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Posts Etiquetados ‘Descaso’

Não só de Amazônia ou Mata Atlântica vive o Brasil

Apesar da importância do Bioma Cerrado este corre risco de desaparecer, ficando relegado a pequenos parques e perdendo sua função ecológica

O Cerrado

O Cerrado é segundo maior bioma do Brasil e caracteriza-se pela grande diversidade de tipos de ambientes, chamados de fitofisionomias, variando desde campos com vegetação rasteira até florestas, como o cerradão. Esses diferentes tipos de ambientes abrigam alta diversidade de espécies da fauna e da flora, sendo muitas destas endêmicas, ocorrendo apenas neste Bioma. Além da importância biológica, o Cerrado é o berço de nascentes e rios, pertencentes às três maiores bacias da América do Sul: São Francisco, Amazonas (Tocantins-Araguaia) e Paraná.

Os primeiros estudos realizados na região do Cerrado consideraram erroneamente este Bioma como pobre e desinteressante quando comparado às florestas tropicais. Este grande equívoco tem tido repercussão até hoje em dia, sendo refletido em ações preconceituosas, como por exemplo, quando o Cerrado é considerado como fronteira agrícola alternativa e é negligenciado pela legislação ambiental. Entretanto, cada vez mais, os estudos científicos e o conhecimento tradicional vêm revelando aos olhos do país e do mundo a importância e o grande potencial da biodiversidade desse Bioma. Biodiversidade essa resultante de um processo evolutivo único sob ação do fogo, chuva, seca e frio durante milhares de anos.

Apesar da importância evidente dos recursos naturais presentes no Cerrado, este bioma é mal representado no sistema de unidades de conservação do país, e apenas 2,6% da sua extensão encontra-se protegida em unidades de conservação federais. Além disto, as poucas unidades de conservação existentes são mal distribuídas, pequenas em número e concentradas em poucas regiões. Ao mesmo tempo a velocidade de devastação é enorme e cerca de 80% de sua área original já foi alterada desordenadamente e as poucas áreas naturais restantes estão distribuídas em pequenos fragmentos, comprometendo a viabilidade da biodiversidade e dos recursos naturais desse Bioma.

Por essas características, o Cerrado é considerado uma das áreas mundiais de grande prioridade para a conservação da biodiversidade, tanto por sua riqueza biológica quanto pelo grau de alteração das paisagens naturais. A conservação do Cerrado é, ao mesmo tempo, um desafio para todos os setores da sociedade (Governo, OnGs, Associações de produtores e indivíduos); e um legado as gerações futuras.

Fonte: http://www.pequi.org.br/

Se dependemos tanto da água para viver, por que comprometemos nossas reservas?

Foto: Bredgur's ( flickr)

Está cada vez mais difícil achar água potável

Por Vinod Thomas e Ronald S. Parker*

“Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.”

A tarefa de fornecer água de boa qualidade onde ela é necessária está se tornando cada vez mais difícil em todo o mundo. Nas últimas décadas, os países têm feito investimentos em infraestrutura para aliviar a escassez, mas até agora, na maioria dos casos, a resposta a essa questão deixou de considerar o problema suscitado pela deterioração que os recursos hídricos vêm sofrendo. Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.

Em muitos lugares, mesmo onde a água ainda é abundante, a destruição ambiental tornou caro demais o seu uso. Em outros que desfrutam um bom suprimento de água, ela é usada de maneira imprópria. As prioridades podem ficar de tal modo viciadas que, embora as cidades continuem desesperadas à procura de água, agricultores estão irrigando árvores frutíferas ou plantações de algodão no deserto. Ainda menos aceitável é que a água potável esteja sendo usada para manter jardins e campos de golfe, enquanto os pobres urbanos são forçados a pagar caro por ela, a qual compram em baldes.

Por causa disso, cerca de 700 milhões de pessoas em mais de 40 países são afetadas pela escassez. A intromissão humana nos ambientes hídricos é também um problema crescente. Até 2030 a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 75% da população mundial estará vivendo em áreas costeiras, pondo em risco as terras úmidas que ajudam a limpar o ambiente aquático, além de expor centenas de milhões de pessoas aos riscos relacionados com a água associados às mudanças climáticas.

O Banco Mundial é o maior financiador oficial de investimentos em água nos países em desenvolvimento. Os compromissos de empréstimo na última década somaram por volta de US$ 55 bilhões, com a China e a Índia no topo da lista de mutuários, seguidas pelo Brasil e pela Indonésia. Os projetos hídricos, cobrindo da irrigação e da hidroenergia à gestão de mananciais e vias aquáticas interiores, mostraram nos últimos anos maior sucesso do que outros setores na realização de seus objetivos.

Perdura, no entanto, o desafio de atender às atuais necessidades de água e implantar, ao mesmo tempo, estratégias inovadoras para tomar em conta as futuras necessidades. As áreas de ênfase caem em cinco campos principais ao longo do eixo do desenvolvimento aquático e da gestão ambiental.

Primeiro, o grupo que mais sofre a escassez de água consiste de 45 países, dos quais 35 são da África, que tem pouca. É necessário que a sustentabilidade hídrica se torne central nos seus planos de desenvolvimento, com medidas dimensionadas para atender às suas necessidades urgentes. Mesmo países ricos em água, como o Brasil ou a Tailândia, podem vir a enfrentar deficiência, ao caírem os níveis em represas e de fontes naturais.

Segundo, os lençóis aquáticos subterrâneos estão cada vez mais ameaçados por exploração excessiva, fluxos ambientais inadequados e contaminação. O esgotamento mais grave de águas subterrâneas ocorre no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia. Os esforços necessários abrangem monitoramento da qualidade da água, melhoramento dos aterros sanitários e redução da infiltração de águas superficiais contaminadas nos lençóis freáticos.

Terceiro, a restauração de ambientes degradados pode ter grandes impactos. Um projeto de proteção de terras úmidas costeiras no Vietnã, por exemplo, ajudou a reduzir a área de erosão costeira em nada menos que 40%.

Quarto, as Nações Unidas estimam que 1,8 bilhão de pessoas ainda não terá acesso ao saneamento básico em 2015. Será preciso colocar mais ênfase não somente em soluções de baixo custo no saneamento básico, mas também em ligações domiciliares aos sistemas sanitários. Entre os países em desenvolvimento, registrou-se o maior progresso na Ásia oriental.

Quinto, os investimentos em abastecimento de água precisam ser combinados com a gestão da demanda. A agricultura é a maior usuária na maioria das situações, nas quais tecnologias que melhoram a eficiência não são suficientes para melhorar o uso da água. Uma recuperação de custos maior em projetos hídricos seria útil. Estabelecer cotas e forçar o seu uso no consumo de água, um enfoque relativamente recente, merece cuidadosa avaliação.

Mesmo quando são reconhecidas, tem sido difícil converter tais prioridades em ação. Quando os atores-chave se sentam à mesa para negociar a distribuição de água, o meio ambiente fica esquecido. Raramente existe apoio à recuperação de um aquífero em declínio se ainda se pode extrair água dele, à restauração de faixas úmidas protetoras ou à manutenção de um fluxo suficiente num rio, para que a fauna silvestre possa sobreviver e a intrusão salina, ser prevenida.

O apoio político à reforma é muitas vezes dificultado por graves lacunas na compreensão da situação hídrica de um país. Melhores dados, monitoramento sistemático e divulgação dos achados são essenciais para a mobilização de recursos e a ação. O compartilhamento de conhecimentos apoia, assim, os desembolsos financeiros e possibilita melhores resultados no terreno.

Uma maneira de abrir uma janela de oportunidade seria apoiar processos de monitoração que mandam informações relevantes aos interessados públicos e privados. O exemplo do Brasil mostra que, tornando dados de água disponíveis para o público na internet, isso ajuda a aumentar a preocupação dos interessados, o que também ajuda a mobilizar a vontade política necessária para confrontar problemas de águas arraigados.

*Respectivamente, diretor-geral e consultor no grupo independente de avaliação do banco mundial (Washington D.C.). Este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo.

(Envolverde/Instituto Akatu)

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Dica do  BLOG SOS RIOS DO BRASIL

Goiás, estado da IMPUNIDADE de CRIMES AMBIENTAIS

VERGONHOSO!!!!!

Reportagem do jornal O Popular de 14/03/2010 mostra porque o estado de Goiás hoje é um dos maiores devastadores de seus recursos naturais.

Órgão ambiental aplica multa e infrator faz de conta que paga

Jornal O Popular 14/03/2010

Reportagem: Vinicius Jorge Sassine

Os órgãos responsáveis por reprimir crimes ambientais em Goiás bem que tentaram, mas não conseguiram fazer valer o instrumento mais utilizado, garantido em lei, para coibir danos ao meio ambiente: o pagamento de multas, muitas delas milionárias. Município, Estado e União autuaram milhares de pessoas e empresas flagradas cometendo alguma infração ambiental e lavraram multas que, somadas, chegam a R$ 134 milhões, entre 2006 e 2009. Um levantamento feito pelo POPULAR mostra que somente R$ 7,4 milhões – ou 5,5% – foram efetivamente pagos, um convite para a impunidade e para a reincidência no desrespeito à legislação ambiental.

A facilidade com que se protela uma multa – ou simplesmente com que se ignora a autuação, sem qualquer consequência para quem infringe a lei – tem relação direta com crimes ambientais cada vez mais recorrentes em Goiás. É o caso do desmatamento de reservas legais, áreas de preservação permanente (APPs) e entorno das unidades de conservação do Cerrado, um bioma já amplamente devastado e, como se vê pelo não-pagamento das multas lavradas, sem qualquer perspectiva de preservação. As multas também não são capazes de reprimir a pesca predatória, as carvoarias ilegais, a mineração sem licença e a queima da cana-de-açúcar, em todo o Estado, e a poluição sonora, do ar e dos mananciais, na Grande Goiânia.

A lei garante aos órgãos ambientais, ligados às estruturas de governo do Executivo, o poder de multar em situações de danos ambientais. Num cenário de déficit generalizado de fiscais, a multa passa a ser um dos poucos instrumentos dos órgãos para tentar repreender o desmatamento ilegal ou o funcionamento de uma indústria sem licença, por exemplo. Quem é autuado, porém, sabe exatamente o que fazer nas três esferas – municipal, estadual e federal – para se livrar da obrigação de pagar a multa e, pior, continuar sua atividade econômica sem se preocupar com qualquer tipo de regra imposta pela legislação.

Índice de pagamento é muito baixo

Jornal O Popular 14/03/2010

Reportagem: Vinicius Jorge Sassine

O POPULAR apurou a proporção entre multa aplicada e a paga ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa infrações sob responsabilidade da União; à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), responsável pelas infrações no Estado; e à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), que tem a obrigação de coibir irregularidades em Goiânia. Os menores índices de multas pagas nos últimos quatro anos foram registrados no Ibama e na Semarh, com apenas 3,2% e 3,48% do total das autuações, respectivamente (veja o quadro). As autuações da Amma resultam num retorno de 15% ao Fundo Municipal de Meio Ambiente, mas os questionamentos na Justiça travam o pagamento da grande maioria das multas aplicadas.

Na Semarh, uma infinidade de problemas e situações quase inacreditáveis foi responsável pelo fato de o Estado ter recebido somente R$ 349,6 mil em multas em um ano e meio, mesmo tendo cobrado mais de R$ 10 milhões num período semelhante. Durante dois anos, em 2008 e em 2009, Goiás ficou sem um Conselho Estadual do Meio Ambiente, previsto em lei como instância superior das questões ambientais. O conselho foi extinto pela reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues e só voltou a ser constituído neste ano. No período em que deixou de existir, os processos com recursos contra as multas aplicadas pela Semarh se acumularam.

É ao conselho que se deve recorrer quando há uma discordância sobre os valores aplicados. Muitas pessoas e empresas – que a Semarh não sabe precisar quantas são – enxergaram essa falha do Estado e recorreram a uma instância que não existia, com o claro objetivo de protelar o pagamento da multa.

A Semarh passa por um déficit de fiscais sem precedentes. Um levantamento do Ministério Público (MP) estadual mostra que o órgão tem 300 servidores comissionados e 88 concursados, muitos deles com desvio ou acúmulo de função. O último concurso realizado foi em 1988. As autuações caíram significativamente nos últimos anos. Chegaram a R$ 18,4 milhões em 2006 e não passaram de R$ 5,5 milhões no ano passado. Boa parte das multas prescreve porque os devedores não são cobrados pelo Estado, nem o débito é informado à dívida ativa da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

A expectativa da Semarh é que um convênio com a Sefaz, que deve ser assinado ainda neste mês, permitirá a inscrição do agressor ambiental multado na dívida ativa do Estado já a partir de abril. Se isso ocorrer, diminuem as chances de prescrição da multa. O Conselho de Meio Ambiente fez as primeiras reuniões em fevereiro e voltará a apreciar os recursos. “Os processos se acumularam durante os dois anos em que o conselho não funcionou”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Roberto Freire. “As empresas sempre protelam o pagamento da multas.”

Nota de Denúncia e Repúdio: Parque Nacional da Serra Vermelha no Piauí está virando CARVÃO

Vídeo:

Leia a Nota:

Nota de Denúncia e Repúdio*

A Rede Ambiental do Piauí vem a público denunciar e repudiar a visível manobra articulada a portas fechadas pelo governador do Piauí, Wellington Dias e
pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (ambos do PT), no sentido de tentar proteger a empresa JB Carbon, que grilou 114 mil hectares de terras públicas na última floresta do semi-árido do Nordeste, localizada na Serra Vermelha, no Sul do Piauí, e que vinha desmatando a mata nativa da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica da região, para produzir carvão.

A manobra mascarada de “proteção aos ecossistemas” da região, consiste em não criar o Parque Nacional da Serra Vermelha, mas ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, deixando de fora exatamente a área da JB Carbon, uma vez que a proposta do Grupo de Trabalho Técnico, instalado pelo próprio Ministro do Meio Ambiente, propôs um polígono com área de 436.995 hectares para esta ampliação e o que está sendo veiculado na imprensa, tanto nos sites oficiais do MMA e do governo do Piauí, quanto em outros sites, é que a ampliação do Parque Nacional da Serra das Confusões será de apenas 270.000 hectares. Fica clara dessa forma a existência de uma manobra para deixar de fora da ampliação proposta a parte mais importante da Serra Vermelha.

Não questionamos a necessidade de se ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, que já é a maior unidade de conservação na Caatinga e que mesmo assim precisa mesmo ser ampliada para proteger a rica biodiversidade ameaçada da região. Entretanto, deixar de fora a área mais nobre da Serra Vermelha é um absurdo e mostra existirem interesses e dívidas eleitoreiras entre o governador do Piauí e a empresa JB Carbon, uma das prováveis financiadoras da sua candidatura à reeleição para governador. Vale lembrar que quem comanda a JB Carbon é o empresário carioca João Batista Fernandes, conhecido do Ministro do Meio Ambiente, que também será candidato nas próximas eleições.

É realmente muito estranho que o Ministro tenha formado um Grupo de Trabalho Técnico (anunciado publicamente pelo próprio Ministro durante a Semana da Mata
Atlântica, realizada no Rio de Janeiro, em 2008 e depois oficializado através de portaria), com os mais capacitados técnicos do MMA, do ICMBio, do governo do PI e da Rede de ONGs da Mata Atlântica, para aprofundar os estudos na região sobre a importância biológica e propor o desenho do futuro Parque Nacional da Serra Vermelha e agora desconsidere todo o trabalho técnico realizado durante meses, que consumiram significativos recursos públicos, em troca de uma proposta sem fundamentação técnica e claramente eleitoreira.

Levando em conta os discursos do Ministro Carlos Minc sobre “desmatamento zero e o jogo duro com os empresários devastadores” , chega-se a conclusão de que
essas medidas não serão aplicadas no Piauí.

A sociedade piauiense e brasileira espera outro tipo de atitude por parte dos governantes. Que se crie o Parque Nacional da Serra Vermelha ou que se amplie o Parque Nacional da Serra das Confusões, mas com o polígono sugerido pelo Grupo de Trabalho Técnico, sem deixar nenhuma área de fora e muito menos por conta de negociatas de interesses escusos.

Teresina (PI), 23 de fevereiro de 2010.

Rede Ambiental do Piauí – REAPI
reapi.pi@gmail. com

Blog:  http://serravermelha.blog.terra.com.br

Goiânia, uma cidade pouco ambientalmente correta.

Situação da Margem de córrego em Goiânia

Sim, é isso mesmo, a capital do estado de Goiás está longe de ser uma cidade ambientalmente correta. Pode-se dizer que as coisas aqui melhoraram sensivelmente nos últimos anos, mas está longe, muito longe mesmo do ideal. Os parques, aparentemente, trazem uma melhora da qualidade de vida na cidade, na frente dos panos tudo está uma maravilha, e por trás como está? As coisas estão indo de mal a pior. Nosso córregos agonizam, as nascentes secam, as árvores, outrora frondosas na época de Pedro Ludovico, desapareceram. Não é necessária nem uma mão para contar nos dedos a quantidade de córregos em Goiânia que possuem sua cobertura vegetal original ou mesmo alguma cobertura vegetal que não seja capim. Triste constatar que até mesmo nascentes são aterradas, dando lugar a plantações, pastagens ou construções. Pobres córregos de Goiânia, faziam a alegria dos primeiros moradores da capital, hoje em dia são alvo do desprezo, da poluição, do abandono, da depredação.

Urbanizar tornou-se sinônimo de destruição, não é possível coexistir córrego limpo, bem cuidado com residencias, ruas, praças. Vem o asfalto trazendo com ele a impermeabilização e as galerias de água pluvial, que por sua vez trazem uma carga de água que o córrego não consegue assimilar, provocando erosão e assoreamento, somam-se a isso o lixo das ruas e por fim esgoto, ligado clandestinamente nos canos destinados unica e exclusivamente para escoamento da água da chuva. Além desses ingredientes, temos a ocupação das margens, com a retirada da cobertura original e a degradação das nascentes ao longo do córrego que com o tempo tornam-se temporárias ou simplesmente desaparecem. Os parques de certa forma protegem as nascentes de alguns córregos, o problema é que a proteção fica apenas no perímetro do parque, já fora, a realidade é outra, bem mais cruel.

Em virtude das erosões, a situação das margens da maioria dos mananciais em Goiânia esta tão critica, que é necessária uma intervenção urgente para que os córregos, na tendência natural de corrigir seus leitos, não invadam ainda mais as laterais, que hoje em dia estão ocupadas por muros e casas de pessoas que acham que o problema está no córrego e não no local que elas escolheram para construir. O problema é que sempre trazem soluções mais baratas ou simplesmente mais rápidas, como gabiões ou canalização do leito. O que descaracteriza completamente o córrego e provoca sua morte simbólica, porém tão dolorida quanto a real, tranformando-o apenas em um simples canal que leva a água que nasce de um ponto ao outro em sua foz.

Mas, de todos os problemas o maior deles esta realmente na cabeça da população, que não é educada a admirar seus rios ou córregos. A correria do dia a dia as impede de apreciá-los e com isso ninguém se importa quando joga-se lixo ou esgoto neles, retira-se a mata da margem ou se concreta seu fundo e suas laterais, muitas vezes a população até aplaude esse feito, claro que iludida pela mídia ou governo que chama o processo de reurbanização do vale do córrego X.

Goiânia é uma bela cidade, mas só por fora, por dentro ela é feia, é suja, é insalubre e doente. Goiânia, deve sim ser reconhecida pelo seu meio ambiente, mas como um todo, não só através de parque isolado, mas através da interligação das subbacias hidrográficas do município, criando nas margens dos córregos parques lineares que se estendem por toda sua extensão, trabalhando a questão do lixo, punindo severamente aqueles que fazem ligações clandestinas de esgoto e fazendo estudos para saber a capacidade máxima de água que um córrego pode suportar a cada chuva, fazer cumprir a lei para que o terreno tenha  área mínima permeável, para infiltração da água pluvial , ou pelo menos a caixa para reter água da chuva, e tudo mais que possa ser feito para que a água não fique apenas na superficie, mas vá para o solo e recarregue as nascentes. Nossos córregos precisam de ajuda, ou os protegemos ou os perderemos, enclausurando-os em canais de cimento, que mais lembram cemitérios de córregos.

P.S: Apesar de alguns esforços que tem sido feitos para corrigir esses problemas, eles não tem sido nem de longe suficientes.

Uma das maiores fontes de poluição nos rios do Brasil vem de agrotóxicos

Eu que o diga, descendo alguns rios que tem em suas margens grandes plantações pude perceber que alguns agricultores descartam as embalagens dentro do rio, constituindo um crime ambiental grave. Leia a noticia abaixo.


Vergonha: Brasil se reafirma como maior consumidor mundial de agrotóxicos
Seg, 15/Fev/2010

Na safra de 2008/2009, o Brasil atingiu a marca de maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Os agrotóxicos são feitos a partir de produtos de petróleo e de químicos não degradáveis e, portanto, depois de fabricados, permanecem na natureza.

Matam a biodiversidade representada pela variedade de vida vegetal e animal, afetam a fertilidade natural do solo (ao acabar com bactérias e nutrientes naturais), contaminam o lençol freático e a qualidade das águas da chuva – pois os venenos secantes evaporam para a atmosfera e depois regresssam com a chuva. Afetam também a qualidade dos alimentos, que quando ingeridos sistematicamente podem causar destruição das celulas e resultar em câncer .

Mas tudo isso não importa. A indústrias anunciam os dados com orgulho. Afinal, a eles apenas interessa os lucros! Certamente seus gerentes buscam apenas produtos orgânicos nas gôndolas dos supermercados, enquanto o povo é obrigado a engolir seus venenos.

Veja e baixe, no arquivo anexo, tabela sobre o consumo de venenos por produto. O Brasil consumiu ao redor de 700 milhões de litros de veneno. Veja a distirbuição por produto (em torno de 629 milhões) e outros produtos mais 70 milhões de litros. Esses 700 milhões de litros foram apliados em 50 milhoes de hectares, equivalente a 14 litros por hectares, a maior media do mundo.

Fonte: MST./PORTAL DO MEIO AMBIENTE – VILMAR BERNA
Do Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

Toma o troco – Em São Paulo…

Tirinha do Dr. Pepper e sua turma

E tem gente que ainda não aprende…

Portal da bacia do rio Meia Ponte – MeiaPonte.Org

Está no ar há cerca de 2 meses o portal da Bacia do Rio Meia Ponte, o MeiaPonte.Org.  Nele você encontrará fotos, reportagens, videos, diário de bordo, e tudo o que se refere a bacia de um dos rios mais importantes, porém, mais maltratado do estado de Goiás.

http://www.meiaponte.org

O progresso não respeita nem mesmo aqueles que deveríamos admirar

Hidrelétrica de Tucurui ainda causa impactos negativos aos indígenas

Novos empreendimentos na Amazônia ameaçam sobrevivência dos índios

O documento ataca o avanço desordenado de “infraestruturas da globalização” e lembra que a instalação de grandes usinas, como a Hidrelétrica de Tucuruí, na década de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos de malária.

A instalação de novos empreendimento na Amazônia gerou consequências trágicas e irreversíveis para os povos indígenas da região. É o que revela publicação inédita da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação dos mais de 370 milhões de índios no mundo, divulgada no Rio de Janeiro e em várias capitais.

Embora o relatório não cite a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, em Porto Velho, alerta que há relatos de índios isolados vivendo na região, que estão sendo dizimados por doenças tratáveis como malária, pneumonia e varíola.

O documento ataca o avanço desordenado de “infraestruturas da globalização” e lembra que a instalação de grandes usinas, como a Hidrelétrica de Tucuruí, na década de 1980, gerou “um aumento dramático” dos casos de malária. No período, também foi registrado crescimento da incidência de doenças como oncocercose (cegueira dos rios) e esquistossomose.

Na Amazônia peruana, o relatório cita os impactos com a exploração de petróleo e gás (Projeto Camisea) desenvolvido pela Shell Oil, também na década de 1980. O contato de trabalhadores da empresa com a população local trouxe tosse, varíola e gripe, matando 50% da comunidade tradicional.

Além das enfermidades trazidas com as alterações no meio ambiente, como os grandes alagamentos para a instalação da usinas, novos empreendimentos na Amazônia também obrigam o reassentamento de famílias, que deixam para trás, além do território, tradições e relações seculares com o lugar e formas de subsistência.

“Grupos indígenas dispersados anteriormente foram forçados a viver em assentamentos, onde eram expostos a novas doenças, como infecções intestinais e gripes”, afirma o relatório, que aponta também a carência de assistência médica adequada e a falta de vacinação regular.

Durante a divulgação do relatório, o líder Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), disse que, para minimizar os problemas provocados por esses empreendimentos, os índios querem ser consultados sobre os impactos das instalações em suas terras, como determina a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

“A ONU trabalha para que os bancos de financiamento e organismos multilaterais como o Banco Mundial [Bird] e o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID] sejam obrigados a estabelecer mecanismos de consulta e diálogo com os povos indígenas para levar em conta a opinião deles. Isso vai ajudar na garantia dos direitos humanos”, concluiu Terena.

CIMI/EcoAgência

Entendendo desde cedo a importância de se preservar!

Que poeta!!!   José Wellington Marciano de Souza    -  11 anos.  Parabéns!

Oh! Rio Meia Ponte

O Rio Meia Ponte era um amor

Mas ninguém lhe deu valor

O Rio que era limpinho e cheiroso

Agora se tornou um fedor

Oh!

Rio Meia Ponte  como dava gosto te ver

Agora é o local onde se joga esgoto

Oh, Rio onde brincava muitas crianças

Agora se encontra tanto lixo

Era o Rio onde podia banhar, nadar, lavar roupa e beber água

Agora não pode mais nada

Oh,  Rio onde o peixe era o sustento

Quem fazia isso, já não faz há muito tempo

Era o Rio onde se via gaivotas planando para pegar peixes

Agora se vê moscas e urubus voando

Era o Rio em que os moradores viam capivaras nadando

Agora só vê vasos, garrafas e muitos lixos em suas margens rolando…

Oh, Rio tu ainda tens vida

Nós vamos te salvar

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