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O Desequilíbrio Ecológico e suas consequências

O planeta em Equilíbrio

Os elementos da natureza formam um conjunto, onde todos se relacionam e “um completa o outro. Nenhum ser vivo sobrevive sem sol, ar, água e solo.

Os animais dependem da matéria orgânica produzida pelas plantas. As plantas só produzem essa matéria orgânica quando recebem luz, água e ar, de onde retiram as substâncias necessárias.

Os animais dependem das plantas, porém existem animais que precisam de outros animais para obter a matéria orgânica produzida pelas plantas. Alguns comem plantas; outros comem os que comeram as plantas.

O que é o Desequilíbrio Ecológico

Foram necessários milhões de anos para que a mãe natureza colocasse ordem na casa e equilibrasse os ecossistemas. O problema é que pequenas mudança podem provocar o desequilíbrio ecológico. Em condições naturais, essas alterações costumam ser pequenas e são rapidamente neutralizadas pela a natureza.

O desequilíbrio ecológico ocorre quando algum elemento (animal ou vegetal) de um ecossistema é reduzido em quantidade, adicionado ou subtraído. Esta mudança pode originar reações em cadeia e repercutir diretamente no funcionamento do ecossistema.

Causas

A ação do homem é a principal causa de desequilíbrio ecológico na atualidade. Muitas atividades humanas causam mudanças tão intensas e tão rápidas, que os mecanismos naturais não conseguem neutralizar a tempo seus efeitos nocivos.
Entre estas ações, podemos citar o desmatamento, a caça e a pesca sem controle e a urbanização em áreas de matas e florestas.

Temos visto muito a “invasão” de espécies animais silvestres para o ambiente urbano. O homem, com o crescimento das cidades, avança sobre o habitat dos animais, insetos e os deixam sem opções, ou estes se extinguem, ou buscam uma nova forma de sobrevivência. Hoje em dia é muito comum ver, periquitos, araras, tucanos, abelhas, entre outros bichos voando nos grandes centros urbanos. É bonito, mas é triste, pois as matas que estes animais habitavam estão sendo destruídas.

É bem complicado nos dias de hoje plantar alguma cultura como tomate sem o uso de elementos de controle, um descuido e sua plantação é invadidade por fungos, besouros, lagartas, vespas, etc. O homem, na tentativa de evitar a perda de sua produção, apela para agrotóxicos que no final das contas provocam mais desequilibrio ainda.

Muitas espécies não eram consideradas pragas, mas a diminuição da oferta de alimentos fez com que seus hábitos alimentares mudassem e estas, para sobreviver, passaram a atacar outras especies animais ou vegetais. É comum ver periquitos comendo manga verde, algo que não se via antigamente.

A introdução de novas espécies para conter o avanço de outras também é o início de um problema muito maior. Existem vários exemplos de experiências mal sucedidas no mundo. Alguns exemplos famosos são a introdução do caramujo africano, confundido com o Escargot para culinária, o bagre africano, espécie altamente predadora que já causou enormes prejuízos para a fauna aquática brasileira, a introdução de sapos cururu na Austrália que tem provocado uma tragédia para outras espécies de sapos ou de predadores naturais que se envenenam devido a alta toxidade dessa espécie.

Outro problema causado pelo desequilibrio, gerado pelo avanço do desmatamento é a mudança na hidrografia de uma região, rios e córregos se tornam assoreados, erosões invadem suas margens e até o leito do manancial muda, quando este não chega a secar. Muitas espécies de peixes somem, outras mais fortes dominam e alguns casos, nenhuma sobrevive. Até uma barragem pode provocar um completo desequilibrio de espécies, pois um rio de água rápidas, passa até aguas lentas, alterando algumas características físicas do ambiente.
O homem, na tentativa de se adaptar a um ambiente, constrói, destrói, altera, não se importando com as outras espécies presentes no local, porque para ele, o importante é a sua sobrevivência, enquanto a de plantas e animais é mera consequência.

Exemplo e consequências

Homens começam a caçar cobras numa determinada área ecologicamente equilibrada. Com a diminuição no número de cobras aumenta consideravelmente o número de sapos (alimento destas cobras). Com isso, a quantidade de insetos começa a reduzir significativamente, podendo faltar para outras espécies que também se alimentam de insetos. Isso pode até provocar a extinção de certas espécies, caso elas sejam encontradas apenas naquela área. Com a diminuição das cobras, pode também aumentar o número de roedores (ratos, por exemplo) que podem invadir áreas residenciais próximas em busca de alimentos.

Fazendeiros Brasileiros estão entre os principais devastadores da floresta do Chaco no Paraguai

Antes de iniciar a reportagem que é do The New York Times, eu gostaria de chamar a atenção para dois pontos importantes no trecho: O primeiro ponto é que nós humanos, nos sentindo inseguros em relação ao animais que habitam as matas, tratamos de eliminá-los para nos sentirmos mais “seguros”, acredito que devemos ter muito mais medo de nossa própria espécie do que de qualquer outro animal. É incrível o sensacionalismo que provocamos ao vermos uma imagem de um ataque de uma onça pintada, tubarão, cobra e por ai vai, quando todos os dias nos grandes centros temos várias mortes provocadas por assaltos, vinganças, dívidas de drogas ou por motivo bobo.

O segundo ponto é a frase de um fazendeiro brasileiro chamado Nelson Cintra que diz: “Os ambientalistas se queixam de desmatamento, mas o mundo tem bilhões de bocas para alimentar”. Esse é o clichê mais sem vergonha utilizado por fazendeiros. Existem bilhões de pessoas que passam fome no mundo, e a soja produzida, seja no Brasil, seja no Paraguai é em sua maioria utilizada para a alimentação de bovinos principalmente na Europa, e sabemos que a grande maioria das pessoas no mundo não comem carne, pelo preço não ser acessível. Então chegamos a conclusão que se a soja não vai para a maior parte da população e nem a carne, quem mesmo que esses fazendeiros estão alimentando? Sabemos que, por exemplo, quem alimenta nós brasileiros é quem pratica a agricultura familiar, que está sendo cada vez mais dizimada por esses latifundiários. Onde eles esperam chegar com isso? Também existe um lobby forte a favor da aprovação do novo código florestal que pode representar um retrocesso em relação a legislação ambiental vigente. Se já não bastasse a destruição a olhos vistos das matas nos estados brasuileiros, principalmente do bioma Cerrado, agora estamos exportando destruição para outros países, uma lástima.

Veja a reportagem abaixo e se revolte:

Floresta do Chaco está sob ameaça no Paraguai

Pelo menos 482 mil hectares da floresta foram desmatados nos últimos dois anos

The New York Times

 

A floresta do Chaco, um local com temperaturas que chegam a quase 48 graus, que os paraguaios chamam de seu “inferno verde”, abrange uma extensão quase do tamanho da Polônia. Caçadores ainda vivem em seus enormes labirintos de árvores.

Mas embora a floresta do Chaco tenha sempre apresentado um perigo aos humanos da região, com a presença de onças, lobos-guarás e enxames de insetos que ainda habitam as matas, a resistência da região pode finalmente estar chegando ao fim.

Grandes extensões da floresta do Chaco estão sendo devastadas em uma disputa em um dos cantos mais remotos da América do Sul por pecuaristas do Brasil, país vizinho do Paraguai, e do grupo de alemães menonitas, descendentes de colonos que chegaram no país há quase um século para trabalhar como agricultores e fazendeiros.

Tanta terra está sendo demolida e tantas árvores queimadas que o céu às vezes se transforma numa “penumbra cinzenta” em plena luz do dia, disse Lucas Bessire, um antropólogo americano que trabalha na região. “Às vezes você acorda com o gosto de cinzas e uma película branca e fina sobre a língua”, disse.

Pelo menos 482,000 hectares floresta do Chaco foram desmatados nos últimos dois anos, de acordo com análises de satélite feitas pelo Guyra, um grupo ambiental com base em Assunção, a capital do país. Os pecuaristas chegam a devastar cerca de 10% da floresta do Chaco para dar espaço para seus rebanhos de gados nos últimos cinco anos, de acordo com o Guyra. Isso é reflexo do aumento das exportações de carne bovina.

“O Paraguai já tem a triste fama de ser um campeão em desmatamento”, disse José Luis Casaccia, um promotor e ex-ministro do Meio Ambiente, referindo-se às grandes devastações de Mata Atlântica que aconteceram nas últimas décadas no leste do Paraguai para dar espaço à fazendas de soja, pouco mais de 10% das florestas originais permanecem.

“Se continuarmos com esta loucura”, disse Casaccia, “quase todas as florestas do Chaco poderão ser destruídas nos próximos 30 anos.”

A popularidade do desmatamento já está transformando os pequenos assentamentos menonitas na fronteira do Chaco em cidades movimentadas. Os menonitas, cuja fé protestante anabatista foi formada na Europa no século 16, estabeleceram assentamentos nesta região na década de 1920. Cidades com nomes como Neuland, Friedensfeld e Neu-Halbstadt fazem parte do mapa do Paraguai.

Estimulados por sua recente prosperidade, as comunidades menonitas da região diferem daquelas de outras áreas da América Latina, como os assentamentos no leste da Bolívia, onde muitos dos menonitas ainda dirigem charretes puxadas por cavalos e usam roupas tradicionais.

Em Filadélfia, adolescentes menonitas dirigem pelas estradas em picapes Nissan. Bancos anunciam empréstimos para os comerciantes de gado. Postos de gasolina vendem tabaco de mascar e cervejas de marcas como Coors Light. Um rodeio anual atrai turistas vindos de todo o país.

Patrick Friesen, gerente de comunicações para uma cooperativa menonita em Filadelfia, disse que os preços dos imóveis subiram cinco vezes nos últimos anos. “Um lote de terreno na cidade custa mais do que um no centro de Assunção”, disse Friesen, atribuindo o crescimento da região em parte à crescente demanda mundial por carne bovina.

A floresta do Chaco paraguaio está localizada na região do Grande Chaco, que se espalha por vários países. Os cientistas temem que a expansão da pecuária no Chaco Central do Paraguai poderia acabar com uma região propícia para a descoberta de novas espécies. A floresta do Chaco ainda é relativamente inexplorada. As maiores espécies de queixadas, mamíferos parecidos com porcos, foi descoberta no Chaco apenas na década de 1970. Em partes da floresta, os biólogos recentemente avistaram guanacos, uma espécie da família dos camelos semelhante à lhama.

Ainda mais alarmante, é que a disputa pela terra também esteja intensificando a revolta entre os povos indígenas, a sua subjugação aos menonitas e lutas entre diferentes tribos.

“Eles estão destruindo nossas florestas e gerando muitos problemas para nós”, afirmou Esoi Chiquenoi, um indígena Totobiegosode de cerca de 40 anos idade. Como resultado, ele e outros de sua tribo, que foram vistos em fotografias tiradas em 2004 usando tangas, abruptamente tiveram que abandonar seu estilo de vida.

Embora as comunidades menonitas estejam sendo culpadas pelo desmatamento, elas reconhecem que grandes faixas da floresta ao seu redor estão sendo devastadas. Mas negam que sejam os culpados, alegando que respeitam a lei paraguaia, que exige que os proprietários mantenham um quarto de suas propriedades no Chaco florestadas.

“O que os brasileiros estão fazendo, comprando terras com seu dinheiro, é outra coisa”, disse Franklin Klassen, um membro do conselho da cidade de Loma Plata, uma cidade menonita.

Em todo o Paraguai, o poder econômico do Brasil é visível, simbolizado nos cerca de 300.000 Brasiguayos, como são conhecidos os imigrantes brasileiros relativamente prósperos e seus descendentes, que têm desempenhado um papel importante na expansão da agricultura industrial e pecuária no Paraguai.

Tranquilo Favero, um agricultor de soja brasileiro e fazendeiro, que é um dos homens mais ricos do Paraguai, enfureceu muitos paraguaios quando disse em uma declaração publicada em fevereiro que os camponeses sem-terra tinham que ser tratados como “mulher de malandro, que só responde à violência.”

Casaccia, o promotor disse que Favero controla cerca de 248.000 hectares de terras no Chaco, além de grandes extensões no leste do Paraguai. Nem Favero e nem os diretores de sua empresa em Assunção responderam a pedidos para comentar este artigo.

Nelson Cintra, um fazendeiro do Estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, disse que ele e seu irmão estavam entre os primeiros brasileiros a investirem no Chaco, ao comprarem cerca de 34.000 hectares na região do Alto Paraguai, perto da fronteira brasileira, em 1997.

“Os ambientalistas se queixam de desmatamento, mas o mundo tem bilhões de bocas para alimentar”, disse Cintra, que também é prefeito de Porto Murtinho, uma cidade na fronteira brasileira. “Hoje existem 1 milhão de cabeças de gado no Alto Paraguai, aonde 15 anos atrás, haviam apenas 50.000″, disse.

Na periferia de Filadélfia, a transformação do Chaco em um vasto bastião pecuária já parece irreversível. Cerca de 80 índios da tribo Ayoreo vivem na miséria em uma região ao lado da estrada, dormindo cobertos por sacos plásticos embaixo de árvores.

“Nós nunca vamos viver na floresta novamente”, disse Arturo Chiquenoi, 28, um homem Ayoreo que trabalha ocasionalmente em um rancho. “Esse estilo de vida já não existe mais.”

Por Simon Romero

 

Memórias ambientais

Foto: Agência de Notícias do Acre

Interessante como são as coisas. Recentemente estive relembrando umas memórias de quando eu era criança. Dentre essas memórias teve uma que me marcou bastante. Na época não existia essa questão de conscientização ambiental, não se falava sobre isso nas escolas, não havia um clamor para que salvassemos o planeta ( na verdade temos que salvar a nós mesmos).  Lembro-me bem que eu e dois primos fomos a passeio para uma fazenda, nas proximidades do município de Trindade em Goiás. Lembro-me vagamente de um pessoal branco, com feições de paranaenses que eram os proprietários da fazenda, recordo-me também de uns pés de maracujá que haviam lá. Agora o que realmente foi marcante era um córrego que passava na  propriedade e que havia sofrido um verdadeiro cataclisma. A mata ciliar do local foi toda destruída, haviam árvores caídas para todos os lados, foi nessa época que conheci uma semente chamada “Olho de boi”. No auge de minha inocência nem me passou pela cabeça do tamanho do crime que havia sido cometido no lugar, somente hoje, depois de uns 20 anos que eu realmente me toquei. Novamente eu fico pensando, o tanto de crimes que foram cometidos contra rios, córregos e especificamente contra o Cerrado aqui no estado de Goiás nesses últimos 20 anos que passaram batidos das autoridades ambientais. O que acho bom é que hoje em dia as crianças já são conscientizadas desde o berço em muitos casos, acredito que elas serão responsáveis por resolver muito da lambança que foi feita por nossos pais, avós, bisavós e por ai vai. Gostaria de pedir a todos que se observarem um crime ambiental, não deixem de denunciar, seja para o Ministério público ou o orgão ambiental de sua cidade ou estado, é muito simples e rápido.

Amma, fiquei sem entender!

No sábado, dia 06/08/11, eu presenciei o desmatamento de uma área de cerrado no setor Amin Camargo em Goiânia. verifiquei que os moradores das proximidades estavam indignados. Não sei informar se quem fez aquilo tinha ou não licença para derrubar todas aquelas árvores. O terreno além de bem inclinado, típico de morro, era próximo a um córrego. Acredito que ali vai dar lugar a construção de mais casas a exemplo do que aconteceu no terreno ao lado. Pois bem, liguei no disque denuncia da amma ( agência municipal de meio ambiente), escrevo em minúsculo mesmo, de propósito, e a atendente me informou que só receberia a denúncia se eu tivesse o endereço completo de quem desmatou e o nome da pessoa, para que os fiscais pudessem autuar o autor do feito. Se nem quem morava perto tinha, quem dirá eu. Achei que o papel do orgão competente(?) era justamente averiguar a situação, mas não, segundo a atendente, o sistema só permitia quando se coloca o nome do autor. Já que a amma não poderia registrar a denúncia, então eu resolvi perguntar, se não era lá, onde poderia ser? Mais uma vez a despreparada atendente não sabia me dizer! Naquela hora me senti completamente impotente, ninguém podia fazer nada! Estou até agora indignado! Mas hoje, dia 08/08/11 já passei todas as informações que eu achava pertinentes, inclusive fotos, para o Ministério Público. Pelo menos lá o pessoal sabia do que estava falando. Aprendi uma coisa, se você quiser denunciar o corte da árvore do vizinho, vá na amma, se você quiser denunciar um desmatamento numa área que você não sabe se é pública ou particular, e nem a amma, não ligue para eles.

Árvores que foram derrubadas

Árvores caídas


E você,  o que acha da Amma?

Nascentes do ribeirão Dourados estão ameaçadas

Reportagem que saiu no jornal Diário da Manhã na edição de 12 de Novembro de 2010 revela o descaso com que são tratadas algumas nascentes no ribeirão Dourados, importante afluente do rio Meia Ponte, último dos maiores mananciais da região metropolitana que ainda não sofreu danos profundos causados pela ocupação urbana desordenada.

Clique na imagem para visualiza-la em tamanho maior

Você também poderá gostar: Você conhece o rio Dourados em Goiás?

Conheça o Cerrado – um dos biomas mais ameaçados do país

Conheça uma série de 5 capítulos sobre um dos biomas mais espetaculares do país. A série foi ao ar no Jornal Nacional da Globo, não é muito nova, mas é bem interesse e vale a pena assistir. Abaixo os vídeos:

1 – Um ambiente ameaçado de extinção

2 – A fronteira agrícola

3 – O valor nutritivo das frutas

4 – As letras e rítmos do povo do Cerrado

5 – O artesanato

Veja também: Fruta do lobo: de vilã injustiçada à rainha do Cerrado

Deputados identificados com o desmatamento perderam votos

O candidato presidencial que decidir ignorar as questões ambientais daqui para a frente corre sério risco de entrar em choque com o eleitor.

Eleição mostra que deputados identificados com o desmatamento perderam votos. É sinal de que o eleitor quer ver o meio ambiente debatido no segundo turno.

A reportagem é do sítio do Greenpeace, 04-10-2010.

Tom Jobim já dizia que o Brasil não é para principiantes. Enquanto os analistas se dedicam a explicar o resultado e a especular sobre o rumo que Marina Silva irá tomar diante da disputa entre Serra e Dilma no segundo turno, o Greenpeace acredita que é mais do que hora da questão ambiental – justamente a que catapultou a senadora no cenário político brasileiro – encontrar seu lugar entre os temas prioritários da agenda nacional, acabando com a síndrome de que político que fala em meio ambiente perde votos. Marina teve 20 milhões de votos.

Dilma e Serra não podem mais fugir do tema. Para além do que fazer em saúde, educação, segurança e emprego, que são alvo das promessas dos candidatos, o Greenpeace defende que há assuntos dentro da pauta ambiental que precisam ser priorizados no plano de governo de um futuro presidente da República.

O primeiro deles é a compatibilização entre a expansão da agricultura e a garantia da preservação das nossas florestas. Num país com mais de uma centena de milhões de hectares abandonados e outros tantos desmatados, dizer que é preciso desmatar mais para continuar plantando é repetir o velho mantra de que a destruição da natureza é o passaporte para o desenvolvimento.

Assim, a tentativa de acabar com o Código Florestal no Congresso Nacional, que conta com o apoio de setores dos mais diferentes partidos, incluindo o PT e o PSDB, é o primeiro tema que exige da sociedade uma atenção imediata. Qualquer dos dois candidatos que não deixar clara a importância do código para a proteção de nossas florestas vai se comprometer não com o futuro, mas com um Brasil atrasado.

Outro assunto fundamental é o que fazer para que o Brasil assegure o crescimento da sua economia sem sujar a nossa matriz de geração elétrica, baseada principalmente em fontes limpas e renováveis. Não bastasse o fato de estarmos aumentando a geração de energia a partir de fontes sujas, embarcamos na aventura do pré-sal sem medir os impactos ambientais e econômicos dessa opção.

Ela vai dobrar as nossas emissões dos gases de efeito estufa e certamente atrasará o esforço que o país precisa fazer para não perder a corrida tecnológica pela busca do combustível limpo e renovável que vai fazer o mundo se mover no século 21.

O candidato presidencial que decidir ignorar as questões ambientais daqui para a frente corre sério risco de entrar em choque com o eleitor. Se algum deles duvidar disso, basta estudar o que aconteceu na eleição para Câmara dos Deputados. Em todo o país, deputados identificados com a causa ruralista e que combateram o Código Florestal nos últimos meses, defendendo a anistia para desmatadores, viram emagrecer seu cabedal eleitoral ou simplesmente não foram eleitos, caso de Valdir Colatto (PMDB-SC).

Aldo Rebelo (PCdoB-SP), líder da ofensiva contra o Código Florestal, angariou o dobro de fundos mas perdeu 47 mil votos em relação a eleição de 2006. Abelardo Lupion(PMDB-PR), outro ruralista empedernido, foi eleito. Mas não por seus próprios méritos. Teve que se valer da força eleitoral de sua legenda. Com os deputados identificados com a defesa de nossas florestas aconteceu exatamente o contrário. Rebeca Garcia (PP-AM) teve 64 mil votos a mais do que na eleição passada. Ivan Valente (PSOL-SP), de 83 mil votos em 2006, saltou para 189 mil em 2010. O eleitor deu um recado. Ficar a favor do crime ambiental, definitivamente, não compensa.

Fonte: IHUnisinos

Visto também no blog SOS Rios do Brasil

Não só de Amazônia ou Mata Atlântica vive o Brasil

Apesar da importância do Bioma Cerrado este corre risco de desaparecer, ficando relegado a pequenos parques e perdendo sua função ecológica

O Cerrado

O Cerrado é segundo maior bioma do Brasil e caracteriza-se pela grande diversidade de tipos de ambientes, chamados de fitofisionomias, variando desde campos com vegetação rasteira até florestas, como o cerradão. Esses diferentes tipos de ambientes abrigam alta diversidade de espécies da fauna e da flora, sendo muitas destas endêmicas, ocorrendo apenas neste Bioma. Além da importância biológica, o Cerrado é o berço de nascentes e rios, pertencentes às três maiores bacias da América do Sul: São Francisco, Amazonas (Tocantins-Araguaia) e Paraná.

Os primeiros estudos realizados na região do Cerrado consideraram erroneamente este Bioma como pobre e desinteressante quando comparado às florestas tropicais. Este grande equívoco tem tido repercussão até hoje em dia, sendo refletido em ações preconceituosas, como por exemplo, quando o Cerrado é considerado como fronteira agrícola alternativa e é negligenciado pela legislação ambiental. Entretanto, cada vez mais, os estudos científicos e o conhecimento tradicional vêm revelando aos olhos do país e do mundo a importância e o grande potencial da biodiversidade desse Bioma. Biodiversidade essa resultante de um processo evolutivo único sob ação do fogo, chuva, seca e frio durante milhares de anos.

Apesar da importância evidente dos recursos naturais presentes no Cerrado, este bioma é mal representado no sistema de unidades de conservação do país, e apenas 2,6% da sua extensão encontra-se protegida em unidades de conservação federais. Além disto, as poucas unidades de conservação existentes são mal distribuídas, pequenas em número e concentradas em poucas regiões. Ao mesmo tempo a velocidade de devastação é enorme e cerca de 80% de sua área original já foi alterada desordenadamente e as poucas áreas naturais restantes estão distribuídas em pequenos fragmentos, comprometendo a viabilidade da biodiversidade e dos recursos naturais desse Bioma.

Por essas características, o Cerrado é considerado uma das áreas mundiais de grande prioridade para a conservação da biodiversidade, tanto por sua riqueza biológica quanto pelo grau de alteração das paisagens naturais. A conservação do Cerrado é, ao mesmo tempo, um desafio para todos os setores da sociedade (Governo, OnGs, Associações de produtores e indivíduos); e um legado as gerações futuras.

Fonte: http://www.pequi.org.br/

Pobre Cerrado – Sua morte parece inevitável

Foto: Namuchila. Local: Cavalcante - Goiás

Pobre cerrado, das árvores tortas,  injustiçadas, verdadeiras florestas de cabeça para baixo, dotadas de imensas raízes e cascas grossas para suportar o fogo que eventualmente aparece no cerrado, já teve mais de 70% de sua cobertura vegetal original simplesmente devastada. Algumas gerações de pessoas somente conhecerão esse tipo de bioma em parques isolados, sem conexão e por isso mesmo, com redução de flora e fauna. O cerrado da culinária, da medicina, das artes, da cultura esta desaparecendo, o berço das águas, o berço da vida, de grande importância das bacias hidrográficas desse país está fraco, doente, a morte é iminente, a mudança do código florestal representaria o golpe mortal, desferido em nome de um progresso falso e destruidor. O Brasil e o mundo perdem muito com o desaparecimento de umas das maiores biodiversidades do planeta, que pena.

De nada adianta brigar, o trânsito sempre fala mais alto

Foto: Rodrigo Soldon

Primeiro foram os pioneiros dessa cidade, trataram logo de passar o facão, trator, carro de boi, o que for, por cima das áreas de várzea e matas ciliares dos córregos da capital, a marcha para o oeste, a construção de Brasilia, trouxeram mais e mais pessoas para a capital do estado. Pedro Ludovico havia projetado uma cidade para não mais do que 50 mil habitantes, hoje Goiânia e região metropolitana possuem mais de 1 milhão e 400 mil pessoas, e esse número não para de crescer, e cresce exponencialmente. Toda essa quantidade de pessoas tem criado uma absurda pressão principalmente sobre os recursos naturais da cidade, de recursos digo principalmente os córregos e rios.

No passado, com ausência de fiscalização, as invasões sobre as margens dos córregos, inclusive de pessoas endinheiradas, provocou a privatização de diversas áreas na beira de córregos e rios, que segundo o código florestal deveriam estar protegidas, mas só no papel estão, por que o que se vê atualmente na cidade é um verdadeiro festival de privatização de áreas públicas justamente em lugares onde não deveria existir uma única construção.  A destruição das matas ciliares corresponde  apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior, imenso. A medida que os bairros avançam, a infraestrutura básica é instalada: água, energia, asfalto, galeria de água pluvial, as vezes rede de esgoto. Vamos então nos concentrar no asfalto e na galeria pluvial.

Asfalto pode representar alivio, fim da grande quantidade de poeira, casa limpa, bem arrumada, mas por outro lado também representa impermeabilização, mais calor e mais N valores agregados que cito entre eles o sujeito que vendo-se livre da terrona nas ruas trata de cimentar todo seu quintal, pra manter segundo ele, tudo mais limpo, em resumo, mais asfalto, mais cimento em casa, mais água nas ruas quando vem a chuva. Resultado disso? Inundação, mas pra onde vai toda essa água quando ela passa pela rua? Exatamente, para os córregos e rios. Mas perai, será que eles estão preparados para receber tamanha quantidade de água? Temos ai mais um problema, muitas vezes a cidade não dispõe de rios ou córregos preparados para receber tamanho volume de água, a partir do momento que as galerias são direcionadas até eles, estes passam a adaptar um novo leito, o resto de mata ciliar que ainda existia é consumido, tragado pra dentro do rio, e o que dizer das construções que ficam a beira? Pobres, ricos, sem distinção que fizeram suas casa justamente onde não deveriam, também são consumidos, a não ser claro que o poder público, além de ter permitido a usurpação desses lugares, passa a dar a devida manutenção para que tudo não desça rio abaixo. É muito comum encontrar dentro de córregos pedaços inteiros de muros, ou outros pedaços de construções que foram embora em alguma chuva mais forte, ou simplesmente pessoas que no desespero jogaram restos de construção dentro do córrego, além de não adiantar nada, compromete ainda mais o interior do mesmo, quanto mais comprometido esta o leito do córrego, mais ele avança nas laterais.

Pois bem, além das galerias pluviais servirem como verdadeiras mangueiras de altíssima pressão durante a chuva, elas também passam a servir como condutoras de sujeira em lugares não servidos de rede de esgoto. Algumas pessoas não constroem fossa séptica e então fazem ligações clandestinas nas galeria de água, o esgoto então desce redondo pra dentro do córrego. Então recapitulando, já listamos aqui os seguintes problemas: Retirada de mata ciliar, urbanização desordenada com invasão das margens dos córregos, impermeabilização do solo com consequente aumento do volume de águas que chegam ao córrego e por isso as erosões e aumento da “caixa” do manancial, além de muito lixo que chega pelas galerias, e entulho, muito entulho que as empresas não sabem pra onde levar, pois não existe área de triagem e reciclagem do entulho de construção aqui na cidade, pra se ter uma idéia a prefeitura gasta mais removendo entulhos de lotes vagos e beiras de córrego do que se tivesse a reciclagem em funcionamento, além do que os entulhos que seguem para o aterro sanitário comprometem a vida útil do mesmo.

Como consequencia da maioria das coisas descritas acima, temos o maior vilão de todos, mas infelizmente esse é vangloriado pela maior parte da população que só conhece os beneficios, desprezam os malefícios do mesmo, o nome? Canalização.

Pois bem depois de acabar completamente acabar com o córrego dentro da cidade eis que surge a canalização que promete mundos e fundos, alhos e bugalhos, retira-se os invasores das margens do córregos, faz-se a correção de seu curso, cria-se paredes de concreto super resistentes a infiltração ou erosão, concreta-se o fundo do rio para evitar infiltração por baixo, acaba-se, em muitos casos, com nascentes que abasteciam o córrego, além de aumentar a evaporação do mesmo, após tudo isso decreta-se o fim do córrego, que passa a ser chamado de canal, vão-se embora os peixe, se ainda existirem, aumenta-se a velocidade do córrego e aguarda-se até o dia do volume de água ser tão grande que o córrego sai como um míssel de sua calha destruindo tudo o que está ao redor.

Porém, existe uma vantagem nisso, constroe-se uma marginal ao lado do córrego, facilita-se o fluxo dos carros, o trânsito desafoga. Alegria para o goianiense que passa a ter mais uma via de acesso rápido e pouco se importa para o que corre no centro de tudo aquilo. Além da canalização na  maioria dos casos ser um grande problema, a solução que ela aplica é apenas paliativa visto que as montadoras de automóveis querem vender, as concessionárias querem vender, e o morador da cidade quer ter um veículo para se locomover pela cidade diante de um transporte coletivo falido, em meio a um trânsito cada dia mais caótico, resultado? Em pouco tempo a marginal que inicialmente tinha o trânsito rápido passa a também se congestionar, ou seja, obras como essas expiram, nunca se ataca o problema na raiz, a cidade gira em torno do trânsito, e coloca a qualidade de vida dos habitantes lá embaixo. Se fosse em prol da conservação de rios e córregos, com certeza se pensaria em maneiras mais viáveis de se crescer uma cidade sem destruir tanto suas belezas e riquezas naturais. E ainda falam que Goiânia é primeira e qualidade de vida, tenho medo de pensar nas outras cidades.

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