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Semana da Água – Dia 22, dia Mundial da Água

Cenário paradisíaco, já bebi dessa água!

Infelizmente não tive tempo de postar um conteúdo que queria no dia da Água, 22/03. Coloco abaixo, algumas fotos, e posteriormente um vídeo que mostram a beleza da Serra das Areias no município de Aparecida de Goiânia. O ponto em questão que mostro é a cachoeira Cristal, cujo córrego é um afluente do rio Dourados. Apesar de um ser um lugar ainda conservado e sem acesso de carro, alguns espíritos de porco não entendem que precisam manter o local limpo e conservado para poderem aproveitar melhor e com segurança. Infelizmente muitos ainda não entendem que a água é indispensável para a nossa sobrevivência e que rapidamente estamos deixando de ter água de qualidade, principalmente para bebermos. O dia que o ser humano perceber que não podemos comer nem beber dinheiro, ai já vai ser tarde demais. Como eu sempre digo, não há razão para se comemorar o dia da Água.

Imagem da cachoeira vista da parte baixa

 

Foto debaixo d'água. A transparência da água permitia ver o fundo perfeitamente.

Esse lixo ai estava todo esparramado, tivemos que juntar para depois dar um jeito de buscar. A falta de consciência de alguns é enorme.

 

Em breve postarei o vídeo para que vocês conheçam a beleza incrível desse local.

Propaganda da minha infância que ainda hoje marca

Não, não estou ganhando nenhum dinheiro por estar mostrando essa propaganda. Acho ela muito interessante, eu era criança quando passou a primeira vez, essa do vídeo abaixo é uma nova versão. Não serve só para quem vai para o rio Araguaia, mas para qualquer rio do Brasil ou do Mundo. Sejamos conscientes, a natureza agradece!

“Chegou o mês, vai começar tudo outra vez
o bicho homem vem com sua traia
voando pra sujar o nosso araguaia
Não jogue lixo na nossa casa
Essa beleza é pra todo mundo
oooo bicho homem
Vê se não arrasa”

Vídeo do rio Meia Ponte em Aloândia GO

Eu estive lá e posso garantir, é ótimo!

Por que somos assim? Dourados, um rio que corre perigo.

Rio Dourados - Essa beleza pode ( vai? ) acabar.

Nasci no ano de 1980, em Goiânia. Desde criança, sempre gostei de água, córregos e rios me hipnotizavam. Infelizmente, no ano em que nasci, os principais córregos da minha cidade já estavam estragados, muito poluídos, com uma série de problemas, tais como: ausência de mata ciliar, cheio de lixo e entulho. Imagine que referência tive eu? Provavelmente era para eu estar agindo como a maioria das pessoas da minha cidade simplesmente ignorando o problema, afinal de contas os córregos do jeito que estavam não ofereciam nenhum atrativo, pelo contrário, eram vetores potenciais de inúmeras doenças, e me aventurar em seus leitos era convite certo para micoses, hepatite A, leptospirose e por ai vai.

Mas o que aconteceu desde então? Afinal de contas já se passaram 31 anos! O que mudou? Muito pouco, apesar de investimentos na área de saneamento e da construção de uma grande ETE, os córregos continuam muito poluídos, feios e com sua função ecológico comprometida. Com o crescimento da população e consequentemente das cidade, os problemas foram replicados para regiões até então intocadas, ou seja, além de não resolvermos os problemas iniciais, ainda criamos problemas em novas regiões. O monstro do crescimento sem planejamento continua fazendo novas vítimas. Temo bastante que um dos mais belos rios de Goiás termine moribundo como todos os outros que nascem ou passam pela região metropolitana, a grande Goiânia! Estou falando do rio Dourados.

Interessante que no último domingo, dia 24/07/11, eu estava nesse rio, já no município de Hidrolândia, conversando com um pessoal que estava lá. Uma das pessoas me disse, sem eu falar nada, que temia que toda aquela beleza pudesse acabar em pouco tempo, justamente pelo crescimento de Goiânia em direção a bacia do Dourados, portanto, não sou apenas eu que está preocupado, mas já existem outras pessoas que estão.

Faz muito pouco tempo que ouvi falar no Dourados, não tem nem 4 anos. Meu primeiro contato foi numa visita a fazenda Jaboticabal, na cidade de Nova Fátima GO. A fazenda é conhecida pelos milhares de pé de jabuticaba, e pelo desafio do dono da fazenda, que diz que quem chupar  1 jabuticaba de cada pé, cerca de 20 mil, leva a fazenda. Ao lado do local, existe o recanto Jaboticabal, frequentado por centenas de pessoas em finais de semana e feriados, banhado pelas águas do rio Dourados. Na região da bacia do rio também existem vários outros recantos e balneários que também tem uma procura muito grande. Não deixo de citar também o rio das Pedras em Aragoiânia-GO, afluente do Dourados e também bastante frequentado. Tanto o Dourados, quanto o rio das Pedras e outros afluentes menores possuem diversas cachoeiras e corredeiras, como um capricho divino para a região da bacia.

É uma pena a urbanização ja estar nas beiradas do rio. Como já disse, temo muito pelo seu futuro. Um rio que começa a ser prejudicado pelo poluição passa a ter um triste destino, como uma pessoa que cai doente e ao invés de ter o apoio da família passa a ser completamente ignorada. Temos por péssimo hábito o de simplesmente procurar outros lugares e não lutar pela preservação de um lugar que tanta diversão trouxe e que fez parte da infância de muita gente.  O pior de tudo é que tem gente que mora em Goiânia há vários anos e nunca ouviu falar do rio. Quando ouvir, já será tarde demais.

Será que em mais de 30 anos de destruição não aprendemos nada? Vamos continuar acabando com os refúgios próximos da cidade que nos garantem paz, tranquilidade e diversão? Teremos que ir cada vez mais longe?

Trindade (GO), a capital da fé precisa de muita oração

Festa do Divino Pai Eterno, uma das maiores manifestações de fé do mundo, no município de Trindade GO

Água, o bem mais precioso, indispensável a vida humana, 3 dias sem beber do líquido representa a morte para nós, simples mortais. As sociedades sempre nasceram e cresceram próximas a rios e lagos, pois, as principais atividades humanas sempre envolveram água. Seja para beber, tomar banho, lavar roupa, para limpar a casa, lavar vasilhas, a água faz parte do nosso dia a dia e a simples falta dela em nossas torneiras gera um transtorno sem precedentes. Praticamente ninguém se pergunta de onde vem a água que bebe, é um daqueles serviços essencias que deve ser oferecido a população e essa só quer ter o resultado final, a água tratada, não se preocupando realmente como é todo o processo até chegar as suas torneiras.

Trindade, cidade do estado de Goiás,  é muito conhecida pela festa do Divino Pai Eterno, pelos desfile de carros de boi e pela caminhada pela rodovia dos romeiros que saem de Goiânia  É uma festa religiosa que  acontece no mês de Julho e atrai multidões de turistas e romeiros todos os anos. A cidade de Trindade possui cerca de 104.488 habitantes segundo o censo do IBGE de 2010. É uma cidade que faz parte da região metropolitana de Goiânia, espécie de cidade dormitório, não em sua totalidade, mas que acolhe grande parte dos migrantes que aqui chegam e que não podem arcar com os alto custos de imóveis na região mais central de Goiânia, e que por consequência geram uma ocupação cada vez mais crescente das periferias.

Esse crescimento desordenado, com a construção de loteamentos irregulares ou sem a devida análise, em áreas da bacia de captação de água tem levado o município a um quadro preocupante de escassez de água. Trindade já chegou a ser abastecida por 3 outros córregos antes do atual, estes eram: córrego Barro Branco, Barro Preto e Anil, a captação nesses córregos foi desativada em função da degradação da qualidade da água bruta, causada justamente  pela ocupação urbana ao redor das captações. No ano de 1988 foi construida a atual captação no ribeirão Arrozal e que atualmente, mais de 20 anos depois, já se encontra com graves problemas de turbidez ( água muito barrenta) devido principalmente ao carreamento de sedimentos provocados pela erosão nas ruas e avenidas abertas para o avanço da urbanização.

Todas as informações aqui expostas, não são fruto da imaginação fértil do detentor desse blog, são sim baseadas em um relatório  da Saneago, empresa responsável pela água e esgoto no estado de goiás, que denuncia o quão crítica é a situação das atuais captações não só da cidade de Trindade, mas de outras cidades no estado de Goiás, que correm o risco, de em poucos anos, não terem mais de onde retirar água.

No caso de Trindade, na bacia do ribeirão Arrozal, pipocam os loteamentos, inclusive foram construídas mais de uma centena de casas populares na região. Ainda não existe asfalto na maioria dos lugares ali, mas acredito que com a chegada deste, as coisas vão se tornar piores. Com o asfalto,  menos água penetra no solo , devido a impermeabilização do mesmo. O telhado das casas, a construção de calçadas e a concretagem dos quintais também agravam o problema, o que aumenta consideravelmente a vazão do ribeirão durante as chuvas. Como não há caixa suficiente para o elevado volume de água, as erosões e desbarrancamentos levam mais sedimento para o curso d’água, provocando seu assoreamento e aumento de turbidez em suas águas. Situações como essa podem levar a paralisação parcial ou total das operações de um estação de tratamento de água ( ETA) e até mesmo a sua inviabilização definitiva, devido os alto custos de manutenção da mesma.  A construção de  galerias de águas pluviais também podem ocasionar transtornos devido ao elevado volume  de água que estas carregam durante as chuvas e, se não forem bem planejadas, com redutores de energia  por exemplo, a água pode chegar com muita força ocasionando os mesmos problemas de erosão e assoreamento. Esgotos clandestinos também são um grave problema. Estes são de dificil controle, principalmente quando não há  fiscalização ou essa é deficiente.  A qualidade da água bruta descresce e também pode inviabilizar a operação da ETA.

Existem várias perguntas a serem feitas, por exemplo: por que permitem a construção de loteamentos em áreas tão críticas?  Será que não percebem que isso trará consequencias danosas para mais de 100 mil pessoas e talvez até mais do que isso? E se não for mais possível utilizar essa ETA? De onde vão pegar água? Será que o lago do João Leite vai ser capaz de atender Goiânia e toda a região metropolitana?  Acredito que não, mas e ai, como ficamos? As bacias do ribeirão Caldas e Dourados também estão sofrendo os efeitos da urbanização, a captação do Meia Ponte também, de onde vamos tirar água?

Pensando bem, o problema é que nesse caso,  só oração não vai resolver não.

Água

Abaixo um vídeo super bem feito e explicativo de Sérgio Shao com narração de Antonio Viviani, com imagens do Rio Negro (AM)  e Mambaí (GO)

Ps.: Aqui em minha cidade, Goiânia, que possui mais de 80 cursos d’água catalogados, todos apresentam algum tipo de degradação, seja contaminação por esgotos, lixo, entulhos, erosões, ausência de mata ciliar, entre outra mazelas.  É revoltante. Assista o vídeo abaixo, reflitam! O planeta continua, nós não.

Acessem: http://www.nasnuvens.esp.br

A seca da Amazônia em 2010 foi a pior dos últimos cem anos

04/02/2011
Amazônia teve a pior seca dos últimos cem anos
SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

A seca de 2010 da Amazônia foi a pior dos últimos cem anos. E a quantidade de CO2 emitido pelas árvores mortas pode ser parecida com as emissões dos EUA.
As constatações são de estudiosos britânicos (da Universidade de Leeds) e de brasileiros do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Eles publicaram um artigo na revista “Science”.

O grupo de pesquisadores, liderado pelo britânico Simon Lewis, mostrou que a seca de 2010 foi mais intensa e afetou uma área maior que a estiagem de 2005 –até então considerada recorde em várias décadas.
No ano passado, uma área de 3 milhões quilômetros quadrados foi atingida pela estiagem, contra 1,9 milhão quilômetros quadrados em 2005.

Os cientistas fizeram um cálculo do desvio da média de chuvas comuns nas estações secas da Amazônia (chamado de desvio padrão).
“A intensidade da seca foi maior em 2010 em relação à média”, explica o biólogo Paulo Brando, do Ipam, um dos autores do trabalho.

A segunda parte do estudo, explica ele, verificou quais as consequências dessa seca do ponto de vista dos estoques de carbono. Aí vem a outra má notícia: com as secas, a floresta emitirá mais CO2 do que absorverá.

Os pesquisadores relacionaram os dados de seca de 2010 com o crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005).
A conclusão foi que a seca do ano passado pode emitir 5 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera em 2010 e nos próximos anos. Isso não acontece de uma vez, já que a decomposição das árvores mortas é um processo lento.

Para se ter uma ideia do que isso significa: a emissão da queima de combustíveis fósseis dos EUA é de 5,4 bilhões de toneladas por ano. Em condições “normais”, estima-se que a Amazônia absorva 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera.
“A seca de 2010 talvez tenha matado as árvores que já estavam vulneráveis por causa de 2005″, explica Brando.
“Pode ser que a floresta se recupere, mas ainda não fomos para campo medir. Ainda temos muito trabalho de campo pela frente”, diz.

Para o climatologista José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é preciso analisar os dados com cuidado.
“Reduzimos o desmatamento em cinco anos, mas um fenômeno natural deixou nossa absorção de CO2 na estaca zero. Se esses cálculos não forem bem interpretados, poderão ser usados a favor do desmatamento”, diz.
Marengo e sua equipe já mostraram que a seca de 2010 reduziu mais os níveis dos rios amazônicos que a estiagem anterior, de 2005. Fonte: Folha de S. Paulo

LEIA MAIS:

Seca de 2010 na Amazônia foi pior que a de 2005


BLOG SOS RIOS DO BRASIL
ÁGUA – QUEM PENSA, CUIDA!

Hoje é o dia do rio – 24 de Novembro

Dia do Rio

Rio Meia Ponte no município de Pontalina - GO

 

E por que essa data é tão importante para nós?

Segundo a Wikipédia, Um rio ou flúmen é uma corrente natural de água que flui com continuidade (curso de água). Possui um caudal considerável e desemboca no mar, num lago ou noutro rio, e em tal caso denomina-se afluente. Podem apresentar várias redes de drenagem.

Segundo a mesma Wikipédia, os elementos de um rio são:

* Afluente é o nome dado aos rios menores que desaguam em rios principais.
* Confluência Termo que define a junção de dois ou mais rios ou ainda a convergência para um determinado ponto.
* Foz é o local onde desagua um rio, podendo dar-se em outro rio, em um lago ou no oceano.
* Jusante é qualquer ponto ou seção do rio que se localize depois (isto é, em direção à foz) de um outro ponto referencial fixado.
* Leito Local onde o rio corre. É o solo que fica entre as margens, por onde as águas do rio escorrem.
* Margem As laterais do curso do rio que delimitam sua largura. Virado para jusante tem-se à direita a margem direita e à esquerda a margem esquerda.
* Montante é qualquer ponto ou seção do rio que se localize antes (isto é, em direção à nascente) de um outro ponto referencial fixado.
* Nascente é o ponto onde se originam as águas do rio.
* Talvegue é a linha que se encontra no meio da região mais profunda de um rio e onde a corrente é mais rápida.*
* Vausitio onde corre a agua

Devido aos rios, várias cidades ou civilizações cresceram e prosperaram. Suas águas foram e ainda são utilizadas para abastecimento público, dessedentação de animais, transporte, agricultura,  diluição de efluentes, entre outros.

Devido ao crescimento populacional, os rios que deveriam ser objeto de contemplação e admiração pela população tem sido alvo de inúmeras agressões. A poluição fluvial é a principal, ela provoca danos irreversíveis a  ecossistemas inteiros, além de tornar a água imprópria para qualquer outro fim que não seja a navegação e a própria diluição de mais esgotos domésticos ou industriais.

Os prejuízos para a população em geral são incalculáveis. O custo para tratamento da água para consumo humano se torna enorme, a biodiversidade no interior do rio e em seu entorno diminuem consideravelmente, os gastos com saúde pública aumentam, visto que a água contaminada serve de veículo para diversas doenças que causam várias internações e mortes por ano.

A população também perde uma fonte importante de lazer, a poluição afasta as pessoas, e estas deixam até de se importar com o rio, o descaso e o desprezo imperam, e este importante personagem da história desaparece como um indigente em meio a selva de pedra.

O dia do Rio foi então criado para que pelo menos uma vez no ano  a  população tenha suas atenções voltadas para um rio, córrego, arroio, riacho de sua localidade, promovendo ações de limpeza, educação ambiental, seminários, cobrando as autoridades pela coleta e tratamento total do esgoto, denunciando agressões , discutindo soluções. Um dia apenas é muito pouco, pela importância da água para todos nós,  os 365 dias do ano deveriam ser declarados, “Dia do Rio”.

Um Feliz dia do Rio para todos os rios do Brasil e do Mundo!

Voltando de Mundo Novo – GO, achei que estava no sertão nordestino…

Isso mesmo, nunca pensei que em pleno mês de Novembro eu veria tantos rios e córregos secos. A região entre Araguapaz e Mundo Novo em Goiás tem o Cerrado bastante devastado, pouquíssimas árvores restam, substituidas por imensos pastos. A natureza dá o troco e vai minguando aos poucos as nascentes dos córregos e rios, as veredas, os brejos, vai mudando a paisagem, gerando imagens tristes que mais lembram os desertos áridos. Pra onde foi toda a água? A resposta está na destruição de um Bioma riquíssimo mas injustiçado, o Cerrado.

O rio não corre mais, a água que você vê está parada!

Um córrego caudaloso que infelizmente também se encontra com o leito extremamente seco

Incrível, aqui passava um rio!

Esse é o outro lado da ponte, no mesmo rio da foto acima.

Aqui um exemplo de córrego com o leito completamente seco

Ponte sobre o córrego que sumiu!

E assim vamos indo…

Ação humana ameaça 65% da biodiversidade dos rios

outubro 18, 2010 1 comentário

Arte do Concurso Biodiversidade do Brasil – (Fiocruz/PUC-RS)

Publicado por Rogério Ferro, do Instituto Akatu – http://www.envolverde.com.br/

Poluição e construção excessiva de barragens e hidrelétricas colocam em risco a vida peixes e outros microorganismos aquáticos; situação deixa 80% da população mundial sujeita à escassez de água.

Os recursos hídricos e sua biodiversidade estão em crise no planeta, tudo por conta da ação humana. Hoje, 65% das espécies estão ameaçadas de extinção, principalmente por viverem em rios que sofrem diretamente os impactos das atividades econômicas e que estão sob a ameaça da poluição ali despejada, das grandes barragens e das práticas de pesca predatória. Mais: cerca de 3,4 bilhões de pessoas dos países pobres e emergentes estão sujeitas a escassez de água pelos mesmos motivos.

As informações são do estudo “Ameaças globais à segurança hídrica e à biodiversidade dos rios”, publicado na versão online da revista científica Nature, de 29 de setembro. O trabalho de pesquisa foi conduzido por especialistas da Universidade de Nova York e da Universidade de Wisconsin, além de sete outras instituições.

As ações para remediar a situação custariam aos países, juntos, cerca de R$ 850 bilhões por ano.

Segundo o estudo, a porção brasileira do rio Amazonas ainda está bem preservada, em comparação à nascente, situada no Peru. “A maior parte do Amazonas está sob risco moderado, porque há baixa ocupação humana na sua extensão e há grandes porções de florestas no entorno”, relata o documento.

Em geral, “os rios mais ameaçados do país são justamente os que estão mais próximos dos grandes centros urbanos, nas regiões Sudeste e Nordeste.” Entretanto, alguns rios atravessam diversas comunidades e isso significa que um ato isolado, pode causar impactos em todas as pessoas que de alguma forma se relacionam com ele.

Os resíduos poluentes jogados no rio Tietê, por exemplo, que atravessa o Estado de São Paulo e é o mais poluído do país, são o resultado de descartes operado pelos agentes da cidade, sejam moradores ou estabelecimentos comerciais, industriais ou agrícolas. Esgotos não tratados, efluentes químicos, todo tipo de lixo e até móveis, sem falar nos plásticos, que chegam ao rio irregular ou ilegalmente, são a causa da poluição que deteriora as condições da água e acaba com o oxigênio, causando a morte de organismos e dos peixes. Além de prejudicar a pesca artesanal, o rio, morto, torna-se um vetor de doenças graves para as comunidades banhadas por suas águas.

“O consumidor precisa tomar consciência que seu consumo individual tem impactos não só no meio ambiente, mas também na sociedade e na economia e, deve buscar maximizar os positivos e minimizar os negativos”, afirma Camila Mello, gerente de Mobilização Comunitária do Instituto Akatu.

Entre 1992 e 2008, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) gastou R$ 2,7 bilhões em ações de limpeza, despoluição e instalação de sistemas de tratamento de esgoto no rio Tietê.

“Considerando que esse mal poderia ser amenizado por meio do descarte correto dos resíduos, boa parte dessa verba poderia ter sido usada para melhorar a qualidade de serviços públicos como saúde, educação e segurança”, destaca Mello.

A ONU (Organização das Nações Unidas) declarou 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade.

(Envolverde/Instituto Akatu) © Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. Fonte: Site Tratamento de Água

Visto originalmente do blog SOS Rios do Brasil

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