigênio dissolvido, temperatura e sólidos sedimentáveis.

Profissões Urbanas: O dia de um coletor de lixo

Achei essa reportagem super interessante, resolvi colocar um trecho aqui o blog. A série é um vídeo e se inicia assim:

A placa branca e vermelha anuncia que no sobradinho de esquina funciona um salão de beleza. Mas quem aparece sorrindo no reflexo do espelho é o coletor de lixo Geison Paulino da Silva, o “Raí”, de 41 anos. “Dividi minha sala pra alugar um pedaço pra cabeleireira, sabe? Em troca, ela me deixa bonito!” – diverte-se, indicando na cabeça o topete com pontas descoloridas.

Raí é um dos 3,2 mil coletores de lixo da cidade de São Paulo que juntos recolhem cerca de 13 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares todos os dias, segundo dados da Ecourbis – uma das empresas terceirizadas pela prefeitura para fazer o trabalho de coleta. Diariamente, cada habitante produz quase 1,5 kg de lixo, de acordo com pesquisa realizada em 2010 pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Para ter acesso a reportagem completa, CLIQUE AQUI

Propaganda da minha infância que ainda hoje marca

Não, não estou ganhando nenhum dinheiro por estar mostrando essa propaganda. Acho ela muito interessante, eu era criança quando passou a primeira vez, essa do vídeo abaixo é uma nova versão. Não serve só para quem vai para o rio Araguaia, mas para qualquer rio do Brasil ou do Mundo. Sejamos conscientes, a natureza agradece!

“Chegou o mês, vai começar tudo outra vez
o bicho homem vem com sua traia
voando pra sujar o nosso araguaia
Não jogue lixo na nossa casa
Essa beleza é pra todo mundo
oooo bicho homem
Vê se não arrasa”

Humor Verde IX




Do ótimo blog Grrreen Cartoon do Biratan

ECO CARTOON – 3 Salão Internacional Pátio Brasil de Humor sobre Meio Ambiente


Estão abertas as inscrições para o ECOCARTOON,
o 3° Salão Internacional Pátio Brasil de Humor sobre Meio Ambiente,
uma iniciativa do Pátio Brasil Shopping para premiar os melhores
trabalhos em cartum, charge, caricatura e tiras de humor.

Podem participar artistas gráficos em geral, amadores
ou profissionais, de qualquer nacionalidade. A inscrição
é gratuita e os ganhadores receberão a seguinte premiação:

1º Lugar – R$ 4.000,00
2º Lugar – R$ 2.000,00
3º Lugar – R$ 1.500,00

Ainda haverá premiação escolhida por Júri Popular de R$ 750,00.

O tema desta primeira edição do ECOCARTOON é “Preservação do Solo”.
Leia o regulamento completo no site www.ecocartoon.com.br.

Preste a atenção na data limite para recebimento dos
trabalhos: 14 de abril de 2010.

Os trabalhos selecionados serão expostos na Praça Central
do Pátio Brasil Shopping de 01 a 20 de junho de 2009.

Faça a sua parte, tome uma Eco Atitude, participe do ECOCARTOON.

Equipe Ecocartoon
www.ecocartoon.com.br

Dica do blog Grrreen Cartoon do Cartunista verde Biratan

Nota de Denúncia e Repúdio: Parque Nacional da Serra Vermelha no Piauí está virando CARVÃO

Vídeo:

Leia a Nota:

Nota de Denúncia e Repúdio*

A Rede Ambiental do Piauí vem a público denunciar e repudiar a visível manobra articulada a portas fechadas pelo governador do Piauí, Wellington Dias e
pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (ambos do PT), no sentido de tentar proteger a empresa JB Carbon, que grilou 114 mil hectares de terras públicas na última floresta do semi-árido do Nordeste, localizada na Serra Vermelha, no Sul do Piauí, e que vinha desmatando a mata nativa da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica da região, para produzir carvão.

A manobra mascarada de “proteção aos ecossistemas” da região, consiste em não criar o Parque Nacional da Serra Vermelha, mas ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, deixando de fora exatamente a área da JB Carbon, uma vez que a proposta do Grupo de Trabalho Técnico, instalado pelo próprio Ministro do Meio Ambiente, propôs um polígono com área de 436.995 hectares para esta ampliação e o que está sendo veiculado na imprensa, tanto nos sites oficiais do MMA e do governo do Piauí, quanto em outros sites, é que a ampliação do Parque Nacional da Serra das Confusões será de apenas 270.000 hectares. Fica clara dessa forma a existência de uma manobra para deixar de fora da ampliação proposta a parte mais importante da Serra Vermelha.

Não questionamos a necessidade de se ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, que já é a maior unidade de conservação na Caatinga e que mesmo assim precisa mesmo ser ampliada para proteger a rica biodiversidade ameaçada da região. Entretanto, deixar de fora a área mais nobre da Serra Vermelha é um absurdo e mostra existirem interesses e dívidas eleitoreiras entre o governador do Piauí e a empresa JB Carbon, uma das prováveis financiadoras da sua candidatura à reeleição para governador. Vale lembrar que quem comanda a JB Carbon é o empresário carioca João Batista Fernandes, conhecido do Ministro do Meio Ambiente, que também será candidato nas próximas eleições.

É realmente muito estranho que o Ministro tenha formado um Grupo de Trabalho Técnico (anunciado publicamente pelo próprio Ministro durante a Semana da Mata
Atlântica, realizada no Rio de Janeiro, em 2008 e depois oficializado através de portaria), com os mais capacitados técnicos do MMA, do ICMBio, do governo do PI e da Rede de ONGs da Mata Atlântica, para aprofundar os estudos na região sobre a importância biológica e propor o desenho do futuro Parque Nacional da Serra Vermelha e agora desconsidere todo o trabalho técnico realizado durante meses, que consumiram significativos recursos públicos, em troca de uma proposta sem fundamentação técnica e claramente eleitoreira.

Levando em conta os discursos do Ministro Carlos Minc sobre “desmatamento zero e o jogo duro com os empresários devastadores” , chega-se a conclusão de que
essas medidas não serão aplicadas no Piauí.

A sociedade piauiense e brasileira espera outro tipo de atitude por parte dos governantes. Que se crie o Parque Nacional da Serra Vermelha ou que se amplie o Parque Nacional da Serra das Confusões, mas com o polígono sugerido pelo Grupo de Trabalho Técnico, sem deixar nenhuma área de fora e muito menos por conta de negociatas de interesses escusos.

Teresina (PI), 23 de fevereiro de 2010.

Rede Ambiental do Piauí – REAPI
reapi.pi@gmail. com

Blog:  http://serravermelha.blog.terra.com.br

Por mais estranho que pareça, é exatamente assim que as coisas ocorrem…

Um ótimo texto enviado pelo meu amigo Renato Rodrigues:

*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) *
“Na prática, a teoria é outra.”

Carta do Zé Agricultor para Luis da Cidade

Luis, quanto tempo!
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite
De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro…. Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.
To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode
fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né …) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender
no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas
leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem
fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pran fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava
morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau.. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio..

Imaginem se fizessem isso na sua casa…

Cano solta grande quantidade de esgoto na casa dos peixes e outros seres vivos que dependem de oxigênio pra viver

Cágado luta pela vida em meio ao esgoto

Águas cinzas, quase pretas, do córrego que já indicam ausência de oxigênio. Aqui não tem mais organismos que dependem do oxigênio no interior do córrego.

Você acharia bom?
Então porque fazemos isso com os outros animais?
Seríamos mais importantes?
Mais inteligentes?
Sei não… Tenho dúvidas.

Liderança, depressão, ameaça de morte

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” – Martin Luther King

Como pessoas que escolhem se dedicar a aliviar o sofrimento e a dor alheios, incluídos aí não só a dor dos que nos são semelhantes, mas também dos que não são, como os animais, por exemplo, encontram forças para continuar lutando, para se manterem otimistas, para serem felizes, para não caírem em depressão, principalmente quando o que mais vêem como resultado desse esforço são mais derrotas que vitórias?

Numa sociedade que se elegeu como a espécie mais importante do Planeta, se auto-intitulou ‘dona’ da natureza e, em nome de seu desenvolvimento costuma justificar um comportamento utilitarista e sem limites em relação aos recursos naturais e às demais espécies, também consideradas como ‘recursos’.

Por outro lado, uma sociedade que admite a exploração de um pelo outro e organizou-se de tal forma que uns poucos se beneficiam da riqueza e do poder enquanto a grande maioria sofre com fome, miséria, abandono. Então, onde ambientalistas e líderes comunitários encontram forças para continuar lutando quando outros já desistiram, e até mesmo quando a maioria está
contra, ou diante de ameaças de morte?

O senso comum costuma pensar que para dar é preciso ter primeiro. Para amar, precisamos ser amados primeiro. Para fazer outros felizes, precisamos ser felizes primeiro. Para ajudar os outros a ter saúde, precisamos ser saudáveis primeiro. Em outras palavras, só serão capazes de se dedicar às lutas socioambientais pessoas ricas, saudáveis, amadas e felizes? Claro que não!

Em mais de duas décadas de militância convivi com parceiros e companheiros e companheiras de luta alguns idosos, outros portadores de doenças graves, ou desempregados, ou pobres, mas que sempre encontraram – e ainda encontram – dentro de si a força e a capacidade de continuar lutando por causas coletivas, como as ambientais. Sempre me intrigou o que move o espírito humano que faz as pessoas superarem condições existenciais injustas e mesmo a se superarem em capacidades e talento para se dedicar a lutas como estas?

O que faz pessoas comuns se transformarem em guerreiros incansáveis na luta pela defesa do meio ambiente, muitas vezes tirando energia da própria sobrevivência pessoal ou de sua família?

O que faz essas pessoas mesmo ameaçadas de morte continuar lutando pelo direito de todos, a ponto de perderem a própria vida, assassinados, como Chico Mendes, Dionísio, no Tinguá (RJ), Paulo Vinhas, no Espírito Santo, e tantos outros mártires da causa ambiental no Brasil?

O que faz uma pessoa como o Francelmo atear fogo no próprio corpo, em praça pública, numa tentativa de proteger o Pantanal ameaçado por usineiros de álcool e outros projetos predatórios? Francisco Anselmo Gomes de Barros imolou-se com fogo em 12/11/2005, aos 65 anos, em
Campo Grande (MS), durante ato público contra a instalação de usinas de álcool na região do Pantanal. Era presidente da Fundação para Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul (Fuconams).

Também conheci outros heróis que tombaram nessa guerra pela defesa do meio ambiente. Em abril de 1993, em Vitória (ES) foi morto com quatro tiros o biólogo e ambientalista Paulo Vinhas, que lutava contra empresas que exploravam areia de forma desordenada na região de Barra do Jucu, em Vila Velha (ES), no mesmo dia em que a prefeitura flagrou os irmãos Queiroz
retirando areia da área embargada, depois de denúncia do ambientalista. O empresário Aílton Barbosa Queiroz foi condenado a 16 anos de prisão, em Guarapari (ES) pelo crime.

Seu Edu, – foi espancado até a morte nas ruas de Itaipuaçu, em Maricá (RJ), em 1993, por que combatia o roubo de areia nas praias da região. As denúncias feitas por Seu Edu acusavam a formação de uma cratera pela extração de areia da Praia de Itaipuaçu. Apontava também diversos loteamentos irregulares em áreas da Mata Atlântica. Até hoje sua morte não foi esclarecida.

Fernando, da ONG Univerde, – de São Gonçalo, que fundei em 1982, foi apedrejado até a morte no Terminal Norte de Niterói, em 1998. Ele denunciava invasões de manguezais na Baía de Guanabara.

Álvaro Marques (RJ) – assassinado aos 69 anos, em plena luz do dia, no centro Angra dos Reis, no dia 23/01/1999. Era presidente da SERENA – Sociedade Ecológica Para a Recuperação da Natureza e na ocasião estava denunciando agressões ao manguezal de Mambucaba.

Fomos à Angra dos Reis (RJ), em companhia dos ambientalistas Rogério Rocco e André Luz (de barba) para colocar flores no local onde ocorreu o assassinato do Dr. Álvaro e pressionar as autoridades a localizarem e prenderem os assassinos, que segundo fomos informados, ainda estavam na cidade!

Dionísio Júlio Ribeiro (RJ) – Assassinado em 22/02/2005 em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por vingança de um caçador denunciado por ele. Era um defensor da Reserva Biológica do Tinguá.

Ao se colocarem na contramão de um modelo predatório de desenvolvimento, automaticamente se confrontaram com a ambição e a cobiça de pessoas e organizações que se sentirão prejudicadas em suas intenções de se apropriar dos recursos naturais ou de usar o meio ambiente como uma lixeira para seus restos. Ao escolheremos ser o que são e agir como agem, sabem que irão
colher ônus e bônus por estas escolhas.

A resposta seria o amor? Seriam estas pessoas que amam demais, a ponto de entregarem seu talento, seu tempo e até mesmo sua vida pelo outro em sua acepção mais ampla, a ponto de incluir não só nosso semelhante, mas as plantas, os animais, o planeta inteiro? Existem pessoas incapazes de amar, de serem solidárias com o outro, que vêem apenas a si próprias e aos seus interesses? Creio que é no espírito humano que vamos encontrar as verdadeiras causas – e as soluções – para nossos problemas, pois a destruição e poluição ambiental são efeitos de um estilo de vida egoísta, ganancioso, indiferente com a dor e o sofrimento alheios.

* Editor da Revista e do www.portaldomeioambiente.org.br e escritor
www.escritorvilmarberna.com.br

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