Parque Campininha das Flores em Goiânia – Esqueceram do córrego que passa ao lado
Acho louvável a prefeitura criar novos parques na capital, principalmente em locais que tem potencial ecológico e estão abandonados, jogados a própria sorte. O parque Campininha das Flores, que será inaugurado hoje dia 19/12 é um belo exemplo disso. Lembro-me exatamente de como estava o local há cerca de 2 anos atrás, um lote vago, com bastante entulho, mato alto, um convite para que marginais ou usuários de drogas se escondessem no local.
Ontem, dia 18/12, estive lá novamente e o cenário agora é outro, existem pistas de caminhada, bancos, equipamentos para as crianças brincarem, peças em exposição que mostram a história daquela região, de quando haviam curtumes ali, vários pontos reflorestados, entre outras coisas. Trata-se de um presente, não só para a população de Goiânia como um todo, mas principalmente para os moradores mais antigos do “Setor Campinas”, uma antiga cidade que foi rebaixada a condição de bairro após a construção de Goiânia.
Infelizmente, nem tudo são flores. Esqueceram-se de um ilustre personagem histórico, que está todos os dias naquele local ao lado do parque. Trata-se do córrego Cascavel. Esse personagem assistiu importantes transformações em Campinas: o nascimento da cidade, as lavadeiras e suas roupas, as brincadeiras das crianças em suas águas, a primeira fonte de energia elétrica da cidade, através dos padres jesuitas que instalaram uma roda d’água nele, a retirada das árvores de suas margens, a chegada dos curtumes, a poluição de suas águas, a urbanização, a degradação de suas margens e o seu esquecimento. Na verdade o córrego só é lembrado nas cheias ou quando existe mau cheiro em suas águas, nada mais.
O parque não foi feito para que a população também pudesse contemplar o córrego, na verdade, provavelmente o seu destino já está selado. Acredito eu que ali será construído futuramente um prolongamento da marginal. A intenção seria a de ligar os bairros próximos a av. T-63 até a Av. Leste Oeste, e ponto. Como eu disse, achei muito boa a idéia do parque, só acho que não está completo, poderiam ter pensado no córrego, colocar pontos de observação próximos as suas margens, como mirantes, para que as pessoas pudessem vê-lo, independentemente se vão construir marginal ou não.

Nenhuma alteração foi feita na margem próxima ao córrego, no máximo uma roçagem. Esqueceram do córrego Cascavel! No detalhe o palco virado de costas para o córrego.
Os administradores púbicos parecem sempre querer esconder seus córregos e rios, tapar a feiura, o lixo, o esgoto ou, em resumo, esconder sua incapacacidade de gerir os recursos naturais de uma cidade. Esconder um curso d’água é esconder a própria história. O córrego nem tão feio é, ele não tem culpa de nosso modo destruidor de vida, que sempre valoriza o lado perverso da coisa, onde o trânsito é levado mais em consideração. Da mesma forma que o córrego foi valorizado próximo de sua nascente, onde suas águas ainda são limpas, poderiam tê-lo valorizado quando já está poluído. Será que não se lembram do conceito de parque linear? Ontem estive lá, suas águas estavam bonitas, transparentes e sem nenhum odor.
A implantação desse novo parque me deixou alegre, mas ao mesmo tempo triste, pois extirparam do povo um pedaço da história.


