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Conhecendo um pouco mais sobre o rio Meia Ponte


Introdução

O rio Meia Ponte,  que para muitos não representa nada, apesar de beberem da água deste, é um rio histórico. Esse rio teve um papel decisivo para a escolha da nova capital. Não foi a primeira fonte de água do novo município, nem foi onde teve a primeira usina geradora de energia. O Meia Ponte foi inserido em planos mais ambiciosos para a nova capital. O volume de águas e uma queda d’água possibilitaram a construção de uma usina hidrelétrica, que foi chamada de Usina do Jaó, para abastecimento elétrico da cidade.  Mais tarde, uma nova usina foi construida, Rochedo, em 1954,  novamente o rio seria essencial para  construção da nova capital do país, Brasília.

Hoje em dia o rio está muito doente. O rápido crescimento da cidade, aliado à especulação imobiliária e à ausência de um planejamento efetivo levaram ao péssimo estado que se encontram o rio Meia Ponte e seus afluentes que cortam a cidade de Goiânia. Dos cerca de 85 mananciais, mais de 90% possuem algum tipo de degradação, desde ocupação irregular de suas margens até erosão, assoreamento, e lançamento de esgoto, sendo que este último acinzenta as suas águas na época de estiagem.

Nascente e foz

O Rio Meia Ponte faz parte do complexo hidrográfico da Bacia do Rio Paraná, localizando-se na região superior (norte) do Rio Paranaíba.O rio nasce no município de Itauçu, na Serra dos Brandões. Em 2006 descobriu-se duas novas nascentes do rio no município de Taquaral, que antes nem era considerado município da bacia. O rio percorre um distância de cerca de 471 Km até sua foz no rio Paranaíba no município de Cachoeira Dourada.

Importância

A Bacia do rio Meia Ponte é a mais importante do estado de Goiás. Nem de longe é a maior, sua área territorial corresponde a apenas 3,6% do estado Goiás, onde estão inseridos 39 municípios,porém é a bacia onde se concentra maior parte da população, aproximadamente 48% da população goiana.

A bacia do Meia Ponte é dividida em cinco sub-bacias:

    * I) Alto Meia Ponte: que engloba a região das nascentes até a foz no ribeirão João Leite;

    * II) Ribeirão João Leite: que abrange sete municípios e é delimitada como Área de Proteção Ambiental;

    * III) Rio Caldas, que abrange parte de nove municípios goianos;

    * IV) Rio Dourados: que também engloba nove municípios;

    * V) Baixo Meia Ponte: que possui a maior área territorial, abrigando quinze municípios.

A subbacia que não está especificada acima, mas que costumo chamar de Médio Meia Ponte, é a mais comprometida, está situada entre a subbacia do ribeirão João Leite e a subbacia do Rio Caldas.

Bacia Área Total                  (Km2)                                   Vazão (m3/s)

Rio Caldas                                  1.271,20                                  6,72

Ribeirão João Leite                804,40                                     6,00

Ribeirão Cachoeira                 *                                                 2,54

Ribeirão Capivara                  *                                                  1,235

Ribeirão Capoeirão                *                                                 1,11

Ribeirão Inhumas                   *                                                 1,04

Rio Dourados                            1.715,3                                    5,30

 
Principais problemas da bacia do rio Meia Ponte

* Nas áreas urbanas, urbanização desordenada, além de problemas de Saneamento Básico como coleta e tratamento de esgoto;

* Grande maioria dos municípios da bacia hidrográfica não possui um sistema de coleta de lixo eficiente e locais adequados para destinação final dos dejetos;

* Implantação de indústrias em fundo de vale que usam os mananciais como receptores para os efluentes industriais;

* Existência de inúmeros pontos de retirada de areia devido a proximidade de pólos consumidores importantes;

* A indústria da cerâmica, com o aproveitamento de minerais como areia lavada e argila, provocam o desmatamento de mata ciliar e áreas de várzeas, ocasionando processos erosivos com turbidez das águas, poluição química através de óleos, graxas e detergentes e forte assoreamento;

* Nas áreas rurais problemas de esgotamento de solo, desmatamento, queimadas, mal uso de defensivos agrícolas, erosão, utilização de pivô para irrigação e outros.

A bacia do rio Meia Ponte sofreu sérios problemas de desmatamento em decorrência da implantação de atividades agropecuárias. Atualmente, restam pequenos fragmentos de vegetação nativa que assumem grande importância na conservação dos recursos genéticos da fauna e da flora da região. Infelizmente existem planos para construção de PCHs(Pequenas Centrais Hidrelétricas) ao longo do rio Meia Ponte, colocando em risco até mesmo esses fragmentos restantes.

A extensão do rio Meia Ponte em Goiânia corresponde a cerca de 10% do total da extensão do rio, ou seja, menos de 50 km, apesar disso, Goiânia é a cidade que tem maior parcela na poluição do Rio Meia Ponte, é também sua maior beneficiada, pois tem todo seu abastecimento oriundo desta bacia (52% do João Leite e 48% diretamente do Rio Meia Ponte). O município entrega uma água de péssima qualidade e não é portanto solidário com os munícipios a jusante (abaixo), as águas seguem assim  comprometidas por cerca de 150 Km.

História

1732 – No ano de 1732, ao cruzar o rio, no local onde se acha hoje, a Usina do Rochedo, Bartolomeu Bueno ( O Anhanguera ) utilizou duas toras de madeira como ponte. Ao voltar, só encontrou uma; a outra, tinha sido levada pela enchente – chamou o rio de Meia Ponte, nome que o iidentifica até hoje.

1783 – No ano de 1783, o Dr. Aguiar Whitaker, juiz de direito, explorou o rio Meia Ponte, que na ocasião, pela seca extrema, não dava boa navegação, mas que no tempo das cheias “pi-esta-se perfeitamente ao movimento do vapores. ” ( modificado pata facilitar a leitura )

1933 – Nascimento da cidade de Goiânia. Um dos principais motivos da escolha da nova capital foi sua hidrografia que tinha como protagonista o Rio Meia Ponte.

1936 – Em virtude da demanda cescente por energia elétrica, foi construída a Usina do Jaó, no Rio Meia Ponte, próximo ao local onde fica hoje o Clube Jaó.A implantação da usina do Jaó foi imprescindível para o Batismo Cultural de Goiânia, que ocorreu entre o final de junho e o início de julho de 1942.

1945 – No dia 3 de abril de 1945, um grande acidente causado pelas chuvas e ventos danificou os equipamentos da usina do Jaó e comprometeu seriamente o funcionamento da mesma. Goiânia voltou novamente a um longo período escuro tanto no que diz respeito à falta de energia quanto na economia, que enfrentava uma situação delicada e decadente. Foram utilizadas alternativas, como geradores particulares de pequena ou grande potência. Muitos vendiam energia para os vizinhos, outros aproveitavam o apagão para atrair clientes à noite, com bares ou lojas iluminadas. Até o motor de um submarino da 2ª Guerra Mundial foi utilizado no Córrego Botafogo, para gerar energia para a iluminação da cidade.

1947 – Reconstrução da Usina do Jaó.

1955 – A usina do Rochedo, no Rio Meia Ponte, entrou em operação no dia 26 de julho de 1955 com capacidade de geração de 4 MW.

1959 – Entrou em operação uma 4ª etapa da Usina do Jaó.

1962 – Fundação do Clube Jaó em 5 de agosto de 1962 por Ubirajara Berocan Leite. Teve origem em um bosque, o Babaçu, cortado pelo Córrego Jaó. Inicialmente, era banhado pelas águas de uma represa, formada pelo Rio Meia Ponte, que abastecia a Usina Jaó.

1970 – Com o crescimento de Goiânia, a represa do Rio Meia Ponte foi ficando poluída, logo represa e usina foram desativadas.

2003 – Descobertas 4 novas nascentes no municipio de Taquaral de Goiás que a principio não fazia parte da Bacia do Rio Meia Ponte.

2004 – Inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos de Goiânia. Obra grandiosa que inicialmente prometia tratar 80% dos esgotos da capital.

2011 – Já se passaram 7 anos e o rio continua agonizando sem investimentos durante esse período!

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  1. maio 28, 2012 às 7:36 pm

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