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Posts Etiquetados ‘destruição’

Earth Song – Michael Jackson

Confesso que eu não conhecia essa música, e aposto que muita gente também não. Essa música foi censurada nos EUA na época de seu lançamento em 1996. Em alguns momentos essa música soa como uma profecia, achei bem legal. Enjoy!

Ribeirão Anicuns – Confirmei minhas suspeitas

Referente ao post  http://guiaecologico.wordpress.com/2009/11/04/quando-os-interesses-ficam-acima-inclusive-da-lei/ onde eu dizia que o leito do ribeirão Anicuns foi alterado, próximo a residencial Serra Azul, eu estava apenas suspeitando que o ribeirão poderia ter sido desviado. Minhas suspeitas foram confirmadas, o RIBEIRÃO FOI DESVIADO! Agora, por quê? Quem deveria responder?  Abaixo coloco as fotos que comprovam o fato.

2008 - Foto antes do desvio do ribeirão

2009 aos dias atuais - Foto após a retificação do leito nesse trecho do residencial Serra Azul

Preciso de respostas, afinal de contas isso é grave. Quais foram os motivos para que tal fato acontecesse? Quem tem conhecimento disso?

E agora? Qual o nosso futuro?

novembro 14, 2010 2 comentários


Os sinais estão mais do que claros, se nada for feito qual o futuro do ser humano?

Voltando de Mundo Novo – GO, achei que estava no sertão nordestino…

Isso mesmo, nunca pensei que em pleno mês de Novembro eu veria tantos rios e córregos secos. A região entre Araguapaz e Mundo Novo em Goiás tem o Cerrado bastante devastado, pouquíssimas árvores restam, substituidas por imensos pastos. A natureza dá o troco e vai minguando aos poucos as nascentes dos córregos e rios, as veredas, os brejos, vai mudando a paisagem, gerando imagens tristes que mais lembram os desertos áridos. Pra onde foi toda a água? A resposta está na destruição de um Bioma riquíssimo mas injustiçado, o Cerrado.

O rio não corre mais, a água que você vê está parada!

Um córrego caudaloso que infelizmente também se encontra com o leito extremamente seco

Incrível, aqui passava um rio!

Esse é o outro lado da ponte, no mesmo rio da foto acima.

Aqui um exemplo de córrego com o leito completamente seco

Ponte sobre o córrego que sumiu!

E assim vamos indo…

Isso está acontecendo em Mato Grosso, será por quê?

outubro 25, 2010 1 comentário

Foto: TVCA

Município com racionamento de água devastou 70% das nascentes e olhos d`água

Das seis mil nascentes identificadas em uma pesquisa, quatro mil estão degradadas. Agora a cidade tenta recuperar os mananciais.

O município de Alta Floresta (distante 800 km ao norte da capital Cuiabá), que enfrenta a maior falta d`água nos últimos 26 anos, também passa por outra situação dramática: a degradação das nascentes que abastecem o município. De acordo com a secretária do Meio Ambiente, Irene Duarte, o município, com a ajuda de vários parceiros está fazendo um grande esforço para recuperar essas nascentes. Do contrário o município corre o risco de ficar sem água potável. Hoje, as cabeceiras dos principais córregos urbanos como o Severo e o Taxidermista estão totalmente destruídas. Sem vegetação, expostos ao assoreamente e com as nascentes comprometidas, eles estão quase secos.

O primeiro passo foi catalogar todas as nascentes na região. Foram identificadas seis mil, mas o que assustou foi a condição em que elas foram encontradas. De todas que foram catalogadas, quatro mil estão degradadas. O município que fica encravado no coração da Amazônia Mato-grossense, começa a enfrentar a falta da água tratada aproximadamente 34 anos depois de sua fundação. Aproximadamente 70% das nascentes d`água no município estão degradadas.

“O setor de recursos hídricos aqui precisa de uma gestão forte para evitarmos que a degradação continue e para recuperarmos as nascentes que já foram destruídas”, contou Irene Duarte .

A principal bacia hidrográfica urbana que abastece a cidade, a bacia Mariana, possui 200 nascentes, mas 130 delas estão totalmente degradadas. Todas estão em propriedades rurais particulares. A água já não brota mais do solo como há 10 ou 20 anos atrás, os córregos secaram e a cidade enfrenta racionamento de água tratada. A esperança é a chegada o mais breve possível do período chuvoso.

Pelo que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente apurou, a degração ocorreu devido a retirada total e ilegal da vegetação que protegia essas nascentes. No local surgiram pastagens para o gado e outros animais, o plantio de hortas e outras atividades. Aquelas que foram parcialmente preservadas não estão mais na sua forma original e fornecem pouca água.

Ações para recuperar nascentes

O município trava agora uma luta para tentar recuperar parte dessas seis mil nascentes que foi degradada. A maior dificuldade é a falta de recursos financeiros. Por isso, além de recursos próprios para pesquisa, estudo, replantio da vegetação e todo o trabalho de recuperação que deve durar muitos anos, o município tem buscado parcerias com organizações ambientais.

Um dos parceiros é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que libera dinheiro por intermédio do Fundo Amazônia. O dinheiro financia o projeto Olhos D`água da Amazônia. Hoje, 280 nascentes estão em trabalho de recuperação. O rei Pelé, integrante do Fundo Amazônia, visitou o município no mês passado para conhecer os projetos de recuperação ambiental.

O município colocou em prática um cadastramento ambiental de todos os produtores rurais. Muitos ainda não têm suas propriedades regularizadas e, para legalizá-las, terão que recuperar as nascentes degradadas. Eles contam com ajuda dos projetos da Prefeitura e de Ongs.

O município ajuda produtores que possuem até 50 hectares com arame, lascas de madeira e mão de obra para cercar e isolar as nascentes. Já o plantio da vegetação é responsabilidade do produtor. Parte das sementes utilizadas no projeto são coletadas nas matas da própria região.

Esse trabalho fica mais barato do que a recuperação com mudas. O Ministério Público e o Ibama também são parceiros na recuperação de nascentes. O custo inicial da recuperação de uma nascente, em alguns casos, fica em torno de R$ 600.00.

Com apoio da Universidade da Inglaterra o município está fazendo uma pesquisa para entender toda a dinâmica hídrica da região. O objetivo é identificar a potencialidade de cada nascente de água, quando elas estarão totalmente restabelecidas e quais não terão mais uma recuperação plena.

Outra parceira do município é a Fundação Latino Americana, que paga uma quantia em dineiro a pequenos produtores, donos de até 10 hectares, por serviços ambientais. Esse projeto é experimental e tem como objetivo remunerar o proprietário em troca da proteção do meio ambiente.

“Se apenas exigirmos do pequeno produtor rural que não tem qualquer outra fonte de renda, a preservação ambiental total da sua área, podemos resolver a questão ambiental, mas criar outro problema, o social. Por isso esse projeto tem como base a remuneração em troca da conservação”, disse Irene Duarte. Esses proprietários de terra viram produtores de água. Eles recuperam e protegem suas nascentes, e recebem por isso. Esse projeto tem origem em Nova York (EUA – Águas de Nova York), e no Brasil também já foi implantado em alguns municípios de Minas Gerais.

Segundo a secretária de meio ambiente de Alta Floresta, todas as nascentes catalogadas são recuperáveis. “O lençol freático ainda não foi afetado. Está num nível muito bom e é abundante na região. É só a gente cuidar do local, replantar a vegetação que a nascente volta a jorrar. Mas os cientistas alertaram que precisamos fazer uma intervenção urgente”, disse Irene.

Os produtores rurais do município correm contra o tempo. Muitos deles já foram multados por causa de crimes ambientais. “Em várias propriedades a vegetação foi retirada por máqunias, que chegaram na beira d`água, retirando totalmente a vegetação que protege os cursos d`água. Todas as áreas com passivo ambiental precisam ser recuperadas enquanto o MT Legal estiver em vigor. O programa do Governo de Mato Grosso foi criado para evitar a criminalização do produtor rural, mas com o compromisso de recuperar todas as áreas degradadas.

“Quando vencer o prazo determinado pelo MT Legal, quem não cumprir com a obrigação vai ter problemas com os órgãos ambientais e serão multados”, alerta a secretária de meio ambiente de Alta Floresta.

Fonte: TVCA

Obs do blog.: Este problema em questão está acontecendo em vários municípios brasileiros, no caso do estado de  Mato Grosso, além da notícia se referir a uma cidade de lá, é também o fato de ser um dos estados com a destruição mais acelerada de suas florestas e matas por conta da agricultura e pecuária.

BOFF COBRA DAS LIDERANÇAS RELIGIOSAS “FALAR MAIS DA CRIAÇÃO E DA PRESERVAÇÃO DA NATUREZA”

É como sempre digo, a igreja tem papel fundamental na luta pela preservação da natureza. Leia a entrevista abaixo com Leonardo Boff. a entrevista foi postada pelo excelente blog SOS Rios do Brasil do prof. Jarmuth.

 

 

Teólogo Dr. Leonardo Boff

Enfatiza que as lideranças religiosas e ecumênicas devem inserir em suas celebrações e levar aos seus fiéis os ritos e os elementos da natureza.

2/10/2010
Em entrevista, Leonardo Boff fala do papel de igrejas e religiões na defesa ambiente

Em entrevista da Campanha Primavera para Vida 2010 (PPV-2010) o teólogo Leonardo Boff fala da necessidade de ampliarmos o entendimento dos direitos para que a humanidade supere o antropocentrismo e entenda o direito para além de si mesma.Boff destaca, entre outras coisas, o modelo de relação para com a natureza e a Mãe Terra.

Enfatiza que as lideranças religiosas e ecumênicas devem inserir em suas celebrações e levar aos seus fiéis os ritos e os elementos da natureza. “As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo “faça-se a luz”, “surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano” tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra”.

A entrevista é de Gustavo Vieira, jornalista CESE e reproduzida por Adital, 01-10-2010.

Eis a entrevista.

As ações de assistência aos mais necessitados sempre foram presentes nas entidades religiosas ou ecumênicas. A que o senhor atribui a tendência recente destas entidades usarem o tema ambiental para a defesa dos direitos humanos?

Cresce a consciência de que todos somos ecointerdependentes, todos fazemos parte da natureza. Uma violência contra a natureza, como o desmatamento de uma região ou a excessiva utilização de agrotóxicos envenenando o nível freático das águas é entendida como uma injustiça ecológica, contra a natureza que, por sua vez gera uma injustiça social, pois prejudica as pessoas relacionadas com esta natureza. Com o desmatamento, elas possuem menos água, o clima é afetado e os agrotóxicos tornam a água contaminada. Então a concepção dos direitos deve ser ampliada, para superar o antropocentrismo, como se somente o ser humano fosse sujeito de direitos. Todos os seres vivos tem valor intrínseco, devem ser respeitados, convivem conosco e por isso são portadores de direitos. Nós somos seus representantes e guardiães e juntos formamos a democracia ampliada, de cunho sóciocósmico.

Os estudos indicam que os mais pobres serão os mais afetados pelas catástrofes oriundas das mudanças no clima. Qual deve ser na opinião do senhor a prioridade das políticas públicas para evitar o aumento da miséria por este motivo?

Precisamos questionar o modelo de relação para com a natureza e para com a Mãe Terra. A modernidade entende a Terra como uma realidade bruta, sem inteligência, um baú de recursos a serem explorados e uma caixa de lixo onde jogamos nossos dejetos. A compreensão mais contemporânea, fruto das ciências da Terra e da vida e também da astrofísica, entende a Terra com um superorganismo que se autorregula e que combina o físico, o químico, o biológico de tal maneira que se torna sempre apta a manter e a reproduzir a vida. Esta Terra é viva, foi chamada de Gaia e pelas tradições da humanidade de Mãe Terra. Por uma decisão da ONU de 22 de abril de 2008 o dia da Terra passou a ser o dia da Mãe Terra. Terra a gente pode comprar, vender, usar. Mãe a gente não vende, não compra nem maltrata, mas cuida e venera.

O processo dominante de produção supõe o domínio da natureza, a superutilização de seus bens e serviços até a sua exaustão (veja-se o petróleo, o gás, o carvão etc.) em benefício da acumulação que beneficia pequena porção da humanidade e deixa à margem as grandes maiorias condenadas a serem “óleo queimado” do processo produtivo. Esse tipo de relação que se funda no poder enquanto dominação do outro, das classes, dos povos e da natureza, provocou a crise do aquecimento global e a espantosa injustiça planetária. Entregue à sua própria voracidade, este sistema pode levar a humanidade a um impasse e, talvez, a uma catástrofe ecológica e humanitária sem precedentes na história. Ou nós mudamos de paradigma de produção e de consumo ou corremos o risco de desaparecer como espécie. Então as políticas públicas devem começar por criar esta nova consciência e ensaiar um outro trato da natureza que se faça em sinergia com seus ciclos e com as capacidades de cada região.

Na sua opinião, como a conduta ética do indivíduo pode ajudar o amenizar o sofrimento das pessoas pelas injustiças ambientais a que estamos todos sujeitos?

O problema é global e por isso afeta a todos e a cada um. Cada um deve fazer a sua revolução molecular. Quer dizer, começar as modificações consigo mesmo, respeitando as águas, as plantas, realizando os famosos três erres: reduzir, reutilizar e reciclar. Se não podemos mudar o mundo, podemos sempre mudar este pedaço de mundo que sou eu mesmo. Se a grande maoria se dispuser a isso, assistiremos a emergência de uma nova consciência com práticas mais benevolentes para com a natureza e com uma opção de viver uma simplicidade voluntária. Constataremos que podemos ser mais com menos. Todos ganharão porque se sentirão incluídos e não vítimas de um processo altamente egoísta, excludente e hostil à vida.

Você arriscaria uma nova redação dos dez mandamentos ou dos 7 pecados capitais à luz dos eventos climáticos atuais ou a sua abrangência ainda hoje é completa e atual na sua forma original?

Tenho medo de mandamentos, pois funcionam como superegos castradores. Acredito em valores que são coletivamente assumidos, internalizados e vividos como o cuidado para com todas as coisas, a responsabilidade coletiva pelo futuro comum, a compaixão para com todos os que sofrem, humanos e outros seres da natureza, o respeito irrestrito a cada ser, pois ele tem direito de existir e de continuar conosco, a cooperação de todos com todos de sorte que triunfe o ganha-ganha e não o ganha-perde, cultivo de valores intangíveis ou espirituais como a solidariedade, o amor, o perdão, o companheirismo, a abertura ao diferente, o diálogo aberto com todos e a capacidade de renúncia em benefício do bem comum. Creio que este paradigma poderá gestar outro tipo de civilização no qual não seja tão difícil ser humano e amar.

Qual é o papel, na sua opinião, que as instituições religiosas ou ecumênicas poderiam assumir para a busca de um novo acordo climático global pelos instrumentos da ONU?

As religiões, pela abrangência que objetivamente possuem, possuem uma alta missão pedagógica. Elas ensinam a respeitar e a venerar e a pôr limites ao nosso desejo ilimitado. A elas cabe a missão de educar as pessoas para não respeitarem somente os textos sagrados e os lugares de veneração, mas a defender, respeitar a cada ser pois ele saiu da mão de Deus e revela possibilidades escondidas e realizadas do processo de evolução. É o respeito e a veneração que impõem limites à voracidade do poder e que obrigam a ciência a ser feita com consciência e a servir mais à vida que ao mercado. Por outro lado as ciências ajudam as religiões a superarem seu fundamentalismo de imaginarem que somente cada uma delas possui a verdade e é portadora da revelação divina. A verdade é como o sol, ilumina a todos e todos estamos em busca de uma verdade mais plena. Por isso as religiões podem ser fontes de paz e não de conflitos. Devem estar unidas a serviço da vida e da garantia de que ainda podemos ter futuro.

Qual deve ser em síntese a mensagem que as lideranças religiosas e ecumênicas devem levar aos seus fiéis sobre a justiça ambiental em seus rituais e liturgias?

As religiões, as igrejas e os muitos caminhos espirituais devem inserir em suas celebrações e ritos os elementos da natureza, pois todos dependemos deles. Eles são portadores de vida e por isso todos devem manter com eles uma relação de respeito e de gratidão. As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo “faça-se a luz”, “surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano” tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra. Tudo isso leva a uma atitude gratidão, de veneração e de júbilo. Em nós surge a consciência ética de cuidarmos desta herança sagrada que Deus nos confiou e que o universo nos entrega dia a dia. Transformar tais idéias em experiências e atitudes faria com que a natureza fosse mais preservada e cuidada.

Que espaço para uma mudança de paradigma político em torno da justiça ambiental você enxerga para o Brasil na próxima década considerando o cenário político-eleitoral atual?

Em termos geoecológicos o Brasil é um país decisivo para o equilíbrio do planeta Terra que com o aquecimento global entrou num processo de caos. Os eventos extremos mostram que a Terra perdeu seu equilíbrio e só encontrará outro subindo de temperatura. Esta elevação poderá fazer com que o caos se mostre destrutivo e muitas espécies não consigam de adaptar e venham a desaparecer. Regiões inteiras do planeta se tornarão inóspitas para milhões de pessoas. Estão previstos para os próximos anos cerca de 100-150 milhões de refugiados climáticos. Isso ocasionará um problema político mundial de grave consequências. Por sua natureza, o caos é criativo e generativo, quer dizer, provoca a eclosão de uma nova ordem.

O Brasil é a potência das águas, possui as maiores florestas úmidas do mundo, o maior estoque de terras agricultáveis e o leque mais diversificado de alternativas energéticas. Ele será decisivo para o novo equilíbrio da Terra. Tirando Marina Silva, constato que lamentavelmente nossos atuais governantes não possuem consciência da importância do Brasil e não mostram um acúmulo de consciência necessário para estarem à altura dos desafios mundiais. É uma pena que raia à irresponsabilidade à alienação. Desta vez não podemos falhar ou chegar tarde, pois o tempo do relógio corre contra nós. Caso contrário iremos ao encontro da escuridão.

Qual é o papel do Brasil neste contexto global que o senhor imagina mais relevante do ponto de vista da transformação dos paradigmas econômicos e políticos atuais para os de uma nova sociedade com menos carbono?

O problema não é uma sociedade com menos carbono, mas uma sociedade que muda sua relação para com a Terra e a natureza, agindo em sinergia e não em exploração, respeitando os limites e as capacidades de cada ecossistema, atendendo as demandas das atuais gerações e abertos às demandas das futuras. O decisivo é dar o seguinte passo: passar de uma sociedade industrialista que estressa a natureza e cria injustiças sociais para uma sociedade de sustentação de toda a vida, a humana e as demais formas de vida, produzindo o suficiente decente para todos e não para a acumulação e para os ganhos do mercado. Essa mudança paradigmática temos que fazê-la, senão a Terra poderá continuar mas sem nós.

Qual é a sua expectativa na transformação da Campanha Primavera para Vida em uma campanha nacional nesta décima edição?

Eu espero que seja suscitado espírito de solidariedade para com aqueles irmãos e irmãs que mais precisam, que sejamos movidos por um profundo sentimento de humanidade, sentido a dor dos outros, ajudando a aliviá-la e, sobretudo, criar uma corrente de entreajuda, de cooperação, de verdadeira irmandade, incluindo a natureza, quer dizer, a qualidade de vida das pessoas, a água que bebem, o esgoto tratado, o ar puro que respiram, as relações sociais e de vizinhança menos tensas e com mais motivos para viver e conviver. Sozinhos, não conseguimos tudo isso, mas com a graça do Espírito que nunca nos falta poderemos dar passos decisivos rumo a este sonho. Devemos pensar como Fernando Pessoa, o grande poeta português: “Quero ver uma Terra que ainda nunca existiu”. Então será uma civilização biocentrada, a “Terra da Boa Esperança”. O Brasil tem condições de ser o antecipador deste sonho possível e desta utopia necessária.

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D. LUIZ CÁPPIO: “A NOSSA TERRA, A NOSSA ÁGUA, A NOSSA VIDA”

A IGREJA E O MEIO AMBIENTE

Infelizmente tem sido assim, será que haverá tempo para mudança?

setembro 1, 2010 1 comentário

Eu ri alto com essa tira, triste assim…

Por Carlos Ruas

Para mais tiras engraçadas acesse: Um Sábado Qualquer

O valor que se dá ao Cerrado

Abaixo posto uma imagem que peguei do Google Earth que ilustra bem a destruição acelerada que o cerrado vem sofrendo. Não existe limite para mais nada. Na imagem é possível verificar que uma floresta de Cerrado foi loteada para construção de casas de um condomínio fechado. Existem lotes até mesmo no morro. O bioma das árvores tortas, resistentes e de uma incrivel biodiversidade está sendo massacrado dia após dia e pouco tem sido feito para que impeçam esse absurdo. A imagem é de um local nas proximidades do rio Meia Ponte, na região metropolitana de Goiânia. Uma área até pouco tempo bem conservada, mas que aos poucos sucumbe a tirania do progresso desmedido.

Um crime ambiental que jamais será punido

Jesus vai ter que fazer um baita milagre

Foto: Intern in Israel (Flickr) - Legenda: Proibido entrar na água

Jordão está poluído demais para celebração de batizados, denuncia ONG

Fonte da Notícia: AFP

O rio Jordão está tão contaminado que seria perigoso celebrar batizados no local onde Jesus recebeu o primeiro Sacramento, segundo a tradição cristã, denunciou esta quarta-feira a associação Amigos da Terra/Oriente Médio.

“Pedimos às autoridades regionais que cessem os batismos no baixo Jordão até que a qualidade da água esteja ali conforme as normas exigidas para as atividades turísticas”, afirmou em um comunicado a associação de defesa ambiental, que menciona a possibilidade de um risco sanitário.

Até agora, o ministério israelense de Meio Ambiente não comentou estas denúncias.

O local onde Jesus foi batizado por São João Batista, há dois mil anos, segundo a tradição cristã, é conhecido com o nome de Qasr al-Yehud, e fica em uma região controlada pelo exército israelense, que proíbe o acesso perto da cidade palestina de Jericó, na Cisjordânia.

Nos últimos anos, após pressões do ministério israelense do Turismo, o exército tem autorizado a visita de peregrinos, por meio de solicitações especiais.

Em maio, a Amigos da Terra já havia denunciado em um relatório que o Jordão “se reduziu a um simples riacho no sul do lago de Tiberíades, seco pela exagerada exploração das águas e devastado pela contaminação”.

Segundo a organização, 98% de suas águas foram desviadas por Israel, Síria – que explora seu afluente, Yarmuk – e Jordânia.

Se dependemos tanto da água para viver, por que comprometemos nossas reservas?

Foto: Bredgur's ( flickr)

Está cada vez mais difícil achar água potável

Por Vinod Thomas e Ronald S. Parker*

“Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.”

A tarefa de fornecer água de boa qualidade onde ela é necessária está se tornando cada vez mais difícil em todo o mundo. Nas últimas décadas, os países têm feito investimentos em infraestrutura para aliviar a escassez, mas até agora, na maioria dos casos, a resposta a essa questão deixou de considerar o problema suscitado pela deterioração que os recursos hídricos vêm sofrendo. Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.

Em muitos lugares, mesmo onde a água ainda é abundante, a destruição ambiental tornou caro demais o seu uso. Em outros que desfrutam um bom suprimento de água, ela é usada de maneira imprópria. As prioridades podem ficar de tal modo viciadas que, embora as cidades continuem desesperadas à procura de água, agricultores estão irrigando árvores frutíferas ou plantações de algodão no deserto. Ainda menos aceitável é que a água potável esteja sendo usada para manter jardins e campos de golfe, enquanto os pobres urbanos são forçados a pagar caro por ela, a qual compram em baldes.

Por causa disso, cerca de 700 milhões de pessoas em mais de 40 países são afetadas pela escassez. A intromissão humana nos ambientes hídricos é também um problema crescente. Até 2030 a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 75% da população mundial estará vivendo em áreas costeiras, pondo em risco as terras úmidas que ajudam a limpar o ambiente aquático, além de expor centenas de milhões de pessoas aos riscos relacionados com a água associados às mudanças climáticas.

O Banco Mundial é o maior financiador oficial de investimentos em água nos países em desenvolvimento. Os compromissos de empréstimo na última década somaram por volta de US$ 55 bilhões, com a China e a Índia no topo da lista de mutuários, seguidas pelo Brasil e pela Indonésia. Os projetos hídricos, cobrindo da irrigação e da hidroenergia à gestão de mananciais e vias aquáticas interiores, mostraram nos últimos anos maior sucesso do que outros setores na realização de seus objetivos.

Perdura, no entanto, o desafio de atender às atuais necessidades de água e implantar, ao mesmo tempo, estratégias inovadoras para tomar em conta as futuras necessidades. As áreas de ênfase caem em cinco campos principais ao longo do eixo do desenvolvimento aquático e da gestão ambiental.

Primeiro, o grupo que mais sofre a escassez de água consiste de 45 países, dos quais 35 são da África, que tem pouca. É necessário que a sustentabilidade hídrica se torne central nos seus planos de desenvolvimento, com medidas dimensionadas para atender às suas necessidades urgentes. Mesmo países ricos em água, como o Brasil ou a Tailândia, podem vir a enfrentar deficiência, ao caírem os níveis em represas e de fontes naturais.

Segundo, os lençóis aquáticos subterrâneos estão cada vez mais ameaçados por exploração excessiva, fluxos ambientais inadequados e contaminação. O esgotamento mais grave de águas subterrâneas ocorre no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia. Os esforços necessários abrangem monitoramento da qualidade da água, melhoramento dos aterros sanitários e redução da infiltração de águas superficiais contaminadas nos lençóis freáticos.

Terceiro, a restauração de ambientes degradados pode ter grandes impactos. Um projeto de proteção de terras úmidas costeiras no Vietnã, por exemplo, ajudou a reduzir a área de erosão costeira em nada menos que 40%.

Quarto, as Nações Unidas estimam que 1,8 bilhão de pessoas ainda não terá acesso ao saneamento básico em 2015. Será preciso colocar mais ênfase não somente em soluções de baixo custo no saneamento básico, mas também em ligações domiciliares aos sistemas sanitários. Entre os países em desenvolvimento, registrou-se o maior progresso na Ásia oriental.

Quinto, os investimentos em abastecimento de água precisam ser combinados com a gestão da demanda. A agricultura é a maior usuária na maioria das situações, nas quais tecnologias que melhoram a eficiência não são suficientes para melhorar o uso da água. Uma recuperação de custos maior em projetos hídricos seria útil. Estabelecer cotas e forçar o seu uso no consumo de água, um enfoque relativamente recente, merece cuidadosa avaliação.

Mesmo quando são reconhecidas, tem sido difícil converter tais prioridades em ação. Quando os atores-chave se sentam à mesa para negociar a distribuição de água, o meio ambiente fica esquecido. Raramente existe apoio à recuperação de um aquífero em declínio se ainda se pode extrair água dele, à restauração de faixas úmidas protetoras ou à manutenção de um fluxo suficiente num rio, para que a fauna silvestre possa sobreviver e a intrusão salina, ser prevenida.

O apoio político à reforma é muitas vezes dificultado por graves lacunas na compreensão da situação hídrica de um país. Melhores dados, monitoramento sistemático e divulgação dos achados são essenciais para a mobilização de recursos e a ação. O compartilhamento de conhecimentos apoia, assim, os desembolsos financeiros e possibilita melhores resultados no terreno.

Uma maneira de abrir uma janela de oportunidade seria apoiar processos de monitoração que mandam informações relevantes aos interessados públicos e privados. O exemplo do Brasil mostra que, tornando dados de água disponíveis para o público na internet, isso ajuda a aumentar a preocupação dos interessados, o que também ajuda a mobilizar a vontade política necessária para confrontar problemas de águas arraigados.

*Respectivamente, diretor-geral e consultor no grupo independente de avaliação do banco mundial (Washington D.C.). Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo.

(Envolverde/Instituto Akatu)

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