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Posts Etiquetados ‘Degradação’

Trindade (GO), a capital da fé precisa de muita oração

Festa do Divino Pai Eterno, uma das maiores manifestações de fé do mundo, no município de Trindade GO

Água, o bem mais precioso, indispensável a vida humana, 3 dias sem beber do líquido representa a morte para nós, simples mortais. As sociedades sempre nasceram e cresceram próximas a rios e lagos, pois, as principais atividades humanas sempre envolveram água. Seja para beber, tomar banho, lavar roupa, para limpar a casa, lavar vasilhas, a água faz parte do nosso dia a dia e a simples falta dela em nossas torneiras gera um transtorno sem precedentes. Praticamente ninguém se pergunta de onde vem a água que bebe, é um daqueles serviços essencias que deve ser oferecido a população e essa só quer ter o resultado final, a água tratada, não se preocupando realmente como é todo o processo até chegar as suas torneiras.

Trindade, cidade do estado de Goiás,  é muito conhecida pela festa do Divino Pai Eterno, pelos desfile de carros de boi e pela caminhada pela rodovia dos romeiros que saem de Goiânia  É uma festa religiosa que  acontece no mês de Julho e atrai multidões de turistas e romeiros todos os anos. A cidade de Trindade possui cerca de 104.488 habitantes segundo o censo do IBGE de 2010. É uma cidade que faz parte da região metropolitana de Goiânia, espécie de cidade dormitório, não em sua totalidade, mas que acolhe grande parte dos migrantes que aqui chegam e que não podem arcar com os alto custos de imóveis na região mais central de Goiânia, e que por consequência geram uma ocupação cada vez mais crescente das periferias.

Esse crescimento desordenado, com a construção de loteamentos irregulares ou sem a devida análise, em áreas da bacia de captação de água tem levado o município a um quadro preocupante de escassez de água. Trindade já chegou a ser abastecida por 3 outros córregos antes do atual, estes eram: córrego Barro Branco, Barro Preto e Anil, a captação nesses córregos foi desativada em função da degradação da qualidade da água bruta, causada justamente  pela ocupação urbana ao redor das captações. No ano de 1988 foi construida a atual captação no ribeirão Arrozal e que atualmente, mais de 20 anos depois, já se encontra com graves problemas de turbidez ( água muito barrenta) devido principalmente ao carreamento de sedimentos provocados pela erosão nas ruas e avenidas abertas para o avanço da urbanização.

Todas as informações aqui expostas, não são fruto da imaginação fértil do detentor desse blog, são sim baseadas em um relatório  da Saneago, empresa responsável pela água e esgoto no estado de goiás, que denuncia o quão crítica é a situação das atuais captações não só da cidade de Trindade, mas de outras cidades no estado de Goiás, que correm o risco, de em poucos anos, não terem mais de onde retirar água.

No caso de Trindade, na bacia do ribeirão Arrozal, pipocam os loteamentos, inclusive foram construídas mais de uma centena de casas populares na região. Ainda não existe asfalto na maioria dos lugares ali, mas acredito que com a chegada deste, as coisas vão se tornar piores. Com o asfalto,  menos água penetra no solo , devido a impermeabilização do mesmo. O telhado das casas, a construção de calçadas e a concretagem dos quintais também agravam o problema, o que aumenta consideravelmente a vazão do ribeirão durante as chuvas. Como não há caixa suficiente para o elevado volume de água, as erosões e desbarrancamentos levam mais sedimento para o curso d’água, provocando seu assoreamento e aumento de turbidez em suas águas. Situações como essa podem levar a paralisação parcial ou total das operações de um estação de tratamento de água ( ETA) e até mesmo a sua inviabilização definitiva, devido os alto custos de manutenção da mesma.  A construção de  galerias de águas pluviais também podem ocasionar transtornos devido ao elevado volume  de água que estas carregam durante as chuvas e, se não forem bem planejadas, com redutores de energia  por exemplo, a água pode chegar com muita força ocasionando os mesmos problemas de erosão e assoreamento. Esgotos clandestinos também são um grave problema. Estes são de dificil controle, principalmente quando não há  fiscalização ou essa é deficiente.  A qualidade da água bruta descresce e também pode inviabilizar a operação da ETA.

Existem várias perguntas a serem feitas, por exemplo: por que permitem a construção de loteamentos em áreas tão críticas?  Será que não percebem que isso trará consequencias danosas para mais de 100 mil pessoas e talvez até mais do que isso? E se não for mais possível utilizar essa ETA? De onde vão pegar água? Será que o lago do João Leite vai ser capaz de atender Goiânia e toda a região metropolitana?  Acredito que não, mas e ai, como ficamos? As bacias do ribeirão Caldas e Dourados também estão sofrendo os efeitos da urbanização, a captação do Meia Ponte também, de onde vamos tirar água?

Pensando bem, o problema é que nesse caso,  só oração não vai resolver não.

Nascentes do ribeirão Dourados estão ameaçadas

Reportagem que saiu no jornal Diário da Manhã na edição de 12 de Novembro de 2010 revela o descaso com que são tratadas algumas nascentes no ribeirão Dourados, importante afluente do rio Meia Ponte, último dos maiores mananciais da região metropolitana que ainda não sofreu danos profundos causados pela ocupação urbana desordenada.

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Você também poderá gostar: Você conhece o rio Dourados em Goiás?

D. LUIZ CÁPPIO: “A NOSSA TERRA, A NOSSA ÁGUA, A NOSSA VIDA”

Existem certos posts, como esse que li no blog SOS Rios do Brasil, que merecem ser republicados, sem sombra de dúvida esse é um deles. Apesar de grande, não deixe de ler até o final. Boa leitura!

A nossa terra, a nossa água, a nossa vida

D. Luiz Flávio Cappio

“Este é o grito de um pastor que vem das terras do Sul, preocupado e muito ocupado com as ovelhas de sua imensa grei. Um pastor que deseja ardentemente que suas ovelhas tenham verdes pastos nos quais comer, água cristalina para beber, ar limpo para respirar. Vida de qualidade e dignidade, vida com todos os direitos de cidadania. E por isso é necessário pôr em fuga os lobos que giram vorazes nas vizinhanças em busca de vítimas com as quais saciar sua insana fome de riqueza e de poder.”

A opinião é de Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, na Bahia, grande crítico da transposição do Rio São Francisco. O artigo, transcrição de trechos de um pronunciamento de D. Cappio feito na Itália, foi publicado pela agência italiana Adista, 28-06-2010. A tradução é de Benno Dischinger.

(…) Senhoras e senhores,

O ser humano se encontra ante uma emergência inédita. Este planeta azul de um universo divino, estrela do firmamento, privilegiado por sua beleza e riqueza, que sempre nos ofereceu sustento e conforto, agora agoniza há longa data por causa da insana exploração humana.

O momento é grave e necessita de toda a nossa reflexão, séria e responsável. O momento exige consciência para lutar contra a destruição dos nossos rios, dos nossos bosques, do nosso povo e contra a arrogância e o lucro de quantos querem transformar tudo em mercadoria e em moeda de troca para fins econômicos.

Nosso planeta exige que se escolha a vida, pondo fim à contaminação do ar e da água, à degradação dos solos, à destruição da flora e da fauna e à corrupção do ser humano. A Terra, nossa casa, pede re-spiração, um pouco de paz e condições propícias para recuperar sua vitalidade e para continuar a viver de modo sadio. Pede investimentos e, sobretudo cura, que – segundo o grande pensador Leonardo Boff – é o outro nome do amor.

Todos os bens têm sido colocados pelo Criador ao serviço e à atenção do ser humano. Devemos servir-nos e cuidar destes bens, do ar puro, das fontes, das florestas, das reservas minerais, com consciência e respeito. Poluir o ar com o bióxido de carbono, desviar o curso dos rios com diques, destruir bosques e contaminar as águas com esgotos e pesticidas, plantar para um fim diverso da produção de alimentos, tudo foi imposto como “necessário para o desenvolvimento”. Mas, que desenvolvimento é esse? Desenvolvimento sem sustentabilidade é um conceito errôneo e ultrapassado. O verdadeiro desenvolvimento deve ser sustentável, social e ecologicamente, e nos solicita remediar as agressões já cometidas.

Submeto-vos estas reflexões não como especialista, mas como um pastor ribeirinho. São quase quarenta anos que vivo às margens do Rio São Francisco, o Velho Chico. O que digo se baseia naquilo que vivencio aqui, junto ao povo pobre e bom das ilhas, dos pântanos, das fozes e dos bosques deste rio abençoado por Deus e deturpado por mãos humanas.

Um rio moribundo

(…) O São Francisco é o maior rio inteiramente brasileiro e historicamente o mais importante, chamado “rio da unidade nacional” porque tem sido a via pela qual os colonizadores penetraram ao interior do imenso território nacional, unificando-o de norte a sul. Com os seus quase 3.000 quilômetros, é o 18.º rio do mundo em comprimento, maior do que o Danúbio e mais do dobro do Reno, e drena uma bacia hidrográfica de 640 mil km2 (8% do território nacional), mais do que a França e Portugal somados. Na sua bacia vivem em torno de 16 milhões de pessoas (9% da população brasileira). Desfrutado de maneira intensa e selvagem a partir dos anos 40 para a produção de energia elétrica, a irrigação de cultivos de frutas, de cereais e de agro-combustíveis (cana de açúcar para etanol), para a criação de gado e o abastecimento doméstico e industrial, em pouco tempo adoeceu de modo muito grave. Desmatado, coberto de terra, poluído, sua dimensão média, que era de 3.000 m3/s em 1929, isto é, maior do que a do Nilo, diminuiu para 2.000 m3/s na segunda metade do século e é atualmente de 600m3/s. Estudos recentes realizados por pesquisadores dos Estados Unidos concluíram que sua dimensão caiu em 35% em cinquenta anos. Do que resta poderia perder até 20% segundo pesquisas comissionadas pela ONU sobre alterações climáticas.

Por um ano, entre 1992 e 1993, junto com três companheiros – um camponês, uma religiosa e um ambientalista – percorri o São Francisco da fonte à foz, numa peregrinação religiosa e ecológica, e místico-políica. Pudemos ver de perto a dureza da vida dos ribeirinhos, sua simbiose com o rio – que, como a um pai, chamam de Velho Chico. Constatamos as agressões que sofrem o rio e o povo, entre resignação e resistência. Fizemos apelo aos responsáveis. Solicitamos ao povo, além dos cuidados que ele mesmo pode e deve garantir, que ele lutasse em defesa de seu rio, condição fundamental de sua própria vida. Dizíamos: “Rio morto, povo morto; rio vivo, povo vivo”! E o povo, nestes últimos anos, se levantou em defesa da vida, mas são maiores e mais fortes os poderes da morte.

As greves de fome

Diante da insensibilidade do governo brasileiro ante as vozes críticas da ciência, da Igreja, da sociedade e dos movimentos e organizações populares, e para obter uma suspensão dos trabalhos, bem como a abertura de um debate e um aprofundamento dos estudos em busca da verdade sobre o rio, sobre o semi-árido e sobre a transposição do São Francisco, fiz dois jejuns: um por 11 dias em 2005 e o outro por 24 dias em 2007. Foi grande e surpreendente o apoio que recebi, também da Suíça, e aqui aproveito para agradecer a todos: Deus vos recompense! Mas, isso não bastou para dissuadir as autoridades e para fazer recuar os poderosos interesses que se escondem por trás do projeto. Jesus dizia que certa raça de demônios só se expulsa com o jejum e a oração (Mt 17,21)…
Deve ter acontecido faltar a fé, porque ainda não os expulsamos…

Espelho de uma sociedade

Infelizmente o caso do São Francisco não é uma exceção. No Brasil, sete rios sobre dez são poluídos. Segundo as Nações Unidas, o problema atinge mais da metade dos rios da Terra. Alguns dos rios mais importantes do mundo, que abastecem áreas populosas, estão perdendo tamanho. Um terço dos 925 rios estudados pelos pesquisadores norte-americanos antes citados apresenta mudanças significativas nos fluxos da água nos últimos 50 anos: aqueles cujo tamanho se reduziu superam aqueles que viram crescer o próprio tamanho na proporção de 2,5 a 1. Resultado da desordem dos bens naturais – água, terra, bosques, minas – das bacias hidrográficas.

“Se é verdade que um rio é como um espelho que reflete os valores de uma sociedade”, a nossa talvez valha por aquilo que produz em termos de esterco, rejeitos e poluição…

Os rios são somente a maior demonstração da insustentabilidade do nosso modo de viver e de tratar as águas do planeta.

Na realidade, o projeto de transposição do rio São Francisco, as imensas monoculturas de eucalipto e agora o terrível projeto do dique de Belo Monte, na Amazônia, não são pensados para melhorar as condições de vida da população, mas para aumentar a fortuna dos mais ricos, não obstante provoquem devastação ambiental, desemprego, miséria, fome e sede. Despertam-se os primitivos sentimentos do ”lobo” que está em nós: a avidez, o egoísmo, a soberba. Produzir riqueza a qualquer custo, mesmo causando dano à natureza e às populações.

Em 1990, 20 países sofreram por falta de água. Em 1996 já eram 26. Dizem as previsões que em 2020 subirão a 41, e em 2050 serão dois bilhões e meio as pessoas no mundo que ficarão privadas de água. De 1500 aos nossos dias, a água tem sido instrumento ou causa de mais de 60 conflitos. O século vinte, com a expansão do capitalismo e o desenvolvimento tecnológico, foi amplamente o mais mortífero. Estamos vivendo uma fase de neocolonialismo e, desta vez, o saque se concentra, além de ser feito nas terras agrícolas e nas minas, precisamente sobre a água.

E quem pagará será o povo

Um inédito Mapa da Injustiça Ambiental e Sanitária do Brasil, recentemente tornado público, indica que em 116 dos 300 casos documentados o problema da água está de certo modo presente.

Segundo a Constituição brasileira de 1988, a prioridade dos investimentos públicos em projetos hídricos é a de resolver o problema da sede humana e animal. E os megaprojetos de transposição do rio São Francisco e do dique de Belo Monte sobre o rio Xingu se colocam, ao invés, como objetivo o de refornecimento hídrico para o agro business do Nordeste e da segurança energética para os grandes projetos minerário-industriais na Amazônia, e, além disso, violam os territórios dos povos tradicionais, indígenas, quilombolas e camponeses. Neste sentido, os projetos são anticonstitucionais e atentam aos direitos fundamentais da população.

Estes projetos faraônicos constringirão o povo, sobretudo os habitantes das cidades, a subvencionarem os usos econômicos da água, como a irrigação de frutas apreciadas, as criações de camarões, a produção de aço e as mega-monoculturas para a produção de combustíveis. No Brasil, o custo da energia é muito baixo para as indústrias e muito alto para o povo. Os projetos são financiados com dinheiro público e é o povo que paga a conta do consumo de energia das empresas. Aquele povo que se deve contentar com as migalhas que caem da mesa dos ricos.

Ante a crise atual da água, estou certo que temos a possibilidade – talvez a última – de compreender a gravidade da alternativa diante da qual se encontra a humanidade: a vida, da qual a água é a mis completa expressão, ou a morte. E é neste sentido que a Declaração da Água como Bem Público e Direito Humano é importante, porque representa uma questão fundamental da preservação da vida.

O dilema se coloca nestes termos: a água como direito garantido a cada ser humano e todos os seres vivos, ou a água como um negócio, privatizada, mercantilizada, lucrativa e, por conseguinte negada, poluída, profanada, desviada, destinada a produzir sede, fome, doenças, extinção de espécies e morte. Aqui não há meios termos porque, subjugada a água – origem e condição da vida – aos ditames mercantis do neoliberalismo, não restará mais nada.

É necessário respeitar a mãe natureza e a população que suporta o ônus de todos estes projetos insanos. A natureza merece atenção e povo merece consideração e respeito. Em fim de contas, é sobre os ombros que recai o preço destes projetos dos quais se beneficiam os poderosos.

Nossa luta é permanente e está inscrita no fundamento que tudo sustenta: a fé no Deus da vida e na ação organizada dos cidadãos, para que as bênçãos de Deus se difundam de modo equânime sobre todos.

Nossa luta é garantir a vida, a biodiversidade dos ecossistemas, um verdadeiro desenvolvimento para as populações do semi-árido do Nordeste e da Amazônia. Lutamos para que o Estado reconheça a dignidade do homem dos campos e das florestas. Para que estes possam produzir alimentos e oferecer água de qualidade àqueles que necessitam, como também receber a devida atenção das políticas públicas.

Não basta dizer ”não” ao projeto de transposição do rio São Francisco, às monoculturas, ao dique de Belo Monte sobre o rio Xingu. É necessário um plano de desenvolvimento verdadeiramente sustentável que leve benefício a toda a população. Temos necessidade urgente de construir um novo modo de pensar em matéria de ar, água, solo, florestas, de combater o desperdício, de valorizar aquilo de que dispomos, de conservar e proteger os bens naturais para as gerações futuras.

A água é patrimônio de todos os seres vivos, não só da humanidade. Nenhum uso diverso da água, nenhum interesse de ordem política, de mercado ou de poder pode se sobrepor às leis fundamentais da vida. Neste sentido, a Declaração Ecumênica sobre a Água nos recorda a necessidade que as Igrejas se unam em sua missão profética a serviço da justiça social e da defesa deste dom de Deus que meu pai e irmão São Francisco chamava de “Irmã Água”, “muito útil é humilde e preciosa e casta”.

Para nós, de acordo com a teologia e a doutrina social da Igreja católica, são três os princípios da nossa relação com a água: sua destinação universal (para todos os seres vivos), seu reconhecimento como direito humano fundamental, e a prioridade de seu uso para a vida. É isto que afirma a Declaração sobre a Água como Direito Humano e Bem Público.

As mãos de Deus

Sabemos que as lutas pela justiça social, pela terra, pela água, pelas florestas, pela biodiversidade, em suma, pela vida, encontram muitos obstáculos. Existem poderosos interesses econômicos em condições de impor uma visão do mundo no qual tudo é mercadoria: um supermercado global em que tudo se compra e tudo se vende.

Com tristeza acompanhamos as notícias sobre a maré negra nos Estados Unidos e sobre a asseguração da parte da indústria petrolífera responsável que ela pagará todos os prejuízos. Eu me pergunto: a vida tem um preço? As aves, os peixes… quem falará por eles? E assim os pobres deste mundo, os sem voz, os sem terra, os sem água… Quem falará por eles?

No projeto de transposição do rio São Francisco o exército brasileiro com todo o seu poder de intimidação avança junto aos trabalhos. Recordamos que todas as vítimas das lutas pela terra, a mais recente das quais, Dorothy Stang, foi barbaramente assassinada por sua batalha pela justiça e por uma vida digna. Também aqui na Suíça, um país de grande tradição democrática, uma multinacional, a Nestlé, enfastiada pelas críticas da sociedade civil, organizou uma operação de espionagem que eu leio como uma clara ameaça, em que ficou envolvido um nosso irmão brasileiro (Franklin Frederico), um companheiro na luta.

Toca a nós, Igrejas empenhadas, exprimir solidariedade com estas lutas, tanto no Brasil como na Suíça e no resto do mundo.

Este é o grito de um pastor que vem das terras do Sul, preocupado e muito ocupado com as ovelhas de sua imensa grei. Um pastor que deseja ardentemente que suas ovelhas tenham verdes pastos nos quais comer, água cristalina para beber, ar limpo para respirar. Vida de qualidade e dignidade, vida com todos os direitos de cidadania. E por isso é necessário pôr em fuga os lobos que giram vorazes nas vizinhanças em busca de vítimas com as quais saciar sua insana fome de riqueza e de poder.

Senhoras e senhores, no evangelho Jesus nos ensina (Jo 10,10) que o Bom Pastor, se necessário, dá a vida por seu rebanho e não poupará sacrifícios “para que todos tenhamos vida e a tenhamos em abundância”.

O planeta é este imenso campo, a nossa casa. O povo é o grande rebanho do Bom Pastor que, por sua vez, se multiplica numa quantidade de pastores e pastoras empenhados a cuidar com amor a casa e a família que nos tem sido confiadas. “Porque Deus”,disse Bernanos, “não tem outras mãos para trabalhar senão as nossas”.

(Ecodebate, 12/07/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Dica do Blog SOS Rios do Brasil

De nada adianta brigar, o trânsito sempre fala mais alto

Foto: Rodrigo Soldon

Primeiro foram os pioneiros dessa cidade, trataram logo de passar o facão, trator, carro de boi, o que for, por cima das áreas de várzea e matas ciliares dos córregos da capital, a marcha para o oeste, a construção de Brasilia, trouxeram mais e mais pessoas para a capital do estado. Pedro Ludovico havia projetado uma cidade para não mais do que 50 mil habitantes, hoje Goiânia e região metropolitana possuem mais de 1 milhão e 400 mil pessoas, e esse número não para de crescer, e cresce exponencialmente. Toda essa quantidade de pessoas tem criado uma absurda pressão principalmente sobre os recursos naturais da cidade, de recursos digo principalmente os córregos e rios.

No passado, com ausência de fiscalização, as invasões sobre as margens dos córregos, inclusive de pessoas endinheiradas, provocou a privatização de diversas áreas na beira de córregos e rios, que segundo o código florestal deveriam estar protegidas, mas só no papel estão, por que o que se vê atualmente na cidade é um verdadeiro festival de privatização de áreas públicas justamente em lugares onde não deveria existir uma única construção.  A destruição das matas ciliares corresponde  apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior, imenso. A medida que os bairros avançam, a infraestrutura básica é instalada: água, energia, asfalto, galeria de água pluvial, as vezes rede de esgoto. Vamos então nos concentrar no asfalto e na galeria pluvial.

Asfalto pode representar alivio, fim da grande quantidade de poeira, casa limpa, bem arrumada, mas por outro lado também representa impermeabilização, mais calor e mais N valores agregados que cito entre eles o sujeito que vendo-se livre da terrona nas ruas trata de cimentar todo seu quintal, pra manter segundo ele, tudo mais limpo, em resumo, mais asfalto, mais cimento em casa, mais água nas ruas quando vem a chuva. Resultado disso? Inundação, mas pra onde vai toda essa água quando ela passa pela rua? Exatamente, para os córregos e rios. Mas perai, será que eles estão preparados para receber tamanha quantidade de água? Temos ai mais um problema, muitas vezes a cidade não dispõe de rios ou córregos preparados para receber tamanho volume de água, a partir do momento que as galerias são direcionadas até eles, estes passam a adaptar um novo leito, o resto de mata ciliar que ainda existia é consumido, tragado pra dentro do rio, e o que dizer das construções que ficam a beira? Pobres, ricos, sem distinção que fizeram suas casa justamente onde não deveriam, também são consumidos, a não ser claro que o poder público, além de ter permitido a usurpação desses lugares, passa a dar a devida manutenção para que tudo não desça rio abaixo. É muito comum encontrar dentro de córregos pedaços inteiros de muros, ou outros pedaços de construções que foram embora em alguma chuva mais forte, ou simplesmente pessoas que no desespero jogaram restos de construção dentro do córrego, além de não adiantar nada, compromete ainda mais o interior do mesmo, quanto mais comprometido esta o leito do córrego, mais ele avança nas laterais.

Pois bem, além das galerias pluviais servirem como verdadeiras mangueiras de altíssima pressão durante a chuva, elas também passam a servir como condutoras de sujeira em lugares não servidos de rede de esgoto. Algumas pessoas não constroem fossa séptica e então fazem ligações clandestinas nas galeria de água, o esgoto então desce redondo pra dentro do córrego. Então recapitulando, já listamos aqui os seguintes problemas: Retirada de mata ciliar, urbanização desordenada com invasão das margens dos córregos, impermeabilização do solo com consequente aumento do volume de águas que chegam ao córrego e por isso as erosões e aumento da “caixa” do manancial, além de muito lixo que chega pelas galerias, e entulho, muito entulho que as empresas não sabem pra onde levar, pois não existe área de triagem e reciclagem do entulho de construção aqui na cidade, pra se ter uma idéia a prefeitura gasta mais removendo entulhos de lotes vagos e beiras de córrego do que se tivesse a reciclagem em funcionamento, além do que os entulhos que seguem para o aterro sanitário comprometem a vida útil do mesmo.

Como consequencia da maioria das coisas descritas acima, temos o maior vilão de todos, mas infelizmente esse é vangloriado pela maior parte da população que só conhece os beneficios, desprezam os malefícios do mesmo, o nome? Canalização.

Pois bem depois de acabar completamente acabar com o córrego dentro da cidade eis que surge a canalização que promete mundos e fundos, alhos e bugalhos, retira-se os invasores das margens do córregos, faz-se a correção de seu curso, cria-se paredes de concreto super resistentes a infiltração ou erosão, concreta-se o fundo do rio para evitar infiltração por baixo, acaba-se, em muitos casos, com nascentes que abasteciam o córrego, além de aumentar a evaporação do mesmo, após tudo isso decreta-se o fim do córrego, que passa a ser chamado de canal, vão-se embora os peixe, se ainda existirem, aumenta-se a velocidade do córrego e aguarda-se até o dia do volume de água ser tão grande que o córrego sai como um míssel de sua calha destruindo tudo o que está ao redor.

Porém, existe uma vantagem nisso, constroe-se uma marginal ao lado do córrego, facilita-se o fluxo dos carros, o trânsito desafoga. Alegria para o goianiense que passa a ter mais uma via de acesso rápido e pouco se importa para o que corre no centro de tudo aquilo. Além da canalização na  maioria dos casos ser um grande problema, a solução que ela aplica é apenas paliativa visto que as montadoras de automóveis querem vender, as concessionárias querem vender, e o morador da cidade quer ter um veículo para se locomover pela cidade diante de um transporte coletivo falido, em meio a um trânsito cada dia mais caótico, resultado? Em pouco tempo a marginal que inicialmente tinha o trânsito rápido passa a também se congestionar, ou seja, obras como essas expiram, nunca se ataca o problema na raiz, a cidade gira em torno do trânsito, e coloca a qualidade de vida dos habitantes lá embaixo. Se fosse em prol da conservação de rios e córregos, com certeza se pensaria em maneiras mais viáveis de se crescer uma cidade sem destruir tanto suas belezas e riquezas naturais. E ainda falam que Goiânia é primeira e qualidade de vida, tenho medo de pensar nas outras cidades.

Até Quando?

O que não faltam são palavras com o tema meio ambiente: redações escolares, dicas em jornais, artigos científicos, comunidades no orkut, tirinhas e toneladas de blogs. Tem pra todos os gostos. São palavras que não acabam mais. Gente de todos os tipos, credos, culturas e regiões participando de discussões calorosas sem fim sobre o que fazer a respeito do aquecimento global, poluição de mananciais, lixo, etcétera, etcétera. Mas, por que com tanto conteúdo escrito sobre o meio ambiente a situação ainda caminha para o caos?

Há uma enorme ponte entre o saber e o fazer. A maioria sabe mas não faz. Não faz por quê? São inúmeros motivos. Mas a maioria está diretamente relacionada a um motivo só: conforto. O que é melhor? Ir com seu carro até o trabalho que fica a cerca de 6 km no seu carro flex, com direção hidráulica (com o mindinho você faz manobras) e ar condicionado, ou pegar carona com um amigo que não tem um carro tão legal, ir à pé (convenhamos que em uma hora e meia, a passos leves, você pode percorrer tranquilamente esses 6 quilômetros), ou de ônibus? E isso não quer dizer abrir mão de seu veículo, mas já pensou o quanto o ar seria poupado se isso fosse feito ao menos uma vez na semana?

E em relação ao lixo. Todo mundo reclama! Reclama, mas separa os recicláveis em casa? E aquelas sacolas ecológicas? Não se vê uma quantidade significativa de pessoas carregando uma daquelas até os supermercados, shoppings, feiras, lojas de roupas e outros lugares nos quais seriam muito úteis. Com a praticidade oferecida pelas indústrias alimentícias gera-se uma quantidade horrorosa de lixos plásticos, principalmente. É muito mais fácil descongelar algo pronto no micro-ondas e jogar no lixo aqueles plásticos ao invés de descascar e cozinhar algo que é orgânico e vai gerar lixo que se deteriora facilmente na natureza. Será que alguém já pensou nos refrigerantes e outras bebidas que usam dióxido de carbono?

E os celulares, Ipods e pads, computadores, mplayers e eletrônicos variados? A quantidade de energia que essas maravilhas consomem por hora de uso (e que vem descritas nos manuais) nem são levadas em conta. A TV fica no stand-by o dia todo… a natureza sofre muito para que tenhamos energia! A demanda crescente pela eletricidade faz com que rios sejam desviados, matas sejam arrancadas – e com elas seus habitantes naturais -, a fim de se construir hidrelétricas. Sem falar nos portáteis que têm baterias de lítio; o aparelho perde sua funcionalidade (torna-se obsoleto em relação ao que foi lançado agora no mercado) e é descartado de qualquer maneira. Lítio é um veneno para a natureza!

Até quando, então? Até quando as pessoas vão ser tão opinantes e tão pouco atuantes em relação à natureza? Descer rios pra ver a qualidade da água é legal. Protestar contra a construção de empreendimentos que vão degradar uma região é muito importante. Mas e os pequenos detalhes? Se não for entendido que pra conviver em harmonia com a natureza, haver desenvolvimento sustentável, e outras coisas tão citadas e bem explicadas  pelos ambientalistas, o uso do “conforto” não for reduzido, podem erguer faixas, fazer greves de fome, criar outra centena de blogs que a inércia vai ser a mesma: tender à destruição e ao caos.

22 de Abril – Dia da Terra

Edição: Saturos'

Publicado: Segunda-feira, 20 de abril de 2009 por Deborah Dubner
Celebre, cuide, reflita, ame, crie, conheça, mude!


Como cuidar de algo que é tão imensamente maior do que nós?

por Deborah Dubner

O dia 22 de Abril é dedicado a celebrar a existência do nosso querido Planeta Terra, tão amado, generoso e muitas vezes esquecido. Como cuidar de algo que é tão imensamente maior do que nós? Quais ações nós podemos fazer que realmente interfiram na grandiosidade dessa terra que nos sustenta? Será mesmo que somos capazes de colaborar para reverter um processo de destruição que já começou?
Essas são algumas questões que vêm à tona quando paramos para refletir sobre o poder do homem diante da natureza e sobre a continuidade da vida na terra.

O Dia do Planeta Terra foi criado em 1970 nos Estados Unidos, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson. Festejado em 22 de abril, foi o primeiro protesto nacional contra a poluição e ganhou países adeptos ao movimento, a partir de 1990. Coincidência ou não, é também o Dia do Descobrimento do Brasil, uma “terra abençoada por Deus”, como costuma cantar o nosso povo.
Se pensarmos que o Dia do Planeta Terra nasceu como um protesto à poluição em 1970, podemos avaliar o que a humanidade conseguiu fazer nos últimos (quase) 40 anos. Os rios estão cada vez mais poluídos, as florestas desmatadas, o ar carregado. A violência invade os lares, as escolas, as empresas e todos os espaços coletivos. O lixo é jogado nas ruas ao invés de ser reciclado. A água, o bem mais precioso da humanidade, está escassa. As geleiras estão derretendo. O homem, o único que poderia fazer alguma coisa, está mais preocupado com a economia de seus países.

No entanto, nos últimos anos o Dia da Terra vem ganhando cada vez mais destaque. Este ano, mais de 500 milhões de pessoas de 85 países devem comemorar a data com campanhas e ações voltadas à ampliação da consciência, preservação e sustentabilidade.

Itu e região têm feito algumas ações importantes nesse sentido. Conheça!
E como o itu.com.br sempre apóia iniciativas que mobilizam mudanças sustentáveis, esta matéria tem o objetivo de ajudar a refletir sobre o tema, ampliar a consciência, aprender um pouco mais e mudar algumas atitudes.

Saiba como fazer a sua parte!

- Leia dicas práticas de como salvar o Planeta Terra

- Visite sites especiais sobre o tema.

- Leia a Carta da Terra, um dos documentos da RIO-92.

Retirado do excelente blog SOS Rios do Brasil do Porf. Jarmuth

E se pudessemos mensurar a quantidade de peixes que existe em um rio?

Peixes presos a rede

Nesse caso específico, eu gostaria muito de saber quantos deles existem atualmente no rio Meia Ponte. As barbaridades que vi em seu leito não podem ser facilmente definidas. Será que é porque o rio amargou durante anos, com a poluição em suas águas mesmo centenas de quilômetros após Goiânia?

É verdade que a estação de tratamento de esgoto de Goiânia, a ETE DR. Hélio Seixo de Brito, trouxe vida nova ao rio, ainda não é o ideal, mas os pescadores perceberam muito cedo que o rio voltou a estar para peixe. Só que a fiscalização ficou tão acostumada com a falta dele, que simplesmente se esqueceu que o rio também deve ser fiscalizado, porque não foi em toda sua extensão que os peixes reduziram. Por que um rio tão importante para o estado é tratado com tanto descaso? É um absurdo vermos pesca de arrasto no rio, pesca de tarrafa, pesca na piracema, e simplesmente NINGUÉM FAZ NADA. Uma pessoa comum não pode fazer, cabe ao estado fiscalizar, mas as atenções parecem estar sempre voltadas para outros rios, o Araguaia por exemplo.

A brutalidade se tornou mais efetiva, desde que os próprios pescadores começaram a perceber que nem a tarrafa resolve mais, e assim, novos métodos mais destrutivos começaram a ser utilizados, nem mesmo a época da reprodução dos peixes é respeitada. Como um rio pode ter novos peixes se eles não podem se reproduzir? Ou então mesmo reproduzindo os novos peixes nem chegam a idade adulta para poder se procriar.É revoltante ver um rio agonizando, sofrer com o esgoto lançado em sua maioria pela cidade que deveria respeita-lo, pois parte da água que a abastece vem desse rio, ter a mata ciliar arrancada para dar espaço a pastagens e plantações e ainda ficar sem vida, pois os peixes que ali moram estão sendo tirados sem cerimônia. Pobre rio, desprezado e depredado, punido, sem crime algum ter cometido.

Goiás, estado da IMPUNIDADE de CRIMES AMBIENTAIS

VERGONHOSO!!!!!

Reportagem do jornal O Popular de 14/03/2010 mostra porque o estado de Goiás hoje é um dos maiores devastadores de seus recursos naturais.

Órgão ambiental aplica multa e infrator faz de conta que paga

Jornal O Popular 14/03/2010

Reportagem: Vinicius Jorge Sassine

Os órgãos responsáveis por reprimir crimes ambientais em Goiás bem que tentaram, mas não conseguiram fazer valer o instrumento mais utilizado, garantido em lei, para coibir danos ao meio ambiente: o pagamento de multas, muitas delas milionárias. Município, Estado e União autuaram milhares de pessoas e empresas flagradas cometendo alguma infração ambiental e lavraram multas que, somadas, chegam a R$ 134 milhões, entre 2006 e 2009. Um levantamento feito pelo POPULAR mostra que somente R$ 7,4 milhões – ou 5,5% – foram efetivamente pagos, um convite para a impunidade e para a reincidência no desrespeito à legislação ambiental.

A facilidade com que se protela uma multa – ou simplesmente com que se ignora a autuação, sem qualquer consequência para quem infringe a lei – tem relação direta com crimes ambientais cada vez mais recorrentes em Goiás. É o caso do desmatamento de reservas legais, áreas de preservação permanente (APPs) e entorno das unidades de conservação do Cerrado, um bioma já amplamente devastado e, como se vê pelo não-pagamento das multas lavradas, sem qualquer perspectiva de preservação. As multas também não são capazes de reprimir a pesca predatória, as carvoarias ilegais, a mineração sem licença e a queima da cana-de-açúcar, em todo o Estado, e a poluição sonora, do ar e dos mananciais, na Grande Goiânia.

A lei garante aos órgãos ambientais, ligados às estruturas de governo do Executivo, o poder de multar em situações de danos ambientais. Num cenário de déficit generalizado de fiscais, a multa passa a ser um dos poucos instrumentos dos órgãos para tentar repreender o desmatamento ilegal ou o funcionamento de uma indústria sem licença, por exemplo. Quem é autuado, porém, sabe exatamente o que fazer nas três esferas – municipal, estadual e federal – para se livrar da obrigação de pagar a multa e, pior, continuar sua atividade econômica sem se preocupar com qualquer tipo de regra imposta pela legislação.

Índice de pagamento é muito baixo

Jornal O Popular 14/03/2010

Reportagem: Vinicius Jorge Sassine

O POPULAR apurou a proporção entre multa aplicada e a paga ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa infrações sob responsabilidade da União; à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), responsável pelas infrações no Estado; e à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), que tem a obrigação de coibir irregularidades em Goiânia. Os menores índices de multas pagas nos últimos quatro anos foram registrados no Ibama e na Semarh, com apenas 3,2% e 3,48% do total das autuações, respectivamente (veja o quadro). As autuações da Amma resultam num retorno de 15% ao Fundo Municipal de Meio Ambiente, mas os questionamentos na Justiça travam o pagamento da grande maioria das multas aplicadas.

Na Semarh, uma infinidade de problemas e situações quase inacreditáveis foi responsável pelo fato de o Estado ter recebido somente R$ 349,6 mil em multas em um ano e meio, mesmo tendo cobrado mais de R$ 10 milhões num período semelhante. Durante dois anos, em 2008 e em 2009, Goiás ficou sem um Conselho Estadual do Meio Ambiente, previsto em lei como instância superior das questões ambientais. O conselho foi extinto pela reforma administrativa do governador Alcides Rodrigues e só voltou a ser constituído neste ano. No período em que deixou de existir, os processos com recursos contra as multas aplicadas pela Semarh se acumularam.

É ao conselho que se deve recorrer quando há uma discordância sobre os valores aplicados. Muitas pessoas e empresas – que a Semarh não sabe precisar quantas são – enxergaram essa falha do Estado e recorreram a uma instância que não existia, com o claro objetivo de protelar o pagamento da multa.

A Semarh passa por um déficit de fiscais sem precedentes. Um levantamento do Ministério Público (MP) estadual mostra que o órgão tem 300 servidores comissionados e 88 concursados, muitos deles com desvio ou acúmulo de função. O último concurso realizado foi em 1988. As autuações caíram significativamente nos últimos anos. Chegaram a R$ 18,4 milhões em 2006 e não passaram de R$ 5,5 milhões no ano passado. Boa parte das multas prescreve porque os devedores não são cobrados pelo Estado, nem o débito é informado à dívida ativa da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

A expectativa da Semarh é que um convênio com a Sefaz, que deve ser assinado ainda neste mês, permitirá a inscrição do agressor ambiental multado na dívida ativa do Estado já a partir de abril. Se isso ocorrer, diminuem as chances de prescrição da multa. O Conselho de Meio Ambiente fez as primeiras reuniões em fevereiro e voltará a apreciar os recursos. “Os processos se acumularam durante os dois anos em que o conselho não funcionou”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Roberto Freire. “As empresas sempre protelam o pagamento da multas.”

Goiânia, uma cidade pouco ambientalmente correta.

Situação da Margem de córrego em Goiânia

Sim, é isso mesmo, a capital do estado de Goiás está longe de ser uma cidade ambientalmente correta. Pode-se dizer que as coisas aqui melhoraram sensivelmente nos últimos anos, mas está longe, muito longe mesmo do ideal. Os parques, aparentemente, trazem uma melhora da qualidade de vida na cidade, na frente dos panos tudo está uma maravilha, e por trás como está? As coisas estão indo de mal a pior. Nosso córregos agonizam, as nascentes secam, as árvores, outrora frondosas na época de Pedro Ludovico, desapareceram. Não é necessária nem uma mão para contar nos dedos a quantidade de córregos em Goiânia que possuem sua cobertura vegetal original ou mesmo alguma cobertura vegetal que não seja capim. Triste constatar que até mesmo nascentes são aterradas, dando lugar a plantações, pastagens ou construções. Pobres córregos de Goiânia, faziam a alegria dos primeiros moradores da capital, hoje em dia são alvo do desprezo, da poluição, do abandono, da depredação.

Urbanizar tornou-se sinônimo de destruição, não é possível coexistir córrego limpo, bem cuidado com residencias, ruas, praças. Vem o asfalto trazendo com ele a impermeabilização e as galerias de água pluvial, que por sua vez trazem uma carga de água que o córrego não consegue assimilar, provocando erosão e assoreamento, somam-se a isso o lixo das ruas e por fim esgoto, ligado clandestinamente nos canos destinados unica e exclusivamente para escoamento da água da chuva. Além desses ingredientes, temos a ocupação das margens, com a retirada da cobertura original e a degradação das nascentes ao longo do córrego que com o tempo tornam-se temporárias ou simplesmente desaparecem. Os parques de certa forma protegem as nascentes de alguns córregos, o problema é que a proteção fica apenas no perímetro do parque, já fora, a realidade é outra, bem mais cruel.

Em virtude das erosões, a situação das margens da maioria dos mananciais em Goiânia esta tão critica, que é necessária uma intervenção urgente para que os córregos, na tendência natural de corrigir seus leitos, não invadam ainda mais as laterais, que hoje em dia estão ocupadas por muros e casas de pessoas que acham que o problema está no córrego e não no local que elas escolheram para construir. O problema é que sempre trazem soluções mais baratas ou simplesmente mais rápidas, como gabiões ou canalização do leito. O que descaracteriza completamente o córrego e provoca sua morte simbólica, porém tão dolorida quanto a real, tranformando-o apenas em um simples canal que leva a água que nasce de um ponto ao outro em sua foz.

Mas, de todos os problemas o maior deles esta realmente na cabeça da população, que não é educada a admirar seus rios ou córregos. A correria do dia a dia as impede de apreciá-los e com isso ninguém se importa quando joga-se lixo ou esgoto neles, retira-se a mata da margem ou se concreta seu fundo e suas laterais, muitas vezes a população até aplaude esse feito, claro que iludida pela mídia ou governo que chama o processo de reurbanização do vale do córrego X.

Goiânia é uma bela cidade, mas só por fora, por dentro ela é feia, é suja, é insalubre e doente. Goiânia, deve sim ser reconhecida pelo seu meio ambiente, mas como um todo, não só através de parque isolado, mas através da interligação das subbacias hidrográficas do município, criando nas margens dos córregos parques lineares que se estendem por toda sua extensão, trabalhando a questão do lixo, punindo severamente aqueles que fazem ligações clandestinas de esgoto e fazendo estudos para saber a capacidade máxima de água que um córrego pode suportar a cada chuva, fazer cumprir a lei para que o terreno tenha  área mínima permeável, para infiltração da água pluvial , ou pelo menos a caixa para reter água da chuva, e tudo mais que possa ser feito para que a água não fique apenas na superficie, mas vá para o solo e recarregue as nascentes. Nossos córregos precisam de ajuda, ou os protegemos ou os perderemos, enclausurando-os em canais de cimento, que mais lembram cemitérios de córregos.

P.S: Apesar de alguns esforços que tem sido feitos para corrigir esses problemas, eles não tem sido nem de longe suficientes.

Nascentes do rio Piracanjuba pedem SOCORRO!

Comentário da Autora:

Estão querendo jogar esgoto dentro da mata ciliar onde localiza-se várias nascentes do Rio Piracanjuba, a 8 Km do DAIA (Anápolis-Go).

Tomara que desta vez as autoridades ambientais responsáveis por esta reserva de recursos hídricos, escutem nosso pedido de socorrro e não autorizem nenhum projeto que afete ambientalmente esta área de preservação ambiental.

A COMUNIDADE RIBEIRINHA E O SOS NASCENTES ESTÁ DE OLHO!

Postado por HELENA BERNARDES

NOSSO RASTRO NA NATUREZA
Meu interesse pelo RIO PIRACANJUBA em especial é que tenho parentes que moram mais de quinze anos próximos a algumas nascentes deste rio, 8 km do DAIA em Anápolis-Go, por isso estou muito próxima dos acontecimentos que registro neste Blog.

Sou uma ambientalista nata, adoro fotografar a natureza e tudo que nela existe desde pequena. A primeira visita que fiz nesta mata ciliar que citei o local, registrei imagens que me deixaram preocupada, por isso fiz uma pesquisa mais detalhada.

Entrevistei alguns moradores ribeirinhos já antigos na redondeza e, através deles, descobri que ali era a principal nascente deste rio e que pertencia ao município de Silvânia, distante dali 60 km. É por isso que está abandonada pelas autoridades ambientais, sem nenhuma fiscalização, pois os moradores não pagam impostos para este município. Isto eu comprovei indo até esta cidade, falando com alguns representantes do município, vereadores e jornalistas.

Se verificarem através de imagens de satélites, conseguirão localizar o local. Necessito de um mapa hídrico desta região, pois preciso fazer um estudo mais aprofundado de toda a bacia deste rio.

Já tentei localizar em outros mapas que pesquisei na internet e não encontrei o local destas nascentes em nenhum deles. Se algum leitor tiver estes dados, peço a gentileza de enviarem para helenanunes.maezona@gmail.com

Precisamos de AJUDA PARA SALVAR ESTE RIO e preservar TODOS OS OUTROS DO PLANETA.

Abraços eco-nascente! (Helena Bernardes)

Retirado do Blog do Instituto SOS Rios do Brasil

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